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Adriana Rota
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Escola de futebol completa 1 ano e ainda tem criança sem chuteira

Escola de futebol completa 1 ano e ainda tem criança sem chuteira

Texto: Adriana Rota

A Escolinha de Futebol do Jardim Redentor II completou 1 ano de existência no último dia 6 de setembro e comemorou com uma festa, organizada com doações e mão-de-obra dos pais dos alunos. Atendendo a mais de 120 crianças e jovens de 6 a 18 anos, a maior parte carente, ela conta com pouco apoio do empresariado de Bauru, embora esteja se destacando no cenário esportivo em torneios na região e outros Estados.

Pelo menos 15 alunos treinam com chuteiras emprestadas por não terem condições de comprá-las. Alguns pais de alunos com poder aquisitivo maior também colaboram com os demais, bem como no caso de viagens para competições em outras cidades. Ainda assim, já houve casos de crianças que tiveram de parar de treinar devido a problemas financeiros, mesmo não pagando nada pelas aulas. Além de aprender futebol, eles têm de ser bons alunos e se relacionarem bem casa. Caso contrário, ficam "de castigo", proibidos de jogar por alguns dias. A idéia é manter um relacionamento de respeito não só com o professor e a família, mas em todos os setores da vida deles.

A escola começou com 11 alunos, quando o treinador Angelo Aparecido dos Reis, 45 anos, os viu jogando numa praça e decidiu treiná-los. Isso ocorreu logo que se mudou para Bauru por problemas de saúde na família, vindo de São Paulo, onde foi treinador por 15 anos num clube. Desempregado por 9 meses, Reis nunca deixou a atividade mesmo com dificuldades. Acabou conseguindo uma colocação na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), e agora é treinador também numa outra escola, na Vila São Francisco.

Hoje, na escola do Redentor, já são mais de 120, incluindo 18 meninas. Os times já acumularam 29 troféus em competições externas, conquistando títulos disputados. Sem patrocínio oficial, recebem apoio de alguns empresários, comerciantes do bairro, autarquias e secretarias da Prefeitura e de amigos que acreditam no trabalho desenvolvido. A própria esposa de Reis lava os jogos de camisa, meias e calções da equipe.

A meta mais imediata é o cercamento do campinho de terra onde as crianças jogam, que está sendo buscada com a cessão temporária do local para um parque de diversões que doa um dia de arrecadação por semana para a escola. Depois que estiver cercado, terá espaços para propaganda, que poderão gerar alguma renda. "Quem quiser ajudar não é por mim que estará fazendo, mas pelas crianças. Alguns deles entregam folheto para poder viajar, porque se o pai tirar R$ 5,00 de casa falta para dar de comer para os outros filhos", disse Reis.

Serviço

Quem tiver interesse em conhecer o trabalho pode ligar para os telefones 230-8440, 230-0012 ou comparecer no campo às segundas, quartas ou sextas-feiras, das 8 às 11 ou das 14 às 17 horas. O endereço é rua Nossa Senhora das Dores, ao lado do Estádio Nélson Reginato do Canto.

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