USP monta sala de aula do futuro
USP monta sala de aula do futuro
Texto: Adriana Amorim
A tecnologia já faz parte dos recursos didáticos utilizados pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP) e deve tomar conta definitivamente das salas de aula. A intenção
é levar equipamentos multimídia para cada ambiente de aula na tentativa de despertar o interesse do estudante e aprimorar os conhecimentos.
A modernização dos recursos didáticos começou a ser priorizada de forma mais efetiva no início deste ano, quando a USP instalou uma sala de videoconferência. Através desse equipamento, os alunos já presenciaram cirurgias raras feitas em tempo real. Isso significa que os alunos pudem, por exemplo, assistir a uma cirurgia feita em uma outra cidade ao mesmo tempo em que o procedimento é realizado pelo especialista.
"Além disso, podem fazer perguntas e obter resposta do profissional", explica o professor da USP encarregado pela instalação dos equipamentos, Antonio Carlos Stipp. A transmissão pode ser gravada e revista em outras ocasiões. A intenção da universidade é disponibilizar as conferências on line também via Internet.
O professor ressalta que uma das maiores vantagens de utilizar a tecnologia como metodologia de ensino é o fato dela disponibilizar o assunto para uma quantidade maior de pessoas. Cada conferência pode ser assistida por cerca de 400 alunos. "Dessa maneira, atingimos uma quantidade bem maior de estudantes, os resultados são melhores e tudo isso com economia de tempo", acrescenta Stipp.
A mesma vantagem está relacionada a um tipo de tecnologia que deve ser viabilizada dentro de cerca de dois anos. Cada sala de aula terá à disposição equipamentos que compõem o "data show", um sistema que usa recursos da computação e a projeção da imagem em telas. A universidade ainda busca recursos, mas já pretende inaugurar a técnica até o final do ano.
A tecnologia, que ainda é novidade em outros campus da USP, leva a cirurgia para a sala de aula. No caso de uma operação na boca, por exemplo, uma microcâmera é instalada no órgão. As imagens são digitalizadas no computador e transmitidas por um canhão de imagens à tela instalada no local.
O procedimento, que poderia ser assistido por poucos estudantes no sistema convencional, se torna mais claro na tela, onde a boca aparece para os alunos em uma dimensão bem maior, podendo chegar a dois metros. O professor Antonio Carlos Stipp explica que a essas imagens podem ser somados textos e outras imagens
- como fotografias - simultaneamente.
Stipp garante que o investimento em tecnologia não é caro se comparado com o retorno que os recursos podem gerar. No caso das salas de "data show", por exemplo, os equipamentos saem por aproximadamente R$ 30 mil. Mesmo diante das vantagens, o professor ressalta que os novos recursos didáticos não devem substituir o livro tradicional. Na sua opinião, as duas técnicas são complementares.
"Acho que não dá para dispensar o mestre mudo, que é o livro, e por isso temos que aliar as duas coisas", argumenta. "Acredito que a modernização funciona muito para incentivar o estudo". Ele diz que a tecnologia atrai a atenção do aluno e estimula a busca pelo conhecimento.