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Redação
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Estelionatários dão golpes em Jaú

Estelionatários dão golpes em Jaú

Por telefone, estelionatário se propõe a vender veículos, pegam dinheiro, não entregam bem e desaparecem

Jaú - Pelo menos quatro pessoas já foram vítimas nos últimos dias de estelionatários que estão agindo na região com o golpe da compra fácil de veículos, por telefone. A polícia não tem pistas sobre os criminosos e para tentar evitar mais casos e também inibir a ação dos marginais, a orientação que está sendo passada pela Delegacia Seccional de Polícia é para que as pessoas nunca acreditem em grandes facilidades e vantagens na hora de comprar um automóvel, principalmente se a negociação estiver sendo realizada por telefone.

O delegado seccional, João Dutra, faz um alerta para que as pessoas não comprem um veículo sem antes vê-lo. A orientação do delegado para quem quiser adquirir um veículo é procurar uma das muitas lojas idôneas que existem em Jaú e cidades da região. Qualquer dúvida deve ser comunicada à polícia.

O golpista, segundo Dutra, faz anúncios em jornais divulgando promoções e um número de telefone para onde o interessado deve ligar. Geralmente, quem atende ao chamado por celular, se identifica com um nome provavelmente falso e inventa também outros dados, inclusive o nome da cidade onde funcionaria essa suposta empresa.

Quando liga para o telefone dos estelionatários, a vítima vai sendo envolvida na conversa e, às vezes mesmo sem 'fechar negócio' acaba passando todos seus dados para o bandido. No caso das pessoas que caem na conversa dos marginais, as consequências são tristes e chegam a custar caro, já que são induzidas a fazer um depósito, como entrada, em uma conta bancária. Quando é chegado o momento de receber o veículo é que a vítima descobre que caiu num golpe, já que, depositou o dinheiro e não receberá o tão esperado carro.

O delegado assistente da Seccional, Édson Maldonado, lembra ainda que é muito importante que a pessoa, além de não fechar o negócio por telefone, também não deve passar seus dados pessoais, inclusive endereço, já que os estelionatários podem usá-los para aplicar outros golpes.

Até ontem, quatro pessoas já haviam procurado a polícia em Jaú queixando-se do golpe. Uma delas

é de Barra Bonita e perdeu R$ 8 mil. Nesse caso, depois dos contatos telefônicos e do depósito efetuado, a vítima foi até São Bernardo do Campo onde pegaria o caminhão que acreditara ter comprado com uma entrada e mais algumas prestações que seriam pagas mensalmente.

À espera do Uno

O calçadista Moacir Leite, 50 anos, morador em Jaú, foi vítima desse tipo de golpe em 1997, mas disse que acabou não procurando a polícia porque seu prejuízo não foi tão grande. Ontem, indignado com a audácia dos golpistas que estão de volta, ele foi até a delegacia e contou sua história. Disse inclusive que antes de procurar a polícia chegou a telefonar para um número de anúncio e teve a impressão que se tratava da mesma pessoa que o atendera há dois anos. "Ele veio com a mesma história. Tinha qualquer tipo de veículo para vender. Só que em 97 eles disseram que a revendedora era de Fortaleza e desta vez era São José dos Campos".

Leite contou que em 97 se interessou por um Uno e por isso fez um depósito de R$ 82,90 numa conta da Caixa Federal. "Eu liguei na terça-feira. Na quarta eles me ligaram e disseram que meu cadastro havia sido aprovado e que eu deveria fazer o depósito. O carro seria entregue em minha casa na sexta-feira, mas isso nunca aconteceu".

Desta vez, quando ligou para o número dos golpistas, Leite disse que voltou a perguntar por um Uno. "Eles disseram que eu poderia dar uma pequena entrada e pagar o restante em 50 parcelas de R$ 165,00. O carro estaria saindo pelo preço à vista e até por isso as pessoas devem desconfiar, porque negócio bom assim não existe, né".

Sem pistas

Os delegados Dutra e Maldonado dizem nesse tipo de crime é difícil chegar ao golpistas, já que eles praticamente deixam pistas e atuam em nível nacional, o que se torna mais difícil para a polícia local. Na maioria das vezes, os golpistas usam endereços e nomes de empresas idôneas para apresentar às vítimas. Maldonado lembra que até endereço na Internet eles apresentam.

"Aí a gente vai checar e descobre que o suposto bandido

é mais uma vítima".

Por isso, alertam os delegados, a fórmula mais indicada para não cair nesses tipos de armadilhas ainda é desconfiar de tudo e não acreditar em negócio bom e vantajoso sem antes ver o produto que pretende adquirir e certificar-se de que ele realmente será entregue.

Ameaças

Nos depoimentos que vem tomando, a polícia está notando que em alguns casos, além de aplicar o golpe, os marginais fazem ameaças às vítimas. Dizem que se elas procurarem a polícia, poderão ser penalizadas já que eles dispõem de dados pessoais, sabem onde moram, onde trabalham e com isso vão intimidando as vítimas.

Depois que a pessoa cai no golpe e vê que o carro não foi entregue, passa a ligar com insistência para os falsos vendedores, mas é destratada ou percebe que o telefone já deixou de existir para esse fim.

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