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Cafeicultores

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 6 min

Café orgânico ganha 10% do mundo por ano

Café orgânico ganha 10% do mundo por ano

Texto: Márcia Buzalaf

A cafeicultura sem agrotóxicos é uma das tendências do futuro e uma preocupação principal do Brasil como maior produtor e maior exportador de café do mundo. Os experimentos já estão sendo feitos e aproximadamente 0,18% de toda a produção anual brasileira é exportada. A produção do café orgânico não é limitada aos grandes cafeicultores nem depende de muita tecnologia. Quem falou sobre o assunto foi Renzo Gorreta Hugo, extensionista municipal da Emater em Abaitá, no Paraná,

, durante o 5.º Encontro de Cafeicultores de Marília.

O consumo de café orgânico está crescendo em uma ordem de 10% por ano em todo o mundo. Por enquanto, no mundo, existem experimentos da cafeicultura orgânica na Costa Rica e na Colômbia, enquanto que no Brasil, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraná e Espírito Santo estão com produções experimentais.

Praticamente toda a produção mineira é vendida para o Japão, os Estados Unidos e a Europa, onde é comercializado com um preço entre 15% e 50% maior do que o convencional.

A exigência dos importadores e da própria produção do café orgânico é que o produtor tenha, além de um consultor na área para orientar a produção, o certificado concedido pelos órgãos emissores, como o Instituto Biodinâmico de Botucatu (IBD) e a Associação de Agricultura Orgânica de São Paulo (AAO).

Para incentivar a produção orgânica no país que mais produz café, a Organização Não-Governamental

(ONG) Greenpeace emitiu seu primeiro selo de licenciamento da produção de café orgânico em Itú, na Gazzola Chierighini Alimentos. A previsão para 99 é que o Brasil produza entre 35 e 40 mil sacas de café orgânico.

Palestra

O extensionista municipal da Emater em Abaitá, no Paraná, Renzo Gorreta Hugo, durante sua palestra, "Café Orgânico", no 5.º Encontro de Cafeicultores de Marília, disse que o café orgânico não é tanto uma questão de escolha mas de sobrevivência.

Ele afirma que a insustentabilidade econômica, social, ambiental e, conseqüentemente, política do atual modelo da agricultura em geral é o que leva a crer no desenvolvimento dos produtos orgânicos, entre eles, o café.

No campo econômico, a quantidade cada vez maior de insumos usados na lavoura em comparação com os preços destes insumos inviabiliza a tentativa de ser competitivo no mercado.

A área social está sendo influenciada duplamente pelo modelo agrícola vigente desde a década de 70, tanto do lado de quem coordena a produção quanto de quem efetivamente trabalha no campo. Na opinião de Hugo, o uso de agrotóxicos limita a capacidade criativa do agricultor, e que sempre lhe foi espontânea e característica.

Do ponto de vista do trabalhador, Hugo ressalta a exploração do funcionário no campo, principalmente em relação

à exposição aos agrotóxicos.

Ambientalmente, a agricultura como está sendo feita atualmente exige grande uso de água. Segundo Hugo, o maior problema do próximo século vai ser o racionamento da água, o que deve prejudicar o setor.

Por todas as vertentes da inviabilidade deste modelo, Hugo conclui, a própria política agrícola também fica insustentável.

O café, dentro deste contexto, também é insustentável. O mercado para os produtos agrícolas - chamado de mercado verde - também incentiva a produção, já que a polêmica sobre os transgênicos vem fortalecendo cada vez mais a busca por produtos naturais, que não agridam nem a natureza nem o organismo.

Em dois pontos opostos, os produtos transgênicos e os orgânicos estão em uma disputa de mercado e de apoio político nos principais países produtores e consumidores.

Cafeicultura verde

A base para a cafeicultura orgânica é a roçada e o adubo verde (matéria orgânica vegetal e animal, biofertilizantes, polpa e casca do café, compostos e húmus de minhoca).

Outra possibilidade de sucesso da produção verde

é plantar, conjuntamente café e feijão guandú, que funciona como um regulador climático, além de fornecer nitrogênio. "Quanto está muito quente, ele fica um pouco mais frio e quando está muito frio, ele fica mais ameno", garante Hugo.

A arborização também é importante na produção do café orgânico. Hugo aconselha o uso de árvores leguminosas para a arborização superior do café. "Árvores do tipo acassia magiun, que fornece muito hidrogênio", exemplifica.

Outra orientação dada pelo extensionista sobre o café orgânico é para beneficiar o produto antes de vender, já que o uso da casca do café na lavoura fornece potássio e nitrogênico.

Para Hugo, a única coisa que o produtor precisa para a cafeicultura orgânica é ter vontade. Independentemente do tamanho da lavoura, o produtor precisa apenas de garra para ir atrás das informações necessárias para a produção verde: ecológica, social e economicamente viável.

Serviço

O 5.º Encontro de Cafeicultores de Marília está sendo realizado pela Cooperativa dos cafeicultores da Região de Marília (Coopemar), foi iniciado ontem e termina hoje à tarde. Os outros temas que seriam abordados são: reestrutura no agribusiness brasileiro, base estatística e tecnológica da cafeicultura brasileira, perspectivas da cafeicultura mundial, alternativas e implantação de mudas enxertadas, biotecnologia na agricultura, fertilização do cafeeiro, colheita mecanizada e uma visita ao campo experimental da Coopemar. Informações: (14) 423-3377.

Agenda

O 16.º Congresso Brasileiro de Avicultura da União Brasileira de Avicultura (UBA) e da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef) já está com data marcada. Será realizado no Palácio Itamaraty, em Brasília, entre os dias 9 e 11 de novembro, e vai contar com políticos e representantes do setor, como Pratini de Moraes, Ministro da Agricultura e Abastecimento; Luiz Felipe Lampreia, Ministro das Relações Exteriores; Aloísio Mercadante; além dos presidentes da UBA, da Abef entre outras associações. Os temas vão abranger o setor de ovos, frangos, industrializados e outras aves, enfocando a exportação, o agronegócio e a tributação.

Rãs

Será promovido no Paraná o Encontro Nacional de Ranicultura, entre os dias 26 e 30 deste mês. O evento será realizado em São Miguel do Uguaçú. Informações pelo telefone: (45) 565-2400.

Agrobusiness

Entre 8 de outubro e 27 de novembro será realizado o curso Pensa de agrobusiness, em São Paulo. Produção de laranja, café e cana e suas análises dos sistemas agroindustriais. Informações: (11) 210-5966.

Imaven

Amanhã, a partir das 13 horas, no Recinto Mello Moraes, será realizado o primeiro leilão da Agropecuária Imaven em Bauru. O plantel é do tradicional criador de Nelore Pery Igel, que faleceu no ano passado. Serão ofertados 300 animais PO, entre bezerros, vacas paridas, prenhes, reprodutores e novilhas. Informações: (11) 5641-0107.

Domingo tem leilão Simental no Recinto

Será realizado o 5.º Leilão Simental Excelsior neste domingo, dia 26, às 14 horas, no Recinto Mello de Moraes. Neste leilão, serão ofertadas 20 fêmeas de elite e 60 rústicas, em lotes duplos.

As matrizes têm um currículo de prêmios em pistas, e serão apresentadas uma a uma. Os animais são dos criadores Hideo Ota, Laertel Fernandes Fassoni, Rubens Alves de Oliveira Filho, José Flávio Garcia e convidados.

Os animais de elite da raça Simental estão sendo cada vez mais procurados pelo mercado, já que seus resultados econômicos vêm sendo elogiados.

Estes animais vêm sendo elogiados por apresentarem algumas características que se comprovam com sua elevada difusão. O Simental é a raça européia mais difundida no mundo todo, estando presente em 50 países de cinco continentes.

O Brasil foi o pioneiro em trazer o Simental para a América e o segundo país a criar o animal fora da Europa. Atualmente, o rebanho brasileiro é de 600 mil animais puros e cerca de mais 2 milhões de cruzados. Aproximadamente 10% de todo o rebanho no mundo é de Simental.

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