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Mercado de trabalho

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Profissão não acaba com a tecnologia, se transforma

Profissões não acabam com a tecnologia, elas se transformam Texto: Luciano Augusto

Falar que determinada profissão se acaba, por qualquer que seja o motivo, é, no mínimo reducionismo. As profissões persistem há séculos, acompanhando as transformações que vão surgindo. Hoje, entretanto, algumas profissões estão em decadência por causa, principalmente, da introdução de novas tecnologias na "linha de produção".

De acordo com o professor de Realidade Sócio-Econômica, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação

(FAAC), na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, Maximiliano Martins Vicente, 43 anos, "o que se constata com a chegada da tecnologia e, mais do que isso, das novas tecnologias,

é que o perfil profissional está mudando".

"Não é que as profissões irão acabar", complementa. O profissional precisa se reciclar.

Um técnico de máquina de escrever, por exemplo, teria que caminhar para o técnico de computadores, esclarece o professor. O exemplo da secretária é o lado oposto. Hoje, o cargo de secretária exige qualidades de uma profissional de informática. E paga-se muito bem por isso. Como aponta Vicente, o mercado que está exigindo uma qualificação cada vez maior do profissional.

E quem não se qualifica, conforme o professor, se complica. O bóia-fria, por exemplo, vem sendo preterido pelas máquinas nas plantações de cana-de-açúcar. Neste ponto, Vicente se revolta:

"esse trabalhador poderia ter sido treinado para acompanhar as novidades que surgem com a máquina, como saber operá-la".

Para ele, falta o País querer melhorar a qualificação da sua mão-de-obra já existente e que está perdendo espaço para as máquinas. Conforme seu argumento, as escolas que oferecem cursos profissionalizantes estão voltadas para o público jovem e se esquecem dos que já trabalham, mas estão defasados tecnicamente. Com isso, estes profissionais poderiam ser readaptados nos mesmos ramos, mas em outra função.

A política neo-liberal do presidente Fernando Henrique Cardoso, na visão de Vicente, "é totalmente excludente e é a grande responsável pelo atraso educacional deste país. De acordo com ele, em países como a Coréia, Alemanha e o próprio EUA, antes de se entrozarem com processo de globalização, "a primeira coisa que fizeram foi preparar a mã-de-obra".

"E isso não foi feito nem 1% aqui no País".

Bancários e telefonistas também estão sofrendo do mesmo mal. A introdução de novas tecnologias nos bancos, como o auto-atendimento, home-banking e Internet, transferiu ao usuário grande parte da operacionalização dos serviços, enquanto outros equipamentos sofisticados processam as informações e concluem o serviço.

Uma novidade recente revelada por Vicente

é a diminuição da procura por engenheiros. Programas especiais dos computadores já realizam grandes cálculos, por exemplo, que antes eram de responsabilidade do engenheiro. "Pela nossa própria experiência, esses cursos na Unesp são os que têm tido as maiores desistências e não é porque o aluno se sente sem vocação. É que o mercado está bastante modificado para eles", esclarece.

Correndo por fora mas contribuindo igualmente para a decadência de algumas profissões, a globalização, na visão do professor da Unesp, porque cobra justamente uma mão-de-obra cada vez mais especializada. Por outro lado, essa exigência acaba interferindo também na atuação dos que já se consideram qualificados.

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