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Fuga de preso

Por Rita de C. Cornélio | Ieda Rodrigue
| Tempo de leitura: 5 min

Outro preso é resgatado do Hospital de Base

Outro preso é resgatado do Hospital de Base

Texto: Rita de C. Cornélio/Ieda Rodrigues

Pela segunda vez na mesma semana, um preso que estava internado no Hospital de Base, em Bauru, foi resgatado. O ação ocorreu por volta das 3h40 da madrugada de ontem e libertou Marcelo Dias Brito, 24 anos, da Penitenciária II de Pirajuí. Ele havia passado por uma cirurgia do fígado há poucos dias e estava com vários pontos na barriga.

Na madrugada da última terça-feira, três homens resgataram dois presos, da Penitenciária II, que estavam internados no Hospital de Base. No mesmo dia, os detentos e um dos homens foram presos pela Polícia Militar, numa casa no Jardim Redentor. O segundo resgate, o da madrugada de ontem, também foi praticado por três homens desconhecidos.

O trio, bem vestido, entrou pelo Pronto-Socorro Central, anexo ao hospital, alegando aos porteiros que ia para o raio-X do Hospital de Base. Os homens conseguiram transpor as portarias e alcançarem o quarto 121, onde estava internado Brito, condenado por tráfico de entorpecentes.

No quarto, um dos homens, armado de pistola, rendeu os dois agentes penitenciários que faziam a guarda do preso e que não trabalham armados, enquanto os outros dois renderam os dois auxiliares de enfermagem.

Em seguida, os homens retiraram as algemas do preso e, antes de deixar o quarto, trancaram os agentes e os auxiliares de enfermagem em um banheiro. O trio saiu do hospital levando o preso e, segundo testemunhas, fugiram em um Fiat Fiorino branco, em direção

à Vila Independência.

Conforme o registrado em B.O., cerca de dois minutos após os fatos a Polícia Militar foi acionada. O boletim de ocorrência foi registrado às 4:50 e o delegado plantonista, Carlos Creppe Júnior, acompanhado de investigadores, foi até o hospital, onde apurou como o trio entrou na unidade e o veículo em que teria fugido levando o preso.

A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) está com uma equipe de investigadores trabalhando no caso. O delegado titular da DIG/Garra, J. J. Cardia, não vê ligação entre os dois resgates. Até o final da tarde de ontem, a polícia não tinha pistas concretas do paradeiro dos fugitivos.

Características do trio que fez o resgate

* Um dos homens, o que teria comandado a ação, aparentava 25 anos, é branco, cerca de 1,7 metro, magro, cabelos castanhos claros e ondulados. Ele portava a pistola semi-automática niquelada

* O segundo integrante do grupo aparentava 30 anos, da cor parda, alto, magro, cabelos castanhos escuros e lisos, rosto "fino" e olhos "pequenos". Ele portava uma arma, provavelmente um revólver

* O terceiro homem foi descrito como sendo de cor parda, cabelos pretos e lisos, magro e alto. Ele estava bastante nervoso

AHB quer devolver preso logo após cirurgia

Texto: Ieda Rodrigues

A direção da Associação Hospital de Bauru (AHB), mantenedora do Hospital de Base, está preocupada com a ocorrência de dois resgates de presos numa única semana. A proposta da AHB é dar alta ao preso logo quando ele sair da UTI e entre na fase de recuperação, que pode ser cumprida no próprio presídio.

Ontem, o departamento jurídico da entidade, após entrar em contato com o promotor da Vara das Execuções Penais de Bauru, marcou uma reunião, para a próxima semana, para discutir o assunto e tentar encontrar uma solução. Além da AHB e Promotoria, autoridades envolvidas na questão também devem participar da reunião.

Conforme explicou o diretor da AHB, Reinaldo Rocha, o hospital não pode deixar de assistir o preso. "A nossa proposta

é fazer as cirurgias de emergência e tão logo o preso tenha alta da UTI, nós o devolveríamos para a penitenciária. Como é um tratamento de enfermaria, nós garantiríamos os exames necessários, mas ele não ficaria internado na enfermaria do hospital", disse. Nos presídios, eles seriam acompanhados pelo médico da unidade.

Se essa prática for adotada, será reduzido consideravelmente o tempo de permanência dos presos doentes no hospital, o que também diminui a possibilidade de resgate, segundo Rocha. Ele ressaltou que, mesmo que o agente penitenciário estivesse armado, seria perigoso reagir, pois outros pacientes do hospital poderiam ser atingidos.

O diretor da AHB também explicou que é difícil identificar e vedar a entrada no hospital de pessoas que estejam com o objetivo de resgatar preso. Isso porque o Hospital de Base não é fechado (a entrada pelo Pronto-Socorro é aberta 24 horas) e a movimentação de pessoas é muito grande.

Uma segunda proposta seria que os presos que necessitam passar por cirurgia ou de internação fossem encaminhados para o Hospital Penitenciário, em São Paulo. Nesse caso, a AHB atenderia somente as emergências. A sugestão de colocar grades num dos quartos do hospital, onde ficariam os presos em recuperação, é descartada por Rocha. Ele enfatizou que hospital não é presídio.

Possibilidade de PM escoltar preso no hospital está descartada

O comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira, descarta a possibilidade de policiais militares escoltarem os presos internados em hospitais. Ele explicou que a Secretaria de Segurança Pública determina que cabe à PM as escoltas de presos de penitenciária para penitenciária e das cadeias públicas, desde que seja para local fora da área da regional.

Mas o vereador José Eduardo Ávila questiona a questão da escolta. Ele afirma que existem pareceres dos secretários da Segurança Pública e da Administrações Penitenciárias, no ano passado, de que é responsabilidade da polícia - não especificando se a Civil ou Militar

- de fazer a escolta dos presos. Meira explicou que a escolta em hospitais, no caso de presos de penitenciários, cabe aos agentes penitenciários e, no caso de presos de cadeias públicas, à Polícia Civil.

Capitão Meira ressaltou que seria um ônus muito grande para a PM destacar policiais para a escolta de presos em hospitais. Isso porque existem casos de presos que ficam internados por longos períodos. Para o capitão, uma das alternativas seria construir, dentro do hospital, um quarto/cela para receber os presos internados.

Para o vereador Ávila, o agente penitenciário, que não trabalha armado, não poderia fazer a escolta dos presos. Ele afirma que a escolta de presos de unidades de regime fechado é de competência da polícia, ficando sob responsabilidade dos agentes penitenciários a escolta de detentos de regimes semi-aberto. Ele ressaltou que o agente penitenciário está habilitado para cuidar do preso somente dentro das penitenciárias.

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