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Rebelião

Redação
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Rebelião termina depois de quase 20 horas de negociação

Rebelião termina depois de quase 20 horas de negociação

Depois de quase 20 horas rebelados, os 798 presos da penitenciária Valentin Alves da Silva em Àlvaro de Carvalho, próximo a Marília, se recolheram as celas. O saldo da primeira rebelião daquele presídio foi, três agentes penitenciários feridos e destruição quase que total do presidio de segurança máxima.

A rebelião teve início na tarde de domingo, quando as visitas dos presos ainda estavam no interior da penitenciária. Segundo a mulher de um deles, alguns detentos atearam fogo nos colchões e iniciaram o movimento sem uma pauta definida de reivindicação. Os presos pegaram 13 agentes penitenciários como reféns e levaram-os em grupo para os pavilhões.

Os diretores da penitenciária iniciaram negociações com os detentos, que de imediato exigiram a presença do coordenador da Coespe, Lourival Gomes e do juiz corregedor do presídio. Gomes chegou em Àlvaro de Carvalho por volta das 2 horas da madrugada quando a situação era muito tensa e já havia parte da estrutura física destruída.

Quando o dia amanheceu, os presos rebelados, encapuzados se mantiveram sobre o telhado do presídio de onde podiam se comunicar com seus familiares, que se fizeram plantão do lado de fora, em busca de notícias.

Segundo informações das famílias, os presos recolhidos naquela penitenciária são maltratados.

"Eles castigam demais. Batem com ferro e deixam o preso na solitária por mais de 30 dias só de cueca", reclamou a mulher de um deles.

A mesma mulher disse que a rebelião começou de repente.

"Era festa do dia das crianças. Tinham mais de 300 visitantes quando os presos pegaram os reféns e atearam fogo em colchões. Foi um corre-corre e muita gente foi pisoteada."

A tropa de choque da Polícia Militar, com cerca de 250 homens se posicionou do lado externo do prédio, dentro da área de segurança, para um eventual invasão, mas não houve necessidade. Homens da cavalaria, canil, Tático Móvel além de PMs do patrulhamento, das cidades de Marília, Ourinhos e Assis, fortemente armados, passaram as quase 20 horas de plantão.

Por volta das 11h30 de ontem, os rebelados resolveram se recolher a cela com a promessa do coordenador da Coespe, de que a visita da próxima semana estava garantida, assim como não haveria represália.

Reféns

Os 13 agentes penitenciários feitos reféns foram, gradativamente sendo liberados pelos presos. Três deles foram feridos, segundo o coordenador da Coespe Lourival Gomes, levemente.

O primeiro refém a ser libertado, saiu do presídio na noite de domingo. " Um deles se sentiu mal, entrou em choque e foi liberado, restaram 12. Fomos tirando os demais. Tiramos três e restaram nove. Retiramos primeiro aqueles que estavam mais abalados," segundo Lourival Gomes.

O último refém foi libertado na manhã de ontem. As vítimas foram mantidas sob ameaça, porém, de acordo com Gomes, os presos não portavam armas de fogo.

"Estavam com estiletes feitos com ferro das janelas."

Três sairam feridos, na opinião do coordenador da Coespe, levemente. "Ele feriu a mão e precisou de uma cirurgia. O médico garantiu que não era nada grave. Outro sofreu um corte na cabeça e o terceiro caiu do telhado e se feriu. Todos ferimentos leves."

O coordenador da Coespe acredita que tanto os funcionários como detentos se feriram no tumulto inicial. "Eu entendo que naquele momento que os presos vão atuar sobre os funcionários, alguém quer correr e alguém quer se desvencilhar,

é onde podem se ferir."

Os reféns, segundo Gomes foram divididos em grupos de três.

" Cada grupo foi colocado em um pavilhão, pelos líderes do movimento. Em nenhum momento o movimento se conduziu para a fuga." Alguns agentes foram obrigados a trocar de roupa com os presos para confundir a polícia.

Justificativas

De acordo com o coordenador da Coespe as alegações apresentadas pelos presos para justificar o movimento cairam no vazio. " Eles alegaram que estavam sendo maltratados. Só encontramos um preso sendo tortura, por eles. O preso da cela 603."

Alegaram que o judiciário era moroso. "Todos os presos que estão no presídio há mais de 90 dias estão com expediente e benefício em andamento, enfim não havia reclamações sólidas e eles tiveram que entrar num acordo para o fim do movimento", frisou Gomes.

Destruição

A penitenciária de Àlvaro de Carvalho foi inaugurada em setembro de 98 e está em funcionamento há exato um ano. Esta foi a primeira rebelião registra no presídio. Penitenciária de segurança máxima, o presídio tem em sua população carcerária grande parte dos presos do Carandirú.

A rebelião destruiu grande parte do presídio. Segundo Lourival Gomes é como se tivesse passado uma tempestade pelo local. "As celas ficaram intactas." Foram destruídas, a cozinha, o setor industrial, área de saúde e educação."

Gomes garantiu que os danos serão avaliados na próxima quarta-feira pelos engenheiros. "A reconstrução será feita pelos próprios presos. Os presos que queimaram colchões vão ficar sem."

Sem necessidade do uso da força

A rebelião terminou ontem, por volta das 11h30. Pouco depois, os diretores e o coordenador da Coespe entraram na prisão e deram o sinal verde para a entrada da Polícia Militar.

"Eles vão fazer uma operação de revista nas celas. Em momento algum foi preciso usar a força."

Segundo Lourival Gomes os acordos foram minando o movimento. "Agimos com o diálogo. Trabalhamos com a possibilidade da entrada da força policial, só em último caso. Demos oportunidade para que eles entregassem os reféns."

Os acordos feitos entre a diretoria e os presos prevêm o aumento do horário de visitas. "Ampliamos o horário de visitas no final de semana, isso em consideração as visitas que chegam de locais distantes. Para o preso que não trabalha, ampliamos o horário de banho de sol."

O acordo entre as partes foi conseguido com pequenas coisa, segundo o coordenador da Coespe. "Consegui o acordo com pequenas coisas , mediante a promessa que não haveria represália e nem violência física para quem quer que seja. Essas eram as reivindicações."

Sobre a revisão de pena, Gomes se limitou a dizer:

" Não é comigo e sim com o juiz, não fiz este acordo. Nós negociamos o que era possível negociar." Quanto a denúncia de maus-tratos, ele disse: Conversamos com vários presos, inclusive com aqueles que estão na celas, eles negam a violência. Eles reclamam de disciplina e disciplina tem que haver em qualquer lugar."

O coordenador garantiu que a população carcerária foi conferida e que não houve ausência de nenhum preso. "Tivemos quatro presos que sairam para o hospital, três deles portadores do virus da Aids em estágio avançado da doença que passaram mal."

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