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Juiz classista

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Vice-governador defende classistas e pede mudança

Vice-corregedor defende classistas e pede mudança

Texto: Luciano Augusto

No primeiro dia do trabalho de correição em todas as varas do Fórum do Trabalho de Bauru, o vice-corregedor do Estado de São Paulo, Ernesto da Luz Pinto Dória, comentou os resultados iniciais e ressaltou a importância dos juízes classistas para a Justiça do Trabalho. O vice-corregedor destacou ainda a atuação dos juízes de Bauru, que apresentou um percentual de 62% de casos resolvidos pelos classistas, e disse que eles são essenciais. Além disso, pediu a mudança da Justiça do Trabalho para outro local, pois o prédio que está alojado o Fórum do Trabalho, segundo ele, "está condenado".

Leia abaixo a entrevista que Dória concedeu ao Jornal da Cidade.

Jornal - Sobre a reforma do Judiciário, o senhor a considera justa e necessária?

Ernesto Dória - A meu ver a reforma do Judiciário

é uma coisa que é necessária porque o povo precisa saber que nós não fazemos leis, nós cumprimos leis. A nossa lei trabalhista é uma lei caduca.

É uma lei de 40 anos atrás e tem que ser modificada e agilizada. Temos que agilizar também um aumento para os juízes, e eu, inclusive, já conversei com a relatora do Judiciário, que havia a necessidade de subir o teto da 1.ª instância de R$ 5.200,00 para R$ 8.000,00 a R$ 10.000,00, para que os litígios morressem na primeira instância. O importante é que isso liquida o problema na primeira instância.

JC - O senhor é favorável à figura do Juiz Classista?

Dória - Por tudo isso que eu sou favorável totalmente a representação classista que são os conciliadores. Aqui em Bauru, por exemplo, eu saio satisfeito, pois encontrei 62% de casos resolvidos pelos classistas, que levam ao juiz togado para a homologação. Quando todo mundo joga pedra no juiz classista em defendo, porque no dia-a-dia, eu vejo o trabalho destes homens junto à Justiça do Trabalho.

Eu sou totalmente contra a extinção desses juízes. Se fizerem uma enquete junto à população, eles são favoráveis aos juízes classistas.

JC - E quais as vantagens de se manter esses juízes?

Dória - Primeiro porque o juiz classista é uma pessoa da terra, que conhece a engrenagem dos munícipes.

Às vezes, um juiz togado vem de São Paulo e se estabelece na cidade, mas não conhece a sua realidade. Eles (os juízes classistas) assessoram os juízes togados, que dão a última palavra. O entrosamento é tão grande aqui em Bauru que eu saio satisfeito, pois os próprio juiz teceu elogios maravilhosos aos juízes classistas e nós temos 62% de acordos firmados.

JC - Aqui em Bauru o resultado é bom, mas e no resto do Estado e do País?

Dória - 90% das juntas que estou percorrendo, está bom. Não está nos 60%, mas estão apresentando bons números.

JC - A avaliação geral então está sendo boa?

Dória - Eu continuo até quinta-feira e os resultados estão sendo razoáveis. Eu não encontrei nesta 1.ª junta nenhum problema. Apenas tive uma conversa com meu prezado juiz da 1.ª instância para abrir o Fórum mais cedo, porque a comunidade está pedindo. O tribunal precisa estar mostrando a sociedade que quer aumento (salarial) mais também quer trabalhar. O juiz que não quiser trabalhar tem que ficar em casa.

JC - E sobre a CPI do Judiciário, o senhor também a defende?

Dória - Sou favorável à CPI, porque nós não queremos juízes corruptos. É necessário que se apure mais com pessoas sérias. Não é ficar como o Tribunal de São Paulo que ficou três anos, passaram três presidências e não fizeram nada. Agora, o Tribunal queria abocanhar a 15.ª região ( de Campinas). A 15.ª, é uma região que trabalha para 600 municípios. Tem que auferir àquelas pessoas que trabalham, como disse o ACM, depois da CPI que deu aumento justo para nós.

JC - Como está a situação dos juízes atualmente?

Dória - O juiz não está agüentando. Ele está vivendo de cheque especial, está emprestando dinheiro da CEF para cobrir o banco do Brasil. O juiz está numa situação de caos e ainda o chamam de marajá.

JC - Voltando à correição, o senhor também está atendendo a comunidade...

Dória - Atendi várias pessoas da comunidade e não fizeram reclamações. Só reclamam do prédio. Esse prédio da Justiça tem que mudar imediatamente. É um prédio condenado, cheio de rachaduras e não tem condições de colocar a Justiça aqui junto com o INSS. É um prédio emprestado e de pronto nós temos que mudar daqui, no mais tardar até o fim do ano.

JC - A principal reclamação foi essa?

Dória - Claro, as condições precárias do prédio, com infiltrações e inundações quando chove, com risco de estragar processos. E essa é a principal reclamação e os advogados também reclamam pelas más instalações.

JC - Bauru pode ganhar um novo prédio?

Dória - Não, nós podemos pegar um prédio do Banco do Brasil e nos instalarmos lá, fazendo um convênio com o banco.

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