Moussa revela ânimo em aliança com PSDB
Moussa revela ânimo em aliança com PSDB
Texto: Josefa Cunha
O empresário Moussa Tobias, assediadíssimo por vários partidos com a proximidade das eleições municipais, tem revelado um ânimo "extra" com uma possível aliança com o PSDB. Segundo ele, há um desejo muito grande de uma união entre PDT, onde a principal liderança
é seu irmão Pedro Tobias, e o ninho tucano. Sua candidatura a prefeito pelo PDT, proposta por Pedro, está definitivamente descartada. Distante também, ao contrário do que se desenhava, parece estar o convite para Tuga Angerami ingressar no PDT, embora Moussa classifique o ex-tucano como uma das melhores figuras políticas de Bauru. Em entrevista ao JC, o respeitado analista político disse que o quadro eleitoral para 2000 ainda é muito incerto. Na conversa, ele comentou sobre os candidatos já pré-lançados e criticou polidamente a administração Nilson Costa. O prefeito, em sua opinião, até hoje não tomou as medidas que deveria para garantir a austeridade da administração municipal.
Jornal da Cidade - O PDT confirma mesmo o interesse em Tuga Angerami para uma candidatura?
Moussa Tobias - Eu acho o ex-deputado Tuga uma das figuras políticas de melhor qualidade em Bauru, seja pela ética, conduta, postura e prática. Não tenho a menor dúvida quanto às qualidades dele, ainda que essa seja uma avaliação pessoal. Agora, daí para envolver uma candidatura, é outra história. Em primeiro lugar, eu não sou filiado do PDT e não posso falar pelo partido. Uma candidatura tem que ser discutida no partido e não imposta. É muito difícil responder a essa pergunta. Se depender do meu ponto de vista, eu gostaria de vê-lo no PDT.
Jornal da Cidade - Mas ele seria uma saída para o PDT, já que o senhor se diz fora da empreitada e Pedro Tobias continua reticente?
Moussa - Um partido político sempre aspira ao poder, mas nada pode ser feito apenas pelo poder. As coisas têm que ser feitas dentro de uma discussão mais ampla, interna. Não tenho dúvidas de que o Tuga se encaixaria nesse projeto, até porque o perfil dele é muito próximo ao do Pedro. As afinidades existem, mas o tempo é exíguo para se fazer esse debate interno, sem falar que nenhum partido deve viver da figura de uma pessoa só. Aliás, sou a favor de uma mudança partidária, porque nossa legislação não permite nunca o fortalecimento dos partidos. O sistema distrital misto seria o ideal, bem como a fidelidade partidária. Está na hora de parar com o fisiologismo de troca de votos.
Jornal da Cidade - Mas pelo jeito, nada deverá mudar para as eleições do ano que vem...
Moussa - É muito difícil. A única coisa que pode e eu acredito que vá mudar é a desencompatibilização dos atuais prefeitos. Isso ainda não está descartado e nem depende de mudanças na Constituição, porque pode ocorrer através de regulamentação e após o dia 3 de outubro. Como na política sempre corre o jogo de interesses e muitos deputados serão candidatos a prefeito, eles, certamente, não vão querer enfrentar os prefeitos que hoje estão no cargo.
Jornal da Cidade - Mas voltando à questão do Tuga, deve partir um convite formal do PDT?
Moussa - Não, não. Pode existir até um certo desejo, mas o convite tem que partir da executiva do partido.
Jornal da Cidade - Mas a situação caminha para isso?
Moussa - Eu não sei e não tenho conversado a respeito. Pouca gente acredita nisso, mas eu não participo das reuniões do PDT. Eles têm reunião agendada, mas a pauta quem faz é o presidente Marcelo Borges. Não saberia te dizer isso.
Jornal da Cidade - Por falar em Marcelo Borges, ele já revelou resistência à possível entrada de Tuga. O que o senhor acha disso?
Moussa - O Marcelo pode ter tido problemas pessoais com o Tuga, mas isso nunca poderia interferir na política. O Marcelo é egresso do PSDB e militou ao lado do Tuga. Me sinto estranho em entrar nessa discussão, mas acho que questões pessoais caminham à parte da política.
Jornal da Cidade - Ainda há pouco, o senhor estava reunido com o Natan Chaves e o Carlos Ladeira. Como estão as conversas com o PSDB?
Moussa - Eu vejo hoje um desejo muito grande, tanto das lideranças do PDT como das do PSDB, de formar uma frente
única para as eleições municipais do ano que vem. O PDT tem também forte ligação com o PTB, que acabou de ganhar o Caio Coube. É muito cedo para falar em alianças, mas afirmo que há um desejo muito forte entre PDT e PSDB.
Jornal da Cidade - Numa eventual coligação com os tucanos, de onde viria o candidato, já que o Tuga está fora?
Moussa - Quando dois partidos sentam à mesa para conversar, não pode haver imposição. Se um ou outro vem com isso, o acordo fica difícil. O Caio, por exemplo, em nenhum um momento impôs seu nome, mesmo porque ele também tem interesse em formar um bloco político. Pode ser o Pedro, o Caio ou um terceiro que venha a surgir. Se houver o agrupamento com o PSDB, por exemplo, poderá surgir ainda um outro nome.
Jornal da Cidade - Sobre os candidatos que já estão praticamente lançados, como Nilson Costa, Tidei de Lima e Dudu Ranieri. Qual a avaliação desse quadro?
Moussa - A saída do Tuga mudou bastante o quadro que vinha se delineando. O Nilson é candidato com certeza. Quem conhece sua vida política, sabe que desde 1982 ele vem se candidatando a tudo de dois em dois anos. Agora, com a máquina na mão, ele não haverá de perder a chance. Além do mais, as pessoas que têm posição de comando numa administração, como presidentes de autarquias e secretários, sempre pressionam o prefeito a sair candidato. Temos também o Tidei, que não vejo outra saída política a não ser a candidatura. O Dudu também já alardeia, mas tem muita gente ligada a ele que já fala numa coligação com o Tidei na reta final. Tudo ainda é uma incógnita.
Jornal da Cidade - E o PT? Poderia interferir no quadro, mesmo lançando candidato próprio?
Moussa - Depende. O PT em Bauru não consegue deslanchar. Em outras cidades de porte médio, é um partido que sempre sai com 10% dos votos, seja qual for o candidato. Aqui, isso não acontece. Não sei se é por culpa do próprio partido ou se pela presença do Pedro e do Tuga, que têm perfis próximos e puxam votos dos petistas.
Jornal da Cidade - O senhor defende a candidatura do Pedro?
Moussa - É difícil de responder, porque ele está no primeiro mandato de deputado, mas, por conselho, eu o orientaria a terminar o mandato na Assembléia. O problema do político como o Pedro é que, num determinado ponto, a vida não pertence a ele mesmo e sim ao grupo. O interesse e a pressão da maioria é que vão determinar.
Jornal da Cidade - Qual o perfil do candidato que terá chances de vencer a Prefeitura?
Moussa - Hoje, quem define as eleições em Bauru é a região periférica, onde estão concentrados 70% dos votos. Já foi o tempo que a classe média interferia. O candidato que não tiver perfil que agrade a essa faixa não ganhará. A busca que fazemos é justamente para encontrar alguém que tenha o perfil para penetrar nessa camada. Se a disputa fosse somente entre Caio Coube, Nilson Costa e Tidei de Lima, certamente o Tidei levaria a melhor.
Jornal da Cidade - A eleição de 2000 vislumbra alguma peculiaridade?
Moussa - O eleitor de Bauru estava sob estado de emoção por conta dos problemas que envolveram o Izzo Filho. A saída dele e os problemas legados, portanto, não estarão totalmente apagados na próxima eleição. Por conta disso, a probidade do candidato será um peso muito grande que fará a diferença.
Jornal da Cidade - A tendência do eleitorado é por alguma figura nova, sem desgaste político?
Moussa - Essa tese é defendida por alguns. Bauru vem passando problemas há várias gestões e eu vejo que a tendência, especialmente na classe média,
é para a eleição de uma cara nova e com capacidade administrativa comprovada. Bauru, aliás, está sendo gerida há muito tempo sem projeto definido. O plano diretor do município se esgotou na metade da década de 70 e, de lá para cá, vive da vontade pessoal dos prefeitos. Se um sonha em construir uma ponte, no outro dia vai lá e inicia a obra. Não existe diretriz nenhuma e a cidade precisa de alguém que tenha essa visão, que projete o futuro, que desenvolva o município ordenadamente. A Câmara, inclusive, e os candidatos que pretendem disputar a vereança, devem assumir esse compromisso, ou seja, obrigar o Executivo a seguir um plano. Chega de fazer o que dá na cabeça e pensar apenas nos problemas momentâneos.
Jornal da Cidade - Por falar em Prefeitura, qual sua opinião a respeito do governo Nilson Costa?
Moussa - O Nilson não é um homem ousado, mas Bauru precisa hoje de mais ousadia, de atrevimento e até de medidas mais antipáticas. Deveria haver normas contra o empreguismo, não haver fisiologismo, porque, na medida em que se adota tal prática, não dá para fazer uma administração austera.
Jornal da Cidade - O senhor está dizendo que o governo Nilson mantém essa prática?
Moussa - Pelas informações que tenho, sim. Tem vereador, inclusive, que bate no peito e se vangloria de ter conseguido cargos para votar contra a CEI do Patinho. Não podemos negar, entretanto, que o Nilson herdou o caos e vem tentando administrá-lo, embora não com a mão de ferro que deveria. Quando se vê à frente uma empresa pública ou privada em dificuldade, a saída passa por medidas amargas. E essas medidas eu até agora não vi a administração Nilson Costa tomar.
Jornal da Cidade - Como o senhor vê a empreitada do prefeito em disputar a reeleição, já começando pelo anúncio de mudanças no secretariado?
Moussa - Ele praticamente está contrariando o discurso que pregou quando assumiu o cargo. Antes, ele falava que o que
é bom para a cidade, os vereadores teriam que apoiar. Agora, exige que os secretários tenham fidelidade política. Vejo que os desejos e os interesses políticos estão prevalecendo.
Jornal da Cidade - Mas com relação às chances dele na eleição de 2000?
Moussa - Todo candidato entra achando que vai ganhar e tem a chance disso acontecer. O Nilson está prefeito e ninguém pode negar o peso da máquina administrativa numa eleição. Essa será a primeira vez que os prefeitos passarão pelo teste da reeleição e só depois poderemos auferir.