Terceira Idade pede menos preconceito na mídia
3ª idade pede menos preconceito na mídia
Texto: Adriana Amorim
Os meios de comunicação oferecem pouco espaço para os idosos e, na maioria das vezes, veiculam imagens de forma preconceituosa. Essa foi uma das constatações discutidas ontem por clubes da 3ª idade de Bauru e várias cidades da região que participaram do Encontro Regional da 3ª Idade realizado no Serviço Social do Comércio (Sesc).
O evento, que é realizado em Bauru desde 1982, desta vez decidiu abordar o tema "A presença do idoso na mídia". O assunto já foi discutido pelo grupo do Sesc em uma assembléia nacional realizada em Bertioga. No encontro de ontem, a idéia foi levar as informações para uma quantidade maior de idosos.
"O idoso não é bem quisto na mídia", afirma o aposentado João Cirilo Ferreira, 64 anos, que participou ontem do evento. "Há muita discriminação e para mudar essa situação nós mesmos temos que reagir".
Ferreira não é o único que pensa assim. Os grupos da 3ª idade acreditam que os meios de comunicação trouxeram vantagens na medida em que oferecem opções de distração e conhecimento para as pessoas que têm tempo livre, mas ao mesmo tempo contribuem para perpetuar uma imagem equivocada criada em torno do idoso.
"Tudo o que a gente vive no dia-a-dia, como a dificuldade em encontra o lugar reservado nos ônibus, tem continuidade na mídia", lamenta a dona-de-casa Angela Oliveira Borges, 67. Para evitar que os preconceitos sejam reforçados nos meios de comunicação, o grupo da 3ª idade do Sesc de Bauru acredita que é necessária a mobilização dessa faixa da população, a fim de que a comunidade e os meios de comunicação compreendam a capacidade do idoso.
Eles defendem que os meios de comunicação reservem mais espaço com informações destinadas a eles, que os eventos realizados pela 3ª idade sejam divulgados com mais frequência e que os idosos não sejam vistos como alvo de piada e gozação.
A jornalista Hermínia Brandão, responsável pelo Guia Brasileiro da 3ª Idade e um dos palestrantes do encontro de ontem, enfatiza que a imagem do idoso só será mudada através da tomada de posicionamento do próprio idoso. "Essa questão envolve cidadania e o idoso precisa mostrar que pode tomar o seu espaço e cobrar por ele", disse.