Leishmaniose já ataca 445 cães na região
Leishmaniose já ataca 445 cães na região
Texto: Fábio Grellet
Se o mosquito-palha morder um cão contaminado e, em seguida, picar o homem, vai infectá-lo. Por isso, é sugerido sacrifício dos animais
Em dez das 41 cidades atendidas pela Direção Regional de Saúde sediada em Bauru (DIR-10), já foram confirmados 445 casos de leishmaniose em cães. Cinco dos cachorros infectados são de Bauru, mas os outros 440 se distribuem pelas outras nove cidades. Nos outros 31 municípios, não há casos confirmados. Seguindo sugestão emitida pela Vigilância Epidemiológica aos proprietários dos animais, parte deles pode já ter sido sacrificada.
Segundo a Vigilância Epidemiológica de Bauru, nenhuma pessoa apresentou sintomas da doença, por enquanto, na região. Entre os cães, porém o número
é crescente: a maior quantidade de casos foi registrada em Lins, onde 269 animais foram infectados. Proporcionalmente ao número de habitantes, porém, a situação mais grave é de Balbinos, que registra dez casos e tem 1.388 habitantes. Já a população de Lins engloba 60.720 pessoas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A comparação adequada deve relacionar o número de animais infectados ao número total deles, mas, como não há levantamento sobre o número total de cães, imagina-se que ele seja proporcional ao número de habitantes.
Os dados, emitidos pela Vigilância Epidemiológica, em Bauru, foram atualizados pela última vez no dia 13 de setembro e, portanto, o número de casos confirmados pode ter aumentado. Os exames a que os cães foram submetidos confirmam que eles têm a doença, mas não especificam qual a espécie dela - se é a leishmaniose tegumentar, que causa feridas na pele do animal e até na região sub-cutânea (na camada imediatamente inferior à pele), ou a visceral, que é mais grave e ataca órgãos internos (vísceras) do animal, como fígado e baço. Já foram feitos os exames que vão determinar qual das espécies da doença cada animal desenvolveu, mas o resultado ainda não foi emitido pelo Instituto Adolfo Lutz, responsável pelas análises.
Segunda Márcia Monti, diretora da Vigilância Epidemiológica,
é provável que, ao menos em algumas das cidades atingidas, como Lins e Cafelândia, os casos sejam da espécie visceral. Embora não haja confirmação oficial, como esse tipo de leishmaniose requer cuidados mais intensos, em todas as cidades o combate e a prevenção à doença têm sido feitos como se a espécie fosse visceral. A Vigilância Sanitária tem sugerido aos proprietários dos cães infectados que sacrifiquem esses animais, matando-os. Se a leishmaniose for mesmo viceral, ele estará condenado, e o sacrifício vai evitar que a morte seja mais dolorosa. Embora, por enquanto, o sacrifício seja apenas uma sugestão, caso seja considerada uma providência necessária, a Vigilância pode obrigar que os animais infectados sejam mortos.
Além do sacrifício dos animais, outra providência tomada pela Vigilância Sanitária é examinar os cães que moram num raio de até 200 metros a partir do lugar habitado por cada animal infectado.
A diretora da Vigilância Sanitária afirmou que o avanço da leishmaniose preocupa bastante, mesmo nas cidades onde o número de casos ainda é pequeno, e que as providências estão sendo tomadas para controlar a doença.
A quantia de casos de leishmaniose na região pode ser ainda maior, porque os dados emitidos pela Vigilância, em Bauru, não incluem a região de Botucatu, onde não foi possível obter informações sobre a doença, ontem, porque os responsáveis pela área de Saúde Pública não foram localizados.
Cães abrigam protozoário e facilitam transmissão
A leishmaniose é uma doença infecciosa, causada por protozoários do gênero leischmania e transmitida ao cão e ao homem através da picada do mosquito palha. Não há transmissão direta de cão para homem, entre cães ou entre homens. Mas os cães contaminados servem como abrigo para o protozoário e, por isso, eles estão sendo combatidos.
Há dois tipos de leischmaniose: a Cutâneo-mucosa
(Tegumentar Americano), que provoca lesões na pele e nas mucosas, e a visceral, mais grave, que ataca, especialmente, o baço e o fígado. Neste caso, se a doença não for tratada a tempo, pode levar o doente à morte.
No caso dos cães, os sintomas da leishmaniose são mudança de comportamento, queda de peso, inchaço abdominal, sangramentos e ulcerações de difícil cicatrização. No homem, ocorre febre, anorexia (perda de apetite), aumento do fígado ou do baço e, às vezes, o surgimento de gânglios.
A população deve tomar cuidados para não atrair os mosquitos, que normalmente surgem logo cedo e no fim do dia. É importante manter a higiene das residências, evitando deixar sobras de comida, por exemplo.
A leishmaniose foi detectada inicialmente na região de Andradina, mas se espalhou por diversos outros municípios. No Estado de São Paulo, duas pessoas já morreram, este ano, em decorrência da doença.
Número de cães contaminados
(até 13/setembro, segundo a Vigilância Epidemiológica de Bauru)
Agudos - 1
Balbinos - 10
Bauru - 5
Cafelândia - 103
Getulina - 8
Guaiçara - 10
Jaú - 1
Lins - 269
Macatuba - 1
Promissão - 37