Idosos vão representar 19% da população
Idosos vão representar 19% da população
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Um estudo desenvolvido pela Sedexho, uma empresa francesa de alimentos e serviços, analisou a evolução e o comportamento da população idosa de vários países, inclusive do Brasil. Uma das conclusões é que os idosos passem a representar 19% da população. Atualmente, eles são 5,2% dos habitantes. Será o maior crescimento verificado entre os 11 países onde o estudo foi desenvolvido.
Financeiramente os idosos também deverão ter maior destaque na sociedade, reflexo de uma aposentadoria tardia. A projeção é que em 2025 as pessoas parem de trabalhar aos 80 anos.
A população ativa com mais de 65 anos também tende a crescer 28% entre 1999 e 2025. Em contrapartida, haverá uma queda no percentual de idodos frágeis e de dependentes de, respectivamente 11,1% e 28,5%. São considerados frágeis aqueles que têm autonomia em suas vidas diárias, mas que apresentam problemas relativos à idade.
Dos idosos brasileiros, segundo o estudo, 51% recorrem à assistência dos filhos. Já o atendimento público representa 1% das assistências. Em paises como a Suécia, Reino Unidos e França, os idosos que recorrem aos serviços públicos representam 30%, 12% e 15%, respectivamente.
Estou vivendo minha vida
A vida de Joana Guerreiro Juliano, 73 anos, deu uma guinada quando ela atingiu a maturidade. "Hoje me sinto livre e desempedida. Faço o que eu quero e estou curtindo meu grupo de 3ª idade", festeja.
Ela diz que ser madura é muito melhor do que ser jovem.
"Quando eu era jovem, tinha limitações porque era de uma família pobre. Hoje eu viajo, passeio e cuido da minha vida."
Na opinião dela, a maturidade é uma fase da vida em que as pessoas podem curtir melhor os momentos felizes. "Eu conquistei várias amizades e com as minhas amigas faço vários programas. No próximo dia 26 vou viajar para Poços de Caldas, em uma excursão da 3ª Idade."
A independência é um fator importante na vida de dona Joana. "Eu vou ao supermercado, faço compras no centro da cidade e não preciso de ninguém para ficar me ajudando." Ela lembra que ninguém interfere em sua vida. "Graças a Deus eu tenho filho, nora e netos que não interferem na minha vida. As poucas vezes que eu os consulto, eles dizem que eu devo fazer aquilo que eu achar melhor."
Abandonando o tricô
A psicóloga do Centro Dia/Espaço Ser, Solange Neme Soliva garante que a situação do idoso no Brasil está mudando. "O idoso deixou de cumprir o papel único de cuidar dos netos e fazer tricô para continuar vivendo. O Brasil está acordando para isso. As indústrias e a midia estão percebendo que o idoso que deixou o papel de velho, para se tornar uma pessoa participativa e consumidora."
Segundo a psicóloga, há cinco anos que o Brasil começou a pensar no idoso de maneira diferente. "Até pouco tempo, a sociedade não admitia que as pessoas maduras vestissem roupas modernas e nem que participasse de determinadas atividades. Hoje, a pessoa que atingiu a maturidade é vista como uma pessoa comum, capaz de realizar uma série de atividades."
Soliva frisa que a participação do idoso na economia doméstica e do país, é uma realidade. "Diante do desemprego, muitos aposentados são arrimo de família. Aqueles que não sustentam a família, são consumidores."
A indústria brasileira, de acordo com ela, está descobrindo esse público. "Atualmente é possível ver o idoso nas propagandas. Antigamente, a mídia não usava essa figura. Até desfile de moda de idoso já estão sendo programados."
Aposentado vira artesão de móveis e brinquedos infantis
Texto: Luciano Augusto
Depois de trabalhar por quase 30 anos numa loja como vendedor de sapatos, Manuel Cabestré, de 67 anos, decidiu se dedicar a uma nova atividade. Como o famoso personagem do desenho "Pinóquio", o carpinteiro Gepeto, ele resolver concretizar os sonhos da criançada, fabricando brinquedos e móveis infantis em madeira.
"Comecei bem cedo, porque eu tinha um cunhado que já possuía uma marcenaria e, como eu sou curioso, vivia mexendo na oficina dele", relembra. Há quatro anos, abriu uma pequena empresa com o sobrinho Wlademir Cabestré, 40 anos. Hoje, ele tem uma clientela vasta, formada basicamente por lojas e escolas infantis, como o Jardim das Letras, Criarte, Patachó, Colégio Batista e Balão Azul. Também já expandiu as vendas para outras cidades da região, entre elas Jaú e Lençóis Paulista. Além da venda, a "Fábrica de Brinquedos Carrossel de Bauru" presta assistência a essas escolas.
Manuel explica que "faz porque gosta muito do serviço", principalmente o trabalho com peças pequenas. Por outro lado, a atividade de marcenaria do "Gepeto" de Bauru serviu também para complementar o salário que ganha como aposentado.
Esperto, ele diz que vende bem, "mas é preciso tomar cuidado com os fiados". E os preços, garante, estão bastante atrativos. Uma pequena "Maria Fumaça" de pinus, por exemplo, é vendida por R$ 3,80.
Em um dia, ele fabrica perto de seis carrinhos pequenos, sem a pintura. Já um trabalho maior, como uma casa de bonecas, com os móveis e utensílios, leva até 20 dias para ficar pronto.
Com os dois dedos polegares cortados pelas serras da marcenaria, Manuel Cabestré reclama da falta de tempo para produzir mais. "Somos só nós dois e não temos muito tempo, porque também temos que desenhar os projetos".
Cansaço? Desânimo? Nem pensar... "dizem que
é vivendo que se aprende e, realmente, a gente está sempre aprendendo coisas novas".