Estação ferroviária de Jaú vai abrigar Ciretran
Estação de Jaú vai abrigar Ciretran
Texto: Fábio Grellet
Abandonada pelos responsáveis e frequentada por marginais, Ferroviária vai ganhar nova utilidade depois de reforma
Jaú - A Prefeitura de Jaú, administrada por Paulo Sérgio Almeida Leite (PSDB), firmou um acordo com a Ferroban (Ferrovias Bandeirantes S/A), empresa que adquiriu a antiga Fepasa, e vai utilizar o prédio da Estação Ferroviária de Jaú, para onde deve ser transferida a Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) existente no município.
O prédio da Estação estava abandonado há vários meses, conforme o Jornal da Cidade denunciou, em sua edição de 27 de junho último. Em janeiro deste ano, a Fepasa (Ferrovias Paulistas S/A) foi adquirida pela Ferroban, que passou a explorar as linhas férreas. Já os prédios das Estações, embora permanecessem sob propriedade da Rede Ferroviária Federal S/A, deveriam ser preservados pela Ferroban. Mas, se a Estação de Jaú já estava em estado precário enquanto era administrada pelo Poder Público, a deterioração se agravou após a concessão, especialmente durante o período em que o transporte de passageiros ficou suspenso, desde o início do ano até recentemente.
Como os trens de carga não são carregados em Jaú, mas sim em Pederneiras, que dispõe de um Terminal Intermodal da Hidrovia Tietê-Paraná, a Estação foi relegada ao esquecimento: deixou de receber manutenção e passou a ser frequentada por criminosos, drogados e vândalos em geral, para se esconder, fazer uso de produtos alucinógenos e destruir móveis, vidros e portas do prédio público que, um dia, já fora ponto de encontro da sociedade de Jaú e região, a qual tinha nos trens seu principal meio de transporte.
Ciente dos problemas relativos à Estação, em março último a Prefeitura de Jaú entrou em contato com a Rede Ferroviária Federal, demonstrando interesse em ganhar os direitos de exploração do prédio, para reformá-lo e usá-lo de acordo com o interesse público. No final de abril, a Rede, através de comunicado enviado pelo escritório regional da Malha Paulista, informou que não seria possível a cessão do prédio da Estação à Prefeitura, já que ele era considerado "operacional", o que indicava expectativa de uso pela Ferroban. Na prática, porém, o prédio continuou relegado ao esquecimento.
Diante da precária situação do prédio e das constantes reclamações dos vizinhos da Estação, obrigados a conviver com os marginais que passaram a frequentá-la, o prefeito insistiu nas negociações para obter a cessão de uso do prédio e, numa negociação com a Ferroban, intermediada pela Rede Ferroviária Federal e finalizada há cerca de duas semanas, foi definida a cessão, pelo período de cinco anos, do prédio da Estação.
Segundo o prefeito de Jaú, foram propostas e analisadas diversas formas de utilizar o prédio, mas aquela considerada mais conveniente foi a ocupação pelo Ciretran. Além de ser uma forma de policiar a área, evitando a presença de marginais, a proposta também vai gerar economia ao município: o prédio desocupado pela Ciretran pertence ao Poder Público e deve abrigar a Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que funciona atualmente num prédio alugado pela Prefeitura. Assim, o valor desse aluguel vai ser economizado.
Também deve ser criada na Estação Ferroviária uma cidade mirim, ambiente onde poderão ser ministradas noções de trânsito às crianças, numa parceria com a Secretaria Municipal de Educação.
Através do acordo, a Prefeitura se comprometeu a restaurar o prédio. Assim, em breve, deve ser iniciada sua reforma. Para arrecadar o material de construção a ser usado na obra, a Prefeitura vai lançar uma campanha, pedindo
à população que contribua, cedendo o que puder. O prefeito avalia que não serão necessárias alterações significativas para adequar o prédio
às necessidades da Ciretran.
O prédio da Estação Ferroviária de Jaú foi construído em 1941 pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Pouco tempo depois, foi transferido para a Fepasa, que assumiu o comando da Companhia.