Spíndola vende disputa pela presidência
Spíndola vence disputa pela presidência
Texto: Josefa Cunha
O vereador Rubens Spíndola venceu ontem o colega Edmundo Albuquerque na disputa pela presidência do PSDB. Em votação secreta, 21 dos 39 membros do diretório municipal que haviam sido eleitos minutos antes optaram pela candidatura de Spíndola; Edmundo obteve os 18 votos restantes. Natan Chaves confirmou a condição de fiel da balança no processo, declinando seu voto e puxando os dos seus aliados (ele indicou nove representantes para o novo diretório) a favor de Spíndola.
A renovação do comando tucano, com exceção da postura de Natan - até então indefinida - transcorreu sem surpresas. Conforme deliberação prévia, a escolha dos novos membros do diretório foi consensual, agrupando representantes de todas as vertentes internas. Dos aproximados 1.600 filiados com direito a voto, 193 compareceram, um número considerado satisfatório pelo partido, tendo em vista o consenso pré-estabelecido.
Enquanto a militância votava no plenário na Câmara Municipal, os principais líderes tucanos reuniam-se a portas fechadas numa última tentativa de fazer com que a escolha do presidente também fosse consensual. Na secreta costura política, o nome de Natan Chaves foi indicado à presidência, como forma de unir Spíndola e Edmundo, mas a idéia não vingou. Edmundo não teria concordado e, com isso, desencadeado o apoio mútuo entre Natan e Spíndola. O suplente de deputado federal, aliás, foi posteriormente aclamado vice-presidente do partido e felicitou-se com a situação criada. "Com o Rubinho eleito, o quadro das eleições 2000 fica mais complicado, indefinido. Se o Edmundo tivesse ganhado, saberíamos dentro de um mês quem seria o candidato da frente ligada ao PDT e PTB. Da maneira como ficou, haverá ainda muita conversa", comemorou.
Na verdade, a vitória de Spíndola distancia o ninho tucano da coligação com o PDT de Pedro Tobias, o PTB de Caio Coube e, especialmente, com o PSB de Tuga Angerami. Esses partidos, juntamente com o PSDB, já vinham mantendo contatos e discutindo uma candidatura aglutinadora. O fato de Spíndola ser irredutível quanto sua candidatura a prefeito, entretanto, fecha as portas para o debate. As eventuais alianças do PSDB daqui por diante tendem a ocorrer apenas com partidos que se proponham a referendar o nome do vereador para a disputa do Executivo.
Edmundo, em sua argumentação antes da escolha do presidente, deixou claro que o lançamento de uma candidatura própria à Prefeitura não podia ser premissa no PSDB. Em sua opinião, o partido deveria caminhar "de cabeça erguida" no processo eleitoral de 2000, mas
"sem a pretensão de querer vencer sozinho". "Não podemos partir para alianças já tendo um candidato colocado. Isso, porém, não quer dizer que as negociações não possam indicar no futuro um candidato do nosso partido", pregou.
Já Rubens Spíndola apostou todas as cartas na candidatura própria do partido e criticou as composições que vinham sendo tecidas com o PDT e o PTB. "Queiram ou não, estão impondo condições ao PSDB, mas eu acho que temos força para comandar o processo. Temos o segundo maior tempo na TV - o primeiro é do PFL - e outras armas suficientes para não nos colocarem abaixo do palco", discursou.
Aos olhos de quem apoiava Edmundo, a composição entre Natan e Spíndola foi a "tática do Cavalo de Tróia". Carlos Roberto Ladeira, presidente cessante que defendeu publicamente a eleição de Edmundo, disse que o resultado da convenção foi sucumbido a dois projetos pessoais: o de Spíndola ser candidato a prefeito e de Natan lançar-se a deputado federal em 2002. Ladeira, aliás, considera Natan o principal vencedor da disputa de ontem. "O Rubinho, tão logo seja realizada a prévia do partido, deixará a presidência e Natan assumirá. O Rubinho foi o Cavalo de Tróia que trouxe Natan na barriga", comparou.
Ladeira, embora garanta sua permanência no ninho e o apoio
à virtual candidatura de Spíndola, não escondeu sua decepção pela derrota de Edmundo. "Eu considero esse resultado desastroso para o PSDB, principalmente porque confere um atestado de incompetência ao partido. A futura liderança
(leia-se Natan Chaves) veio de fora e terá as rédeas do comando com menos de um ano e meio de militância em Bauru, ao passo que existe muita gente competente há mais tempo aqui. O PSDB parte para as eleições com uma candidatura fraca, com uma executiva fraca e totalmente direcionada. As coligações que vinham sendo discutidas também estão inviabilizadas, porque ninguém vai querer fazer aliança com um partido que já tem candidato lançado", avaliou, sem receio de criar de desconfortos com a direção recém-eleita.
Como ficou o novo diretório tucano
01 - Edmundo Albuquerque
02 - Rubens Spíndola
03 - Ricardo Viana
04 - Eduardo Angerami
05 - Santo Natale
06 - Ivan Garcia Goffi
07 - Edinéia Sita Cucci
08 - Eduardo Fleury
09 - Juarez Targino
10 - Antônio Carlos Cruz
11 - Luiz Diogo
12 - Sérgio Húngaro
13 - João Fedriz
14 - Raimundo Gonçalves
15 - Manoel de Souza
16 - Neide Ferreira Busch
17 - Carlos Roberto Ladeira
18 - Gilson de Lima
19 - Alberto Luiz do Carmo
20 - Ademir Gaspar
21 - Aygiro Kamada
22 - Lair Gusmão
23 - Luiz Manji
24 - Dolírio Menezes
25 - Élio Busch
26 - Ana Zilda Ribeiro de Matos
27 - Fernando Mantovani
28 - Olga dos Santos
29 - Luiz de Souza
30 - Nélson Fio
31 - Osvaldo Malini
32 - Ronny Apolinário
33 - Samuel Teixeira
34 - João Farha
35 - Paulo Sérgio Gobbi
36 - Dalva Ramos Benício
37 - Benedito Botelho de Souza
38 - Natan Chaves
39 - Antonio Carlos Garmes (líder da bancada)
Comissão de Ética (titulares)
1 - Itamir Crivelli
2 - José Cabral
3 - Carlos Abreu Carvalho
4 - Joaquim Simões Filho
5 - Elias Calixto Bitar
Comissão Executiva
Presidente: Rubens Spíndola
Vice-presidente: Natan Chaves
Secretário: Ana Zilda Ribeiro de Matos
Tesoureiro: Luiz Diogo
1.º Vogal : Juarez Targino
2.º Vogal: Nelson Fio
1.º Suplente: Olga dos Santos
2.º Suplente: Luiz de Souza
3.º Suplente: Luiz Manji
4.º Suplente: Ivan Garcia Goffi