Cohab homologa plano de cargos e salários
Cohab homologa plano de cargos e salários
Texto: Luciano Augusto
A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) homologou, ontem, na Subdelegacia do Ministério do Trabalho, o seu plano de cargos e salários. Em meio a alguns descontentamentos, o presidente da Cohab, Daltair Valim, classificou o documento como uma "carta de alforria" dos funcionários, porque fica garantida a "função funcional (sic), escapando da função pessoal do chefe imediato".
Valim comentou que essa era uma meta antiga sua e que, assim que reassumiu a presidência da companhia, em março deste ano, já começou a trabalhar em cima do plano de cargos e salários.
O plano de cargos e salários, entre outras coisas, reduz o número de cargos de confiança para um teto de 24. Hoje, a Cohab conta com mais de 40 funcionários lotados em cargos de confiança. Estes funcionários começam a ser demitidos com a entrada em vigor do plano, que segundo o Ministério do Trabalho, já começa a partir da sua homologação, ou seja, ontem.
A nova medida estabelece também um teto máximo de 120 contratados para os cargos efetivos. "Hoje a Cohab está com 98 e a diferença está sendo suprida pelos cargos de confiança", complementou Valim. As vagas dos cargos efetivos só poderão ser compensadas através de um processo seletivo.
Com o enxugamento de sua folha de pagamento, a Cohab vem conseguindo economizar mais de R$ 600 mil mensais. "A Cohab já chegou a ter 354 funcionários, entre cargos de confiança e efetivos, com uma despesa de mais de R$ 1 milhão", apontou Valim. Hoje, a companhia de habitação popular está com 145 funcionários e uma folha de pagamento de R$ 380 mil.
"Essa redução foi feita em cima dos cargos que eram extremamente de confiança, porque não precisavam trabalhar", comentou o presidente da Cohab. Além disso, a Cohab anulou 69 contratações, "que não atendiam a preceitos legais".
Os descontentamentos, para Valim, são normais. Entretanto, ele argumenta que o plano de cargos e salários não tem por objetivo acertar problemas salariais, nem tampouco pretende aumentar ou diminuir salários. O plano visa, segundo Valim, disciplinar a evolução salarial e instituir uma grade que dê suporte para esta evolução.
Já para o delegado regional do Ministério do Trabalho, Sérgio da Silva Branco, a homologação do plano "representa seriedade da Cohab com o serviço público" e que ele estabelece regras transparentes para a administração.
Destacou ainda que a medida deverá ser cumprida, "na
íntegra", pela companhia. Como disse, essa é uma preocupação porque, "em se tratando de uma empresa pública, ela pode ficar sujeita a essas ondas dos momentos políticos".
Para o Ministério do Trabalho, esse é um primeiro passo para a harmonia da relação capital-trabalho.
Branco adiantou também que, "naturalmente", algum trabalhador poderá contestar um fato ou outro que ficou estabelecido pelo plano. Por outro lado, os trabalhadores dispõem de um parâmetro para reclamar, "o que antes não existia". Essa, para o delegado, é a grande virtude do plano de cargos e salários.