Corte de 180 árvores gera protestos
Prefeitura corta 180 árvores em Lençóis
Texto: Marcos Zibordi
Morador é detido por protestar contra o corte de árvores em avenida
Lençóis Paulista - O cidadão Celso Eduardo Zacom, 39 anos, fez ontem o papel de soldado-solitário em protesto contra o corte de 180 árvores pela prefeitura de Lençóis na avenida Padre Salustio Rodrigues Machado. Ele foi detido pela polícia, prestou depoimento e, liberado, voltou para o canteiro central gritar sozinho pelo que considera um assassinato. O diretor de Meio Ambiente diz que o projeto tem todo o respaldo técnico-legal e que as árvores foram cortadas porque seus galhos atrapalhavam o tráfego.
Visivelmente transtornado, Zacom estava no canteiro central da avenida quando foi abordado pela equipe de reportagem. Membro do Partido Verde da cidade, da comissão formadora do Núcleo de Educação Ambiental Regional do Médio Tietê
(Projeto Near) e ainda integrante da Comissão das Bacias Hidrográficas Tietê-Jacaré, "nós temos muita bagagem para falar e tem pessoas que desmereceram o trabalho da gente", analisa.
"Segundo o secretário, ficaria mais bonita", conta Zacom, que protesta desde o começo do corte das árvores.
"Isso machucou muito, machucou demais". Para ele, seu protesto é solitário porque Lençóis Paulista é filha de um sistema vencido e falido, "porque são todos dependentes de alguém que lhe dê emprego, são pessoas que vivem sob a égide da mão poderosa daqueles que podem".
A prefeitura, ao cortar as árvores, justifica o ato com a plantação de Palmeiras Imperiais, também em número de 180 mudas, nas 10 quadras da avenida.
Fábio Dutra, 63 anos, diretor de Meio Ambiente, diz ter consultado o Departamento de Recursos Naturais Renováveis
(DPRN), a Cati e um engenheiro agrônomo.
O diretor informou que a empresa de ônibus local ameaçava parar com o transporte se as árvores não fossem substituídas. "Eram muitas as reclamações de ônibus e caminhões de que as árvores riscavam ou quebravam os veículos".
Para Dutra, o canteiro central e a avenida são muito estreitos e que árvores como as que existiam, "tecnicamente, não seriam as ideais".
Além disso, segundo o diretor, elas estavam com brocas, correndo o risco de caírem na pista e causarem acidentes.
"As raízes estavam afetando até o esgoto das casas. Tinha até pé de manga na avenida".
As espécies que foram cortadas são de manga, canelinhas, mangubas, unha-de-vaca. Uma única árvore, um pé de ipê, foi mantido na esquina porque não atrapalha o trânsito.
O diretor nega que as árvores foram cortadas na noite do dia da árvore e diz que o trabalho vem sendo feito há oito meses.