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Trabalho no Japão

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 2 min

Japão volta a requerer trabalhadores

Interesse pelo Japão volta a crescer

Texto: Márcia Buzalaf

A desvalorização do real está tornando atraente de novo o trabalho no Japão. Com a retomada do crescimento na economia japonesa, fica cada vez mais freqüente a contratação de trabalhadores brasileiros para passar uma temporada no Japão.

O Japão oferece dois programas diferentes para brasileiros descendentes. Um deles é de estágio remunerado durante as férias em uma montadora, geralmente com duração de três meses. Os brasileiros que trabalham nas montadoras geralmente usam das férias para voltar para o País, deixando algumas vagas a serem ocupadas por homens entre 19 e 35 anos, estudantes ou não.

A outra forma de trabalhar no país oriental é fazendo um contrato por tempo determinado, geralmente em fábricas e para o período de um ano ou mais.

A remuneração supervalorizada é o motivo da procura. Os salários em ienes, quando convertidos para o dólar e depois para o real, são altos quando comparados com os brasileiros.

Sem hora-extra, o estagiário deve receber 10 mil yenes por dia, o que é equivalente a 95 dólares e, conseqüentemente, em torno de R$ 180,00 por dia. Mensalmente, o salário acaba saindo por R$ 3,4 mil por mês.

O brasileiro pode optar por dois caminhos para o trabalho no Japão, por empreiteira ou por contrato assinado. Geralmente, quando o trabalhador vai através de uma empreiteira, ainda não tem um emprego determinado e é obrigado a aceitar o que aparecer.

Já os trabalhos em montadoras agendados a partir do Brasil são determinados inclusive de acordo com o tempo e com a remuneração que o trabalhador vai obter. Muitas vezes, a própria montadora tem um tipo de alojamento que abriga os imigrantes.

O advogado e representante da Central de Intercâmbios (CI) em Bauru, Massami Yanagui, conta que o auge das viagens ao Japão para trabalhar foi entre 1990 e 1992.

Atualmente, assim como a recuperação econômica do Japão, a desvalorização do real e o desemprego ajudaram a aumentar o interesse pela viagem a trabalho no Japão.

Em 96 e em 97, foram enviados 216 estagiários através da CI. Agora, Yanagui afirma, estão abertas 50 vagas para o estágio no Japão durante as férias de verão.

Yanagui conta que as empresas que orientam os interessados brasileiros para o trabalho no Japão estão perdendo a função, já que muitas pessoas entram em contato diretamente com a empresa. "Tem gente que já está lá há muitos anos, e só volta para cá para passear. Só que estas pessoas já têm o contato direto lá", explica Yanagui.

No Interior, a incidência de jovens descendentes que vão para o Japão trabalhar é bem menor do que na capital. Yanagui afirma que 90% dos estágios são voltados para descendentes da capital.

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