Especialista indiano diz que preconceito da aids é semelhante ao da hanseníase
Especialista indiano diz que preconceito da aids
é semelhante ao da hanseníase
Texto: Andréia Alevato Ascari
O indiano Hariharan Srinivásan, especialista em hanseníase, professor em cirurgia ortopédica, autor de vários livros sobre o assunto e, atualmente, editor de um jornal da Índia que trata do tema, esteve em Bauru ontem, participando do I Encontro de Psicologia do Instituto "Lauro de Souza Lima".
Em sua palestra, Srinivásan falou sobre a hanseníase na Índia e comparou o preconceito que se tem em relação a doença com o que se tem com pessoas com Aids.
Ao lado do diretor geral do Instituto, Marcos da Cunha Lopes Virmund, Srinivásan disse que hoje, o tratamento para hanseníase conta com técnicas e qualidade, proporcionando ao paciente cura total.
Comparando com a Aids, Srinivásan afirmou que a doença
é uma "segunda hanseníase", em relação ao preconceito. Mas, por ser uma doença mais nova, os portadores do vírus HIV sofrem menos preconceito.
"O preconceito da hanseníase vem de séculos atrás e por isso é difícil acabar com ele, mas já está diminuindo", afirmou o indiano.
Para diminuir o preconceito em relação à doença, Srinivásan não deixa de lado a questão cultural das pessoas. Para ele, o preconceito é um acúmulo de impressões relacionados à questão cultural.
"O diagnóstico de hanseníase é considerado um desastre para o paciente e para a família. Há culturas que acreditam que isso é uma maldição divina. Então, eu digo que essa mesma maldição divina mandou os hospitais e o tratamento. Na Índia, as pessoas acreditam que ter hanseníase é um carma. E eu explico que é a mesma coisa de quebrar uma perna.
É o seu carma, mas você não pode parar e se isolar. Tem que tratar", contou.
Srinivásan disse que é preciso minimizar as partes negativas da doença, que gera vários aspectos psicológicos no portador da doença, e trabalhar as questões positivas.
Outro ponto destacado pelo professor indiano foi a da mídia.
"Hoje, as campanhas explicativas sobre a hanseníase mostram pessoas curadas, com a pergunta "você acredita que eu já tive hanseníase?", e não mais folhetos e cartazes mostrando manchas e deformações", destacou.
Hoje, o Brasil tem cerca de 90 mil casos de hanseníase em tratamento. Por ano, surgem 45 mil casos novos. A Índia, desde 92, já tratou e curou 8 milhões de portadores de hanseníase. Por ano, aparecem 500 mil novos casos. O Brasil é o primeiro país do mundo de novos casos de hanseníase, que é uma doença que aparece principalmente em países subdesenvolvidos.
"Comparando o número de habitantes da Índia com o do Brasil, o Brasil ganha da Índia em relação ao número de novos casos de hanseníase que aparecem por ano", concluiu o professor Srinivásan.