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Meio ambiente

Adriana Rota
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Para Vidágua autorizações para cortes de árvores são excessivas

Para Vidágua, autorizações para cortes de árvores são excessivas

Texto: Adriana Rota

Setecentos e noventa e cinco árvores adultas cortadas com a autorização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente

(Semma). Esse número, obtido através de análises do Diário Oficial durante o ano passado, preocupa o Instituto Ambiental Vidágua. Motivo: a vegetação retirada das áreas urbanas não é reposta, resultando num impacto ambiental desastroso para a cidade e seus habitantes.

De acordo com o secretário executivo do Vidágua, Rodrigo Agostinho, nos últimos 12 meses 1.068 processos administrativos para o corte de árvores foram protocolados na Prefeitura pela população. A Semma autorizou 710 processos (67% do total) e indeferiu outros 358. A média foi de 66,25 cortes por mês e 2,2 por dia. Como cada processo pode incluir mais de uma árvore, 795 acabaram sendo cortadas.

Trinta e nove espécies foram atingidas, incluindo aquelas em extinção, como pau-brasil, cabreúva e pau-ferro. As "campeãs" em número de cortes foram a sibipiruna e a canelinha, 235 cada uma. Agostinho explicou que o fato de não serem nativas propicia o aparecimento de pragas, que muitas vezes ameaçam a queda das árvores

- a primeira, por exemplo, é natural da Mata Atlântica. No entanto, segundo ele, existem tratamentos químicos que poderiam poupá-las, mas não são utilizados pela Prefeitura, "que autoriza, muitas vezes, sem critério".

Na sua opinião, a população também tem sua parcela de responsabilidade, especialmente os moradores de bairros de classes altas, que solicitam cortes devido à

"sujeira" das folhas ou estragos provocados por raízes de árvores plantadas em locais inadequados. "Esse problema de colocar certas espécies em locais indevidos

é sério. O oiti, por exemplo, chegou aqui há cerca de 5 anos. Daqui a uns 20, começará a causar dor de cabeça, porque dá frutos que atraem morcegos. Embora não sejam perigosos, as pessoas não costumam gostar muito deles", alertou.

O membro do Vidágua aconselha a população a sempre optar por espécies nativas, porque simplesmente eliminar as árvores não é um processo muito inteligente. "Elas fornecem sombra, regularizam o clima, reduzem os índices de poluição, barram os ruídos, abrigam os pássaros, para citar apenas algumas de suas utilidades", ponderou.

O estudo

O estudo surgiu de uma pesquisa realizada junto à população bauruense, que mostrou ser a arborização uma preocupação crescente. Tanto que 40% dos entrevistados consideraram insuficiente o número de árvores na cidade. O grande número de denúncias sobre cortes irregulares foi outro fator que resultou na pesquisa e lançamento de campanhas.

Nesta mesma data, em 1998, foi lançado um primeiro estudo sobre o tema, onde já se podia constatar o alto número de deferimentos de processos para supressão de árvores das calçadas da cidade. Dentre as diversas campanhas lançadas a partir do primeiro relatório, uma foi bem sucedida: a aprovação da Lei de Arborização Urbana de Bauru, que estava parada na Prefeitura havia três anos. A luta do Vidágua, desde então, é fazer valer as determinações dessa lei.

Esse estudo não engloba o desmatamento da mata nativa da região - o cerrado -, mas Agostinho alertou para o fato de que o equivalente a um quarteirão de mata é destruído a cada 4 minutos no Estado, segundo fotos de satélite. As denúncias sobre esse tipo de devastação devem ser feitas à Polícia Florestal (230-2700) ou ao Ibama (230-0151). Os cortes irregulares em área urbana têm de ser comunicados à Semma (235-1135). Mais informações podem ser obtidas no Vidágua (223-2661).

Boas notícias

O Fundo Estadual de Recursos Hídricos escolheu o Vidágua

- dentre diversas organizações não-governamentais de proteção à natureza -, através do Comitê da Bacia Hidrográfica Tietê-Jacaré, para receber uma verba para construção de um viveiro de árvores, que contará com espécies de toda a região para reflorestamento das margens dos rios e córregos. Ele deverá começar a ser construído ainda neste ano, próximo à avenida Cruzeiro do Sul, vizinho ao Ibama.

Cursos e treinamentos de produção de mudas nativas, além de recuperação de áreas degradadas e educação ambiental também serão desenvolvidos no local. O Vidágua ficou encarregado de dar uma contrapartida de 25% do custo total de implantação, que é de R$ 8.646,25. O instituto está estudando uma maneira de conseguir esse valor e conta com o apoio da população para efetivar esse projeto.

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