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Leite materno

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Banco de Leite enfrenta problemas com falta de equipamentos

Banco de Leite de Bauru enfrenta problemas com falta de equipamentos

Texto: Patrícia Zamboni

O Banco de Leite de Bauru está enfrentando novas dificuldades. Dispondo de apenas duas máquinas para realizar a pasteurização de todo o leite que é doado, há um ano esse trabalho está sendo feito somente com um aparelho, já que um deles está quebrado e a Secretaria de Saúde não dispõe de verba para autorizar o conserto. Além disso, o custo para o reparo desta máquina é equivalente ao valor de um equipamento novo e mais moderno, segundo informa Maria Nereida Panichi, 39 anos, nutricionista e coordenadora do Banco de Leite. Segundo ela, uma máquina nova, ideal para os trabalhos do Banco de Leite, custa R$ 1.900,00, e o conserto do equipamento danificado gira em torno de R$ 1.100,00. O equipamento que poderia substituir a máquina danificada custa R$ 1.790,00.

A única máquina que está sendo utilizada já tem 15 anos (está no Banco desde a sua criação), precisou de "reparos emergenciais" no início dessa semana e pode parar a qualquer momento. Mas até mesmo um conserto se torna um problema nesse caso pelo fato de ser um equipamento totalmente obsoleto. "Há muito tempo está sendo solicitada a compra de mais uma máquina, mas como não se compra nada há muito tempo na prefeitura por falta de recursos, principalmente na área da saúde, nós estamos mantendo só essas duas. Mas a máquina que nós estamos usando é muito velha, toda hora ela pifa, principalmente quando se exige muito dela. E nesta terça-feira, que é um dos dias de fazer a pasteurização do leite (que é feita às terças e quartas-feiras), a máquina não funcionou. Foi consertada rapidamente, mas o técnico já avisou que ela pode parar de novo a qualquer momento, porque está no limite. Qualquer equipamento eletrônico tem uma vida útil de dez a quinze anos", observou Nereida.

"Nós já fizemos campanha para que a comunidade colaborasse com o Banco de Leite fazendo doações, mas só uma pessoa respondeu. Ficamos muito emocionados, mas ainda precisamos de muita ajuda", disse a coordenadora do Banco de Leite.

Rotina prejudicada

Segundo Nereida, os problemas com as máquinas ainda não estão causando nenhum tipo de prejuízo no processo de preparação do leite, que tem uma validade de 15 dias em seu estado natural. Mas o trabalho da equipe do Banco está sendo prejudicado. "O trabalho que faríamos dentro de quatro a no máximo seis horas está sendo feito em mais de oito horas. Com o aparelho novo poderíamos colocar mais frascos de leite de uma vez para pasteurizar, a potência da máquina seria maior e chegaríamos bem mais rápido

à temperatura ideal para trabalhar", afirmou Maria Nereida.

Nas condições atuais, a rotina de trabalho do Banco de Leite está sendo prejudicada e o atendimento ao público demora mais. "A prefeitura está tentando resolver o nosso problema, mas no final do ano é muito complicado ter verba", disse Nereida. "Mas eu estou com medo que a nossa máquina não aguente até o ano que vem. Precisamos da ajuda da comunidade e de empresários que possam colaborar com doações", concluiu a coordenadora do Banco de Leite.

De acordo com a secretária de Saúde da Prefeitura Municipal de Bauru, Eliane F. Telles Nunes, durante a Semana de Amamentação foi feita uma campanha com o objetivo de arrecadar fundos para poder comprar o equipamento devido ao baixo orçamento da prefeitura. "Mas nós não conseguimos arrecadar esse fundo. Houve apenas uma doação de duzentos reais, da Associação dos Expedicionários, e ficou por isso. Aí teve que ser feita a reforma do Promai, que conseguimos fazer com a doação daquele quadro do Mortari, e infelizmente, essa semana acabou pifando a máquina do Banco de Leite, que é o segundo maior do Estado de São Paulo", diz a secretária.

"Para evitar futuros problemas, nós vamos ter que comprar o equipamento urgente, urgentíssimo. Já foi feito o pedido de compra, agora depende do setor de finanças ter orçamento para poder efetivar a compra. Mas nós vamos dar algum jeito porque não pode ficar assim, não pode parar o serviço do Banco de Leite", observa.

Segundo a secretária de Saúde, o pedido de compra para esse equipamento já tinha sido feito anteriormente, mas na época não foi considerado prioridade. "Mas agora vai virar prioridade, mesmo com o nosso orçamento praticamente zerado", afirma a secretária.

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