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Cooperativismo

Luciano Augusto
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Sindicato lança hoje proposta para formação de cooperativa

Sindicato lança, hoje, proposta para formação de cooperativa

Texto: Luciano Augusto

Será realizada hoje, às 19h30, no auditório da Câmara Municipal de Bauru, a primeira reunião visando a oficialização da criação de uma cooperativa de prestadores de serviço na região. O projeto é uma iniciativa do Sindicato dos Metalúrgicos em conjunto com o Projeto Integrar (criado pela Confederação Nacional do Metalúrgicos - CNM CUT), que promove cursos de complementação escolar do 1.º grau, com duração de 10 meses, para trabalhadores empregados e desempregados acima de 25 anos, "pois já têm um saber acumulado".

A intenção do grupo é formar uma cooperativa de trabalhadores que atuaria na prestação de serviços e surgiu das demandas verificadas com o início Projeto Integrar. O programa é patrocinado pelo Governo Federal, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

De acordo com o coordenador Integrar na região, Aparecido Petrucci, o projeto teve início há três anos. Com o aumento do desemprego, surgiu "o questionamento" de como ajudar, principalmente, os trabalhadores que estavam sendo demitidos das empresas.

Através de uma pesquisa, constatou-se que dos desempregados, uma média de 80% não possuíam o primeiro grau completo e encontravam sérias dificuldades de recolocação no mercado de trabalho. Iniciou-se, então, segundo Petrucci,

"a constituição do Programa Integrar". Hoje, o projeto conta com a parceria de universidades como a PUC, Unicamp, USP, UFRJ e Escola Técnica Federal, além do Dieese.

Em Bauru, a professora do curso, Eliane Bittencourt, esclarece que o Projeto Integrar existe há dois anos e possui 60 alunos. As aulas são ministradas na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru (rua Araújo Leite, 2-25) e

"têm um caráter formativo", além das matérias básicas do currículo de 1.º grau.

Com o andamento do curso, percebeu-se que cerca de 20% dos trabalhadores que freqüentavam as aulas conseguiam uma nova vaga no mercado de trabalho. O restante, 80% ficavam sem alternativas. "Hoje, com a automação, muitos postos de trabalho estão sendo fechados e não são mais abertos e nós temos que criar alternativas para esses trabalhadores", explica Carducci. "Sabemos que isso é papel do Governo, mas queremos fazer uma oposição propositiva, isto é, uma oposição com propostas concretas para resolver o problema", complementa.

Diante disso, surgiu a "idéia" da criação de uma cooperativa. O grupo, então, desenvolveu o chamado laboratório de desenvolvimento Solidário Sustentado

(LDSS), onde se discute iniciativas populares de geração de trabalho e renda. Dentre elas, a que apresenta as melhores condições, é o sistema de cooperativa.

O coordenador frisa que o sistema que se quer criar "não tem nada a ver com as chamadas 'gatos' cooperativas, onde um esperto funda uma entidade, dizem que os trabalhadores fazem parte dela, não garantem nenhum direito e pagam um salário bem inferior ao que o trabalhador deveria receber". A proposta, segundo ele, é que os alunos e demais interessados possam criar uma entidade de cooperados entre eles, onde os envolvidos gerenciam seu próprio negócio. "Esse é o verdadeiro sentido do cooperativismo", frisa.

Para isso, foram contratadas três assessorias: Fundação Santo André (pensa o desenvolvimento das cooperativas e realiza as avaliações laboratoriais); Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento, Emprego e Cidadania (Ceadec, que tem larga experiência no sistema cooperativo na região de Sorocaba e presta a assessoria necessária); Universidade Federal de São Carlos (UfScar, que faz o trabalho de incubadora das cooperativas).

Por sua vez, o aluno do Projeto Integrar Sídnei Cruz, espera que a cooperativa "seja uma iniciativa de grande sucesso". Ele ressalta que a cooperativa se constitui numa possibilidade concreta de retorno à alguma atividade remunerada, além de ser um meio de "driblar a crise do desemprego e garantir o futuro".

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