RegiãoTropical de São Paulo apresenta alta concentração de CFC
Região Tropical de São Paulo apresenta alta concentração de CFC
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Um estudo sobre a camada de Ozônio na região tropical que encobre o estado de São Paulo feito pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas- IPMet e Unesp, câmpus de Bauru em 97, mostra que a partir de 15 quilômetros de altitute, há uma concentração de gás clorofluorcarbono(CFC) mais alta do que a observada na França, conhecida como um país industrializado. O CFC é um gás que destrói a estrutura molecular do Ozônio, causando a diminuição da sua concentração na atmosfera.
O coordenador da pesquisa, professor Dr. Nagan André Bui Van, ressalta que o resultado é muito interessante. "O Brasil não é um país industrializado. Contrário da França que é um país de primeiro mundo. Teoricamente, a França deveria poluir mais. Mas observamos que esse gás fica mais concentrado aqui."
Uma das hipóteses aventada pelo professor, que precisa ser confirmada, é que os gazes produzidos no hemisfério norte podem trazer o ar poluído de lá para cá.
"Afinal no hemisfério sul não há países considerados industrializados."
Outra observação feita por Bui Van é que as correntes de vento com ar poluído do hemisfério norte podem chegar até a Antártica, onde se localiza o maior buraco de Ozônio do mundo. "Os resultados das observações a bordo de balões mostram que a produção de CFC pelos países industrializados contribuem de maneira significativa para a distribuição desses gás na atmosfera do hemisfério sul.
A conclusão do professor é que a poluição produzida nos paises industrializados se espalha no mundo todo.
"A poluição do ar é distribuída na alta atmosfera e polui o mundo todo."
Bui Van ressalta que existe um fenômeno conhecido e que pode explicar a distribuição de Ozônio. "Chama-se sistema convectivo. Durante o verão a terra é quente e a atmosfera é mais fria. O ar da superfície, carregado de poluição, sobe até atingir a superfície mais alta. O sistema é típico da nossa região."
Programas
O IPMet tem um programa extensivo para monitorar a camada de Ozônio.
" O programa consiste em monitorar, através do radar que permite medir todos os dias a coluna de Ozônio e para ver a distribuição de área.
Um segundo programa, no âmbito ambiental, financiado pela Fapesp e Comunidade Européia, coloca sensor de Ozônio a bordo de avião comercial. "Esse avião onde aterrissar ou decolar, mede o perfil do Ozônio até mais ou menos 12 quilômetro de altura. Finalmente, um programa extensivo de vários satélites americanos da Nasa, satélites europeus que nós participamos, que permite ter uma visão global."