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Golpe

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Golpe da revisão da aposentadoria já lesou mais de mil bauruenses

Golpe da revisão da aposentadoria já lesou mais de mil bauruenses

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Um golpe, aplicado por uma advogada que está sob investigação, já lesou mais de mil bauruenses. A acusada prometeu até carro para as pessoas que arregimentassem vítimas. Um pastor e uma mulher cairam no conto da advogada e estão sendo perseguidos pelas pessoas que confiaram neles. A mulher teve que mudar de residência e vive às escondidas em um outro bairro.

O nome da advogada ainda, está sendo mantido em sigilo. A polícia aguarda a resposta da Justiça Federal de Brasília para poder divulgar a identificação dela. Sabe-se apenas, que ela não é de Bauru e sim de uma cidade da região.

O golpe, segundo o titular da Dig/Garra, J.J.Cardia, que investiga o caso, consistia em promessas de promover uma ação coletiva para atualização ou revisão de aposentadorias, Pis/Pasep e Fundo de Garantia, contra a União.

Para propor a ação, a advogada exigia o pagamento de R$ 50,00 ou R$ 100,00, conforme o caso, mais as despesas com o correio. As pessoas que acreditaram, mandaram o dinheiro e depois de mais de um ano, descobriram que a advogada não entrou com ação alguma na Justiça Federal.

Depois que o golpe foi denunciado para a polícia, a advogada passou a não atender mais os telefonemas dos clientes de Bauru. Uma das vítimas chegou a conversar com ela. "Ela garantiu que vai vir para Bauru e mostrar que entrou com as ações e que não agiu de má fé."

Investigações

As investigações do caso tiveram início a partir da denúncia de uma das vítimas, que perdeu R$ 150,00, com a golpista. A mulher que, prefere não ser identificada, é pensionista da NOB e pretendia entrar com três ações de revisão. "Assim que a gente assinava a procuração, mandava o dinheiro", diz.

De acordo com Cardia, a demora numa resposta por parte da advogada fez com que uma das vítimas procurasse a polícia.

"A partir da denúncia, demos início as investigações que culminaram em uma lista de mais de mil vítimas."

O delegado diz que já consultou a Justiça Federal do Estado de São Paulo e obteve resposta, por escrito, que as ações não foram protocoladas no órgão.

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Professora sofre perseguição

Uma professora, que pediu para não ser identificada, acreditou no conto da advogada. "Eu a conheci no escritório dela. Fui com meu pai que queria a revisão da aposentadoria dele. Ela garantiu que ele tinha entrado no processo."

A mulher e o marido procuraram a advogada para revisão do Fundo de Garantia e Pis/Pasep. "Ela me ofereceu 10% para arregimentar pessoas que quizessem fazer parte do processo."

A professora aceitou a proposta e passou a arregimentar pessoas que precisavam dos serviços da advogada. A vítima ficou com várias procurações. "A pessoa assinava a procuração e fazia o pagamento de R$ 100,00, a título de custas processuais. O dinheiro era remetido para ela, via Sedex."

Para facilitar a comunicação entre as duas, a advogada mandou R$ 300,00 para que a professora comprasse uma linha telefônica.

"Ela prometeu que se eu conseguisse atingir a meta de mil processos, ela me daria um carro."

Passado um tempo, aproximadamente seis meses, a advogada não atendeu mais os telefonemas e a professora foi ficando preocupada.

"Ela não dava satisfação sobre os processos e as pessoas passaram a me pressionar."

As pessoas que haviam assinado a procuração e mandado o dinheiro queriam saber qual o andamento do processo, no qual elas faziam parte. "Sofri muita pressão e até ameaças. Mas eu também fui vítima."

A professora teve que mudar de casa. " Eu não podia sair no portão. Sofri muitas ameaças. Tive que fazer a mudança no domingo à noite. As pessoas não sabem onde estou morando. Não posso nem sair na rua. Dia desses eu estava no ônibus circular e uma pessoa começou a falar alto comigo."

As vítimas, segundo a professora, acham que ela ficou com o dinheiro. "Eles pensam que eu fiquei com o dinheiro. Isso não é verdade. Eu não tenho nem casa para morar. Também fui vítima da advogada. Acreditei na proposta dela, " lamenta.

Com o pastor, a advogada fez a mesma proposta, segundo o delegado J.J.Cardia. "Ele também, arregimentou cerca de 500 pessoas."

Vamos reunir os lesados

A pensionista da NOB foi uma das lesadas. "Eu paguei R$ 150,00 para que a advogada entrasse com três ações. Passado um ano, tentei fazer contato com a advogada e ela não quer atender o telefone. Quando ela atende mal trata a pessoa. Ela garante que virá a Bauru para mostrar que não aplicou nenhum golpe, mas o delegado já consultou a Justiça Federal e ela não entrou com o processo."

Os lesados, segundo a vítima, estão tentando se reunir para exigir da advogada uma providência. "Ela tem que devolver o dinheiro, pelo menos. A maioria das vítimas são gente pobres."

Estelionatários se reciclagem e inventam novos golpes

Dentre os inúmeros golpes aplicados em Bauru e região, segundo o delegado da Dig/Garra, J.J.Cardia, esse envolvendo a advogada é um dos maiores, no número de vítimas. Há vítimas de Bauru e de cidades da região. Segundo ele, os estelionatários dão novas "roupagens" aos golpes para agirem de tempos em tempos.

Ainda não divulgamos o nome da advogada porque estamos aguardando uma pesquisa da Justiça Federal em Brasília.

" Caso essa última pesquisa confirme que a advogada não deu entrada nos processos, ela será indiciada por estelionato. "Vamos fazer uma cópia do inquérito e vamos enviar para a Ordem dos Advogados do Brasil para que eles tomem as providências administrativas."

O delegado alerta as pessoas, especialmente as leigas, para as várias modalidades de golpes que são aplicados na cidade e região. "Além do conto do bilhete que já é de conhecimento da população, há outros e as pessoas precisam ficar atentas e não acreditar em pessoas estranhas."

O mais novo deles, segundo Cardia, envolve as pessoas que já participaram de algum plano de aposentadoria privada. "E que por algum motivo deixaram de pagar, ou a empresa fechou."

A quadrilha que está aplicando o golpe, de acordo com o delegado, conseguiu o cadastro dessas pessoas e estão, inclusive com o número da conta bancária delas.

"Eles depositam um cheque, furtado ou roubado, na conta da vítima. Em valor alto, para entusiasmá-la a cair no conto."

Golpe do resíduo

O golpe do resíduo funciona da seguinte maneira, explica Cardia. "Eles depositam um cheque no valor de R$ 18 a R$ 20 mil, na conta da vítima. O banco aceita o depósito. Os golpistas ligam para a vítima e alegam que há um resíduo para ele receber daquela aposentadoria ou seguro feito por ele anos atrás."

A vítima, às vezes fica desconfiada e vai ao banco. Realmente o depósito foi feito, mas está bloqueado.

"Eles percebem que a vítima se entusiasma e então eles aplicam o golpe. Pedem para que ela deposite 10% do valor depositado em sua conta em nome de fulano de tal. Alegam que é para despesas e que assim que eles receberem o dinheiro, liberam o depósito."

Assim que o depósito é feito, eles retiram o dinheiro. No dia seguinte , a vítima vai ao banco e fica sabendo que o cheque depositado era produto de furto ou roubo.

Golpe do cartão telefônico

Outro golpe que está sendo aplicado na cidade e região

é o do cartão telefônico. Um dos envolvidos, foi preso em flagrante, esta semana em Bauru.

O golpe consiste na compra de cartões telefônicos na conta de um assinante, explica o delegado J.J.Cardia. "Via fax, eles solicitam e autorizam a empresa de telefonia a enviar um número X de cartões, para um determinado endereço. A cobrança, segundo a autorização, deve ser feita na próxima conta telefônica."

A empresa entrega os cartões e o assinante só fica sabendo que vai ter que pagar por aquilo que não comprou, na próxima conta telefônica. "Uma pessoa foi presa. As vítimas podem procurar a delegacia e registrar o fato."

De acordo com o delegado, a própria empresa de telefonia foi quem denunciou o golpe. "Eles denunciaram e nós montamos um esquema para prender o estelionatário."

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