Fruticultura diversificada projeta fazenda de Brotas
Fruticultura diversificada projeta fazenda de Brotas
Texto: Márcia Buzalaf
Uma verdadeira empresa-rural está ganhando o mercado regional, nacional e internacional com uma fórmula simples: plantar diferentes frutas para ter uma produção durante o ano todo. Com isso, a fazenda Taperão, em Brotas, pode ter um departamento comercial eficiente, o que proporciona um desenvolvimento logístico para disseminar as dez variedades de frutas que plantam, além da produção de uvas comprada de outra propriedade e do experimento na plantação de tomates e oliveiras.
A diversificação é chave da empresa-rural Taperão, localizada no município de Brotas. Além de produzir dez variedades de frutas que são colhidas durante o ano todo - banana, goiaba, pêssego, nectarina, ameixa, mexerica rio, tangerina, murcote, poncã e laranja shamut
- a fazenda tem um departamento comercial forte, que coloca os produtos tanto no mercado regional, quanto nos grandes centros comerciais e fora do País.
A chave do sucesso da fazenda foi justamente esse: ter produtos para serem comercializados o ano todo, o que viabiliza o departamento comercial da fazenda. Trabalhando como uma empresa-rural, a Taperão vai comercializar seis milhões de quilos de frutas este ano.
Apesar de ser relativamente nova (desde 91), a estrutura de comercialização e distribuição de frutas na Taperão está atraindo outros produtores que não têm meios de colocar no mercado seus produtos.
Um agricultor de uvas sem sementes está fornecendo seus produtos para a Taperão comercializar em consignação. De acordo com Luiz Eduardo Rodrigues Dondelli a exigência da fazenda é que o produtor use as técnicas orientadas pela fazenda nas variedades produzidas: itálica, rubi, thompson e benitaca.
Fazenda abrangente
A área total da fazenda é de 250 hectares, onde metade da produção é destinada ao cultivo de banana, 20% é de murcote, 15% de pêssego e o restante
é dividido pelos outros frutos.
A Taperão é formada basicamente por três empresas. Uma delas, cuida da produção da Taperão. A outra, chamada de Agromillora, é uma parceria entre a empresa brasileira e uma espanhola, em transferência de tecnologia e adequação ao clima local.
A terceira empresa que faz parte da Taperão é a Horizon, uma sociedade com os italianos que fornecem implementos agrícolas para a produção de citros e de café. Na Itália, a Horizon detém cerca de 80% do mercado italiano.
Outra propriedade da Taperão, a Xangrilá, tem 1 mil hectares em Bauru, e que está se desenvolvendo na atividade pecuária. Uma outra propriedade da Taperão é a Fazenda Santa Luzia, que tem uma produção experimental de tomates e oliveiras.
Os maiores compradores de frutas da Taperão são basicamente o mercado regional (incluindo Bauru), as grandes redes de supermercados do País, outros estados (Ceará, Fortaleza, Recife, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná) e para o Mercosul, principalmente para o Uruguai e para a Argentina.
Adilson Márcio Malaguti, engenheiro agrônomo e responsável pelo projeto tomate, explica que, basicamente, as técnicas usadas na produção da Taperão são a irrigação, a fertirrigação (abudo na água), o Manejo Ecológico de Pragas (MEP) e a poda anual.
O MEP é uma das técnicas mais importantes da fazenda. Através deste sistema de manejo ecológico, técnicos verificam manualmente os pomares medindo o grau de pragas em que eles estão semana após semana. Em caso do nível estiver alto, são usados defensivos agrícolas. "É feita uma amostragem semanal falando como está a população de pragas e, a partir de um nível crítico, você pode conviver com as pragas, a partir disso, você já corre risco", explica Malaguti.
Na prática, o MEP regula a incidência de defensivos agrícolas, já que praticamente só é aplicado o que realmente precisa. "Com o MEP, a gente chega próximo de uma produção orgânica", garante Malaguti.
Outro destaque na produção da Taperão é o comércio de mudas, basicamente de goiaba, de pêssego e de oliveira. As mudas são comercializadas em tamanho pequeno, justamente para ocupar menos espaço, o que garante maior volume de comercialização por menos custo. O processo todo de elaboração das mudas demora aproximadamente 150 dias, mas a fazenda está com um projeto de reduzir até 120 dias.
A poda também merece destaque na Taperão. Quase todas as variedades plantadas recebem poda esporadicamente, e todos os resíduos da poda são deixados no próprio pomar, o que faz com que o material orgânico decomposto fica como "adubo".
Na banana, a técnica mais usada é de colocar sacos plásticos apropriados nos cachos. Segundo Dondelli, o sacos contém fungicidas, e também funcionam para evitar que pássaros prejudiquem o aspecto da casca das bananas. O sistema é usado no Equador e na Costa Rica. O Brasil também está aceitando muito bem a técnica.
"O saquinho tem espaço para o fruto respirar, é especialmente feito para isso", explica.