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Técnica cirúrgica

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Nova cirurgia de tórax traz economia e menos riscos

Nova cirurgia de tórax traz economia e menos riscos

O trabalho quebra um conceito que imperou por muitos anos entre os especialistas de que as cirurgias do tórax teriam que ser mais amplas possíveis para se evitar erros.

Pacientes que se submetem a cirurgias no tórax poderão se recuperar mais rapidamente e com menos dor no pós-operatório, graças a uma nova técnica cirúrgica criada pelo docente da Faculdade de Medicina de Marília, Paulo Eduardo de Oliveira Carvalho.

As principais diferenças do novo acesso à cirurgias do pulmão são que a incisão é 50% menor que a tradicional e não há necessidade de cortes de músculos como acontece na técnica convencional.

A nova técnica quebra um conceito que imperou por muitos anos entre os especialistas de que as cirurgias do tórax teriam que ser mais amplas possíveis para evitar erros.

Na técnica tradicional, para se obter boa visualização do pulmão, por exemplo, a incisão de 30 centímetros vai da altura da coluna até o mamilo. No novo acesso proposto por Carvalho, para evitar a dissecação de músculos, o comprimento do corte, localizado abaixo das axilas varia de 8 a 14 centímetros de comprimento, produzindo uma vantagem estética.

O cirurgião explica que o fato de não precisar fazer o corte dos músculos de sustentação do braço, a nova técnica elimina os riscos do paciente ter limitações no movimento dos braços, atrofias musculares e até escolioses como acontecia nas cirurgias já utilizadas.

O novo acesso torna as cirurgias deste tipo mais econômicas. Enquanto na cirurgia tradicional, o paciente fica internado, no mínimo, uma semana, os que se submetem à nova técnica ficam de três a quatro dias.

"Na cirurgia tradicional, mesmo após a sutura dos músculos, o paciente fica com menos força nos braços e a dor é quase insuportável, fazendo com que a permanência dele no hospital seja muito maior, e isto acarreta gastos com remédios e a própria internação", avalia Carvalho.

Desde 1994, já foram realizadas 500 cirurgias com a nova técnica. Todas em Marília. A maioria para a retirada de tumores e nódulos dos pulmões. Em seu trabalho de mestrado defendido na Unifesp, Carvalho estudou 46 pacientes de oito a 87 anos de idade operados no Hospital das Clínicas e Santa Casa de Marília.

Os resultados do estudo demonstraram que em nenhum dos pacientes a técnica foi modificada por problemas relacionados pela nova incisão e não houve ocorrências de infecções nas feridas operatórias. Do total de pacientes operados, quatro apresentaram complicações pós-cirúrgicas, mas segundo o médico, não por causa do uso da nova técnica. "Acreditamos que este acesso seja mais resistente a intercorrências infecciosas pois o fechamento da parede torácica é mais hermético, o que dificulta a passagem de líquidos ou ar da cavidade pleural e também pelo fato dos músculos da cintura escapular não serem seccionados", acrescenta o pesquisador.

O docente ressalva que para esta técnica ser utilizada

é necessário treinamento adequado dos cirurgiões e critérios precisos de indicações, principalmente se tratando de cirurgias no pulmão.

O novo acesso proposto por Carvalho foi apresentado no Congresso Mundial de Cirurgia Torácica, em 1997, na Alemanha e foi publicado na revista "The Journal Cardio Vascular Surgery", no ano passado.

As principais vantagens da nova técnica

Menor comprimento das incisões, redução do tempo da cirurgia e de internação no pós-operatório; menor risco de infecções hospitalares e nas feridas cirúrgicas; não há a necessidade de ressecção de músculos e por isso diminui os riscos limitação do movimento dos braços; mais econômica já que o tempo de internação e quantidade de medicações são menores.

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