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Estragos da chuva

Redação
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Chuva de granizo destrói Tibiriça

Chuva de granizo destrói Tibiriçá

Uma chuva de granizo que durou menos de 20 minutos provocou grandes danos em muitas residências, arbustos, veículos, roupas e até alimentos, no distrito de Tibiriçá. A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Comissão de Defesa Civil (Comdec) foram acionadas e estiveram no local para prestar assistência à população. Em Bauru, a forte chuva que caiu ontem, por volta das 14h30, não causou estragos significativos.

A destruição do distrito podia ser vista logo na entrada, com buracos e algumas árvores que foram arremessadas longe. As ruas pareciam tapetes verdes cobertos com folhas e galhos dos arbustos que estavam espalhados também pelas calçadas. A maioria das casas foi destelhada, as que ainda tinham telhas estavam alagadas, seus vitrôs foram estourados como se tivessem recebido tiros de revólver.

O drama foi geral, até mesmo para aqueles que não tiveram muitos danos internos em seus imóveis.

As pedras de gelo ainda podiam ser vistas nas calçadas, mesmo depois de três horas sem chuva. Na realidade, como contaram os moradores, as pedras que caíram não eram como aquelas que todos estão acostumados, como as de pequenos granizos, mas sim pedras que poderiam pesar mais de 500 gramas. O auxiliar de topografia, Natal de Oliveira, 48 anos, disse que a chuva teve início com pequenos de granizos, mas terminou com pedras enormes. "Para conseguir quebrar os telhados, as pedras, com certeza, pesavam mais de 500 gramas", conta Oliveira, angustiado.

Além das pedras, um outro fator que também pode ter colaborado para a situação é a antigüidade e manutenção das telhas.

De acordo com o coordenador da Comdec, Álvaro José de Brito, os telhados eram antigos e deveriam ter mais de 35 anos, em sua maioria. "É importante que cada morador dê manutenção em seu telhado, para verificar se há alguma telha quebrada ou mesmo ver se há alguma madeira que desalinhou", avisa.

Mas, há também aqueles que tinham colocado telhas novas e mesmo assim tiveram algumas quebradas devido a forte chuva. Porém, saber se a idade da telha também foi uma das causas do destelhamento, não ameniza o sofrimento das famílias que também perderam roupas e alimentos entre seus pertences. Documentos, óculos, liqüidificadores, fogões, muitos desses itens foram perdidos com o vendaval.

A casa de José Luiz da Silva ficou totalmente destelhada. As telhas eram de cimento amianto e resistiram menos tempo que as demais. Silva estava na sala e quando viu que as telhas de um dos cômodos estava caindo, pegou seu filho e correu para a casa do vizinho. Ao final da chuva não havia as telhas de amianto, as vidraças estavam quebradas, os móveis molhados, outros quebrados e os alimentos no meios dos entulhos. Silva, inconformado, mostrou a panela de arroz que estava cheia de água, em cima do fogão, que também perdera a serventia. E disse: "Meus 15 anos de luta para ter uma casa e alguns pertences foram destruídos em menos de 15 minutos".

Porém, o caso de Silva é um entre os muitos exemplos e mostra o que ocorreu com os moradores do distrito de Tibiriçá. Um casal de idosos, com mais de 70 anos, estava triste, mas aguardava pela ajuda dos vizinhos e um abrigo. De acordo com os moradores, três pessoas não agüentaram ver a casa desabar, passaram mal e tiveram que ser levadas ao Hospital de Base pela ambulância.

Outros acabaram enfrentando a chuva sem querer e saíram machucados, como o caso de Paulo Sérgio Martins. Ele estava vindo de bicicleta da casa de um amigo e, como era longe e estava se aproximando do distrito, continuou pedalando. Por não ter onde se abrigar, permaneceu boa parte do tempo na estrada, tomando a forte chuva e, o pior, recebendo as pedras. Martins teve várias partes de seu corpo cortadas e seus braços e pernas ficaram inchados. Ele também foi encaminhado para o Pronto-Socorro.

O forte temporal acabou não somente com os bens materiais dos moradores, mas também com a esperança de alguns. Silva, que está desempregado há nove anos, só faz alguns "bicos" para empresas e está desanimado para recomeçar. "Não é fácil perder seus bens e ter que começar tudo de novo", desabafa.

Oliveira também ficou desestimulado com a situação crítica. E lamenta: "Só a sala tem laje, os demais cômodos só tem forro. O pior é que não temos dinheiro para comprar telhas, principalmente porque vamos precisar de 500 telhas".

Não somente as residências foram destruídas parcial, mas também parte do salão da Igreja Católica, que lá existe e algumas oficinas mecânicas.

Além disso, os veículos que estavam nas ruas também foram amassados. Marcos Luiz de Almeida, 31 anos, que estava passeando na casa de seus pais, estacionara seu carro, um Escort, na rua. Quando terminou a chuva de granizo, o veículo ficou todo amassado e com os vidros todos quebrados.

O espanto do acontecimento catastrófico foi de todos, desde o mais novo ao mais idoso. Um dos moradores, Cláudio Ribeiro de Moraes, que reside há 40 anos em Tibiriça, disse que nunca presenciou nenhum tipo de tempestade com a mesma intensidade.

"Não acreditei que estivesse acontecendo isso aqui. Até as janelas de alumínio foram destruídas", relata.

Já a dona de casa Vicentina Mota ficou tão assustada que não conseguiu se mover do cômodo onde estava.

"Ainda bem que minha neta estava comigo e me puxou para a

área de fora. Se ela não tivesse feito isso, o teto teria caído em minha cabeça, porque fiquei pasma, olhando tudo acontecer", conta.

Um dos problemas enfrentados pelos moradores é a falta de alimentos e roupas. Eles estão aguardando pela solidariedade da comunidade, para ajudá-los.

Abrigo dos moradores

Antes de conseguirem abrigo, os moradores foram solidários. Uns ajudaram aos outros, até mesmo aqueles que não tiveram suas casas afetadas totalmente estavam colaborando e acolhendo quem estava em desalento. Madarli Nóbrega Simões, que apenas fica em sua residência no distrito aos finais de semana, acolheu a vizinha da frente, que havia perdido os colchões. Ela também estava ajudando aos demais moradores. "Mesmo morando na área central de Bauru, estamos ajudando a todos, porque, afinal, esqueceram dos moradores daqui,", ressalta.

A própria comunidade começou a "por a mão na massa". Primeiramente, os moradores se reuniram na praça, para se organizar e, depois, começaram a planejar formas para resgatar os móveis que ainda restavam. Uma lista também foi realizada para colocar os nomes daqueles que não tinham onde ficar.

Além disso, os habitantes já estavam pensando em um mutirão antes mesmo da chuva ir embora. Eles se programavam para recolocar as telhas, assim que as conseguissem com a Comissão de Defesa Civil e com quem mais desejasse colaborar. De acordo com Brito, o distrito irá receber dez mil telhas para cobrir os imóveis atingidos. Ontem mesmo, já receberam 60 cobertores e colchonetes que estavam no estoque. Mas, o coordenador da Comdec afirma que os itens necessários para as emergências pós-chuvas são poucos para atender a demanda. E frisa: "A Comdec precisa de investimento para então, poder atender às emergências, para que o município consiga enfrentá-las sem sofrer".

O abrigo provisório dos moradores será na escola local, Major Fraga, onde os desabrigados ficarão até a recolocação das telhas de suas residências.

O prefeito Nilson Costa, que esteve em Tibiriçá, garantiu que as secretarias que trabalham com a infra-estrutura da cidade estarão lá hoje pela manhã, para resolver os problemas. Ele não acredita que precise declarar estado de calamidade pública. E ressalta: "A rede elétrica e algumas ruas já estão sendo reparadas. O que o local precisar, socorreremos, não adianta decretar estado de calamidade se o Estado não pode ajudar".

Os homens, para ajudar na reorganização do distrito Tibiriçá, pedirão aos patrões para folgar hoje para conseguir consertar algumas residências.

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