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Empresa Júnior

Ana Maria Ferreira
| Tempo de leitura: 4 min

Empresa Júnior surge como alternativa de mercado

Empresa Júnior surge como alternativa de mercado

Texto: Ana Maria Ferreira

Projeto dá a estudantes a oportunidade de estar em contato com situações reais que necessitam de solução e a demanda de mercado

Júnior, o nome não poderia ser mais adequado, representa o ponto de partida do trabalho de muitos estudantes em busca da realização prática da experiência acumulada a cada ano de estudos e projetos, numa idéia simples e eficaz: Empresa Júnior. As universidades do mundo todo perceberam a importância deste conceito e decidiram investir na criação e implementação de empresas juniores propiciando aos estudantes a oportunidade de estarem em contato com situações reais e que necessitam de solução e a demanda de mercado, principalmente de pequenos e médios empresários, que muitas vezes optam por soluções caseiras na impossibilidade de pagar a uma empresa especializada para o desenvolvimento de projetos que podem resolver desde um problema técnico, quanto realizar trabalhos preventivos. O resultado quase sempre significa economia de dinheiro para o cliente, pois o preço cobrado equivale a cerca de 10% do que se cobra no mercado, e de quebra uma alavancagem nos negócios. Para os alunos é a oportunidade de aprender noções do trabalho numa empresa, negociação com clientes, contato direto com problemas e desenvolvimento de soluções, além de contar pontos no curriculum.

É natural que um estudante que passou pela experiência da empresa júnior apresente uma melhor performance na disputa por uma vaga.

A Unesp-Bauru, após três de intervalo, anos reativou as empresas juniores que estavam divididas dentro das várias faculdades do campus, e criou um novo conceito: Empresa Júnior Multidisciplinar - EMA.

Hoje, a empresa júnior da Unesp-Bauru é a única que engloba todas especialidades, o que a diferencia das demais. O diretor-presidente da EMA, Wellington Bolgheroni Alves, estudante do segundo ano de engenharia elétrica, destaca que a característica básica da empresa júnior é que ela não tem fins lucrativos e é administrada por alunos, supervisionados por professores no que se refere a projetos. "Desde o segundo semestre de 98 as atividades foram retomadas e nós estamos implementando a infra-estrutura. Já conseguimos um local próprio para funcionamento da empresa, microcomputador e linha telefônica. Uma das coisas que mais me estimula

é que são projetos de extensão universitária para pessoas que não podem pagar o preço de mercado, além da experiência administrativa que eu e todos que participam dos projetos estamos ganhando", destaca Wellington. Quanto vale No Brasil existem 360 empresas juniores cadastradas nas federações estaduais das Empresas Juniores, que no ano passado juntas faturaram R$ 1,5 milhão, equivalente a 300 mil horas de trabalho de estudantes-consultores, que ganham em média R$ 5,00 por hora. Wellington Alves explica que os membros da diretoria não recebem nada pelo trabalho na EMA, já os alunos e professores que executam os trabalhos recebem por ele. "O objetivo principal da empresa é complementar a formação acadêmica do aluno, o dinheiro é um incentivo" afirma. A Federação das Empresas Juniores do Estado de SãoPaulo - Fejesp - é a mais antiga e atuante federação doPaís, e foi a responsável pela organização do I Encontro nacional de Empresas Juniores, em 1993, que fortaleceu o reconhecimento do trabalho destas "empresas". Os diretores da Fejesp fizeram uma reunião com o ministro da educação Paulo Renato de Souza, no começo do ano para discutir a melhoria da qualidade das empresas juniores e o aumento do número delas nas Universidade brasileiras. A empresa júnior é um critério para as notas das faculdades, segundo Alexandre Lanz, diretor de qualidade da Fejesp. Em Bauru foram realizados alguns trabalhos para empresas da cidade. O mais recente foi para um banco que buscava estimular os universitários a abrirem uma conta especial. O resultado da campanha, realizada por um grupo de alunos do curso de Relações Públicas, foi de um aumento de 400% acima da expectativa da empresa cliente. Outro trabalho recente, mas desvinculado da infra-estrutura da EMA foi um estudo sobre racionalização de energia elétrica num condomínio de prédios onde moram cerca de 2,5 mil pessoas. O resultado do estudo realizado por um grupo de estudantes foi a apresentação de uma proposta de 46% de economia no consumo de energia. Com soluções práticas e funcionais os alunos conseguiram provar a viabilidade do projeto, que diga-se foi solicitado pela própria administração do condomínio, a um custo sustentável e onde o retorno do investimento é certo. A responsável pelo condomínio gostou tanto do que viu que sugeriu a receita da Empresa Júnior para outros setores da sociedade. Há quatro anos a Tilibra contratou os serviços da empresa júnior da Unesp para um trabalho de prevenção e manutenção nas máquinas. Foi feito um trabalho interno junto aos funcionários e elaborada uma cartilha com os pontos principais. Nasce uma idéia

O conceito de Empresa Júnior surgiu na França, em 1967, na Escola Superior de Ciências Econômicas e Comerciais de Paris, como desenvolvimento prático do aprendizado, por parte dos estudantes, e preços acessíveis as pequenas e médias empresas. O movimento cresceu, e atingiu a cifra de US$ 19 milhões em 16 empresas juniores que desenvolveram mais de 5 mil projetos envolvendo 1200 estudantes, só na França.

O processo de internacionalização aconteceu em 1986 e foi um sucesso. No Brasil as Empresas Juniores da Fundação Getúlio Vargas - FGV - e da Fundação Armando Alvares Penteado - FAAP - foram as pioneiras, em 1988.

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