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Gasoduto

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Gasoduto em Bauru dependerá do consumo

Gasoduto em Bauru dependerá do consumo

Texto: Josefa Cunha

A passagem do Gasoduto Brasil-Bolívia por Bauru está na dependência exclusiva do potencial de consumo que o município oferece. Há alguns anos, Bauru não teve boa classificação em um levantamento realizado pela Comgás, mas um novo estudo vem sendo feito pela Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil-Bolívia

(TBG) para medir a demanda atual. A Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico, que tem acompanhado o processo de perto, revela otimismo quanto ao resultado da pesquisa em andamento.

O titular da Secretaria, Roberto Rufino, conta que vem mantendo conversações com outras cidades interessadas no Gasoduto, como Ourinhos, Maringá e Londrina. Municípios vizinhos, como Agudos, Lençóis Paulista e Botucatu, também têm manifestado intenção de conseguir ramais de distribuição. Por conta do interesse regional, Rufino pretende organizar um seminário ainda este ano para discutir ações conjuntas no sentido de pressionar a vinda das tubulações. O trabalho quer o envolvimento direto dos potenciais consumidores, particularmente das indústrias.

De todos os interessados, Bauru é que aparece mais próxima do Gasoduto em termos de traçado. O município está a apenas 54 quilômetros do citygate (estação de recebimento e medição do gás) instalado em Iacanga e, teoricamente, a extensão do ramal seria rápida e viável. "Considerando que eles enterram 10 quilômetros de tubulação por dia, o gás em Bauru chegaria em menos de uma semana", calculou o ex-deputado Roberto Purini, que há 20 anos defende a energia alternativa para a cidade.

Na opinião de Purini, a vontade política sobrepõe os impasses técnicos em discussão, como a viabilidade econômica de estender os dutos até aqui. Ele, aliás, revela preocupação com o empenho da administração municipal na briga pelo Gasoduto. Roberto Rufino, entretanto, recomenda tranqüilidade ao ex-deputado e garante que tem tomado todas as medidas políticas possíveis. "Se depender da Prefeitura, Bauru terá o gasoduto", afirmou.

O prefeito Nilson Costa (PPS) também reiterou o interesse, mas ponderou que a privatização do Gasoduto coloca os aspectos econômicos acima de tudo. "É preciso deixar claro que a implantação do gás natural não é um empreendimento do Poder Público. A iniciativa privada está para assumir o programa e, com certeza, não vai investir nos locais que não garantirem lucratividade. Isso é um fato que nada tem a ver com o interesse da nossa parte. Se Bauru não atingir o consumo mínimo que eles exigem, não há como remar contra", considerou.

A exploração do gás canalizado na região de Bauru está sendo disputada por quatro consórcios: Gás Natural (espanhol), Gás Brasiliano (italiano), Noroeste Gás (formado pela Petrobrás Distribuidora e CNS -Brasil Energia) e Enron (norte-americano com participação da Norton Gas Company). A apresentação da proposta financeira está marcada para o dia 9 de novembro e o preço mínimo fixado é de R$ 110 milhões.

O vice-governador Geraldo Alckmin, presidente do Programa Estadual de Desestatização (PED), disse que a privatização da Comgás é importante para levar o gás natural a novas regiões do Estado. O vencedor da concorrência assumirá o compromisso de distribuir o recurso a toda a região noroeste, a qual engloba Bauru, Araraquara, São Carlos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Franca, Araçatuba, Presidente Prudente e Marília. A previsão é que sejam construídos pelo menos 220 quilômetros de tubulação. O Gasoduto já está implantado em 17 municípios do Estado de São Paulo, incluindo a Capital.

A utilização do gás natural é considerada imprescindível em termos de futuro. Atualmente, o recurso não recebe a importância que deveria porque a energia elétrica supre as necessidades. O grande problema é que a escassez da energia produzida pelas hidrelétricas

é um fato incontestável para as próximas duas décadas. Hoje, a energia elétrica já não consegue suprir a demanda, deficiência que pode ser comprovada nos recentes blecautes ocorridos no país.

O gás natural, assim como a energia solar, vem ganhando amplitude por necessidade e os municípios estão recorrendo a ele para garantir o abastecimento energético no futuro. Trata-se de uma fonte de energia natural, limpa, barata e não poluente que pode ser usada pelas indústrias, veículos e residências.

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