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Redação
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Ladrões estupram, matam e roubam

Ladrões estupram, matam e roubam

Os crimes que chocaram Botucatu aconteceram na Estância Lívia, onde moravam o médico, sua mulher, filho e empregados

Botucatu - O médico Alfredo Hélio Ribeiro Padovan, 68 anos, e sua mulher, a estudante de Direito Flávia Andréia Rodrigues de Oliveira Padovan, 37 anos, foram mortos a tiros ontem de madrugada e o filho do casal, Alfredo Padovan Neto, 13 anos, foi baleado e está internado no hospital da Unesp de Botucatu. Um dos dois rapazes que invadiram a residência da família, teria sido morto por um dos próprios companheiros, durante desentendimento entre ambos.

A empregada I.M.S., 33 anos, foi estuprada, crime que também teria sido praticado contra Flávia que morreu. Depois de receber atendimento médico, ontem, I.M.S. foi liberada.

Até o fechamento desta edição, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) ainda não havia localizado o ladrão que fugiu, conhecido apenas pelo primeiro nome, Éder, e que já teria trabalhado para Padovan. O nome do acusado morto dentro da casa onde os crimes aconteceram

é Adriano Américo Martins, 17 anos, morador de Botucatu e seria primo de Éder.

A ação dos marginais que terminou na tragédia teve início, segundo investigações da polícia, na madrugada de anteontem com a chegada dos dois rapazes na Estância Lívia, onde o médico morava com a mulher e o filho. Além da empregada I.M.S., estavam também na estância alguns caseiros totalizando 16 pessoas, sendo sete adultos e nove crianças.

Além de trancar as pessoas na casa, assim que chegaram, os ladrões que usavam capuz, mataram um cão de guarda e cortaram o fio do telefone. Durante as cerca de 18 horas em que permaneceram dentro da casa, os ladrões reviraram tudo e passaram o tempo ameaçando as vítimas. Dentro da casa, a polícia encontrou latinhas que teriam sido usadas para fumar crack.

Os ladrões teriam entrado na casa apenas com uma cartucheira, mas encontraram várias armas na casa, já que o médico era colecionador. Foi com um fuzil que o médico e sua mulher foram mortos. Flávia morreu no local, mas Padovan e seu filho foram levados com vida para o hospital. O médico não resistiu e acabou morrendo.

De acordo com os empregados de Padovan, os dois ladrões, encapuzados, armados com uma cartucheira e com uma faca, chegaram na chácara, na rodovia Gastão Dal Farra, na madrugada de anteontem e renderam os funcionários que estavam do lado de fora. No interior da residência foram rendidos outros empregados, o casal e o filho. Todos foram colocados em um quarto.

Os ladrões passaram o dia todo na casa. Comeram o que havia na geladeira e passaram a exigir dinheiro e armas. Padovan era colecionador de armas e não teve como evitar que os assaltantes se apossassem de pistolas automáticas e munição. Eles o obrigaram a assinar cheques e queriam que indicassem onde estavam dólares, ameaçando com as armas a mulher e o filho.

Desentendimento

Segundo a polícia, os estupros contra as mulheres provocaram um desentendimento entre os dois assaltantes e o ladrão mais velho atirou e matou o menor. Em seguida descarregou a arma automática contra o casal e o menor, fugindo com cerca de R$ 3 mil e algumas armas.

O médico e a mulher morreram, mas o adolescente continuava internado ontem no Hospital das Clínicas de Botucatu. Ele está fora de perigo, mas em estado de choque. Segundo o delegado de Investigações Gerais, Tadeu Campos de Castro, as testemunhas identificaram o líder como sendo um ex-empregado da fazenda, de nome Éder, 23 anos. O delegado pediu sua prisão provisória. Ele está sendo procurado em toda a região. Éder é primo do assaltante que matou e já tem antecedentes criminais. A polícia trabalha com duas hipóteses que seriam as mais prováveis: vingança ou intenção de roubar armas e dinheiro.

Outros crimes

O crime chocou a cidade de 180 mil habitantes, onde o médico era um oftalmologista muito conhecido. Esse foi o segundo crime violento na cidade nos últimos meses em que as vítimas são médicos renomados. Em agosto, três adolescentes haviam assassinado o médico Antônio de Pádua Campana, 59 anos, professor e um dos fundadores da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho

(Unesp).

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