Carne bovina fica até 30% mais cara
Carne bovina de primeira fica até 30% mais cara
Texto: Luciano Augusto
Pressionada pela alta da arroba do boi, pela cotação do dólar e pela entressafra, a carne bovina de primeira deverá aumentar até 30% nos próximos dias.
O comprador de perecíveis da rede de supermercados Mercosuper, Renato Delfino, disse que os frigoríficos informaram que a arroba do boi gordo subiu nos últimos dez dias uma média de 35%.
De acordo com ele, as empresas alegam que este é o período de auge da entressafra. Com a falta de chuvas, os pastos secaram e o gado sofre com a escassez de alimentos. Essa situação trouxe dificuldades de se encontrar animais prontos para o abate.
"Os frigoríficos estão abatendo entre 50% e 60% a menos", afirma o comprador do Mercosuper.
Outro fator é a cotação da moeda americana no País. O alto valor do dólar em relação ao Real (cada dólar vale R$ 1,93, na cotação de ontem) torna mais vantajosa a exportação do que a comercialização do produto no mercado interno.
Para o consumidor final, os preços devem ficar entre 20% e 30% mais caros, principalmente os cortes de primeira, como alcatra e contra-filé, mais nobres. Mas os repasses, segundo Delfino, devem ser gradativos. Até ontem, os preços já tinham subido entre 5% e 10%.
Por outro lado, Delfino tenta amenizar a situação. Para ele, os preços tendem a ficar estáveis até a primeira quinzena de outubro. "O próprio mercado se ajusta com a lei da oferta e da procura", complementa.
O comprador de perecíveis da rede de supermercados Confiança, Pedro Sérgio Baptista, confirma a alta da carne e esclarece que a arroba, nos últimos dois meses, passou de R$ 32,00 para R$ 40,00. "Vem subindo gradativamente, mas os supermercados vinham adiando os aumentos. Só que agora não tem mais jeito".
Pontuando os mesmos fatores para a alta, Baptista afirma que "o mercado lá fora fica comprador e, sem oferta no mercado interno, a tendência é o preço subir".
A estratégia dos supermercados está sendo a cotação de preços entre diversos frigoríficos buscando melhores preços ou outras vantagens que compensem as altas. Esta
é a única, segundo os supermercadistas, do consumidor não ser prejudicado com uma alta rápida.