Reajuste de preços deve ser setorizado, diz Ciesp
Reajuste de preços deve ser setorizado, diz Ciesp Texto: Luciano Augusto
Com a moeda americana sendo cotada na casa dos R$ 2,04 (cotação do paralelo na sexta-feira) alguns produtos brasileiros ficaram mais caros e o consumidor poderá sentir um reajuste de preços que, como admite a própria Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e os empresários, deverá chegar a 20%. Mas, segundo o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de Paulo (Ciesp), José Luis Miranda Simonelli, os aumentos devem ser setorizados.
"O que acredito é que não existe massa salarial para que haja uma alta generalizada de preços", argumenta Simonelli. De acordo com ele, os reajustes irão incidir, individual e pontualmente, sobre os setores industriais que têm suas essenciais matérias-primas cotadas em dólar. "O trigo é um caso específico", afirma o diretor do Ciesp, pois é importado da Argentina.
Outro exemplo é o alumínio. Embora o Brasil somente exporte o metal, como o preço é cotado é dólar, acaba havendo uma alta interno do preço.
Entretanto, o representante regional das indústrias volta a afirmar que os preços, de uma maneira geral, não devem subir porque a própria situação econômica do País não permite mais isso. "A inflação é sempre alimentada por alguma coisa e essa coisa é o consumo. Hoje não existe massa salarial, os salários não têm tido reajustes, o desemprego é grande. Ou seja, a massa que consome é pequena e, com isso, segura-se a inflação, mas as custas de recessão".
Sabendo da queda no consumo, "os supermercadistas vão renegociar preços, pois sabem que não vão conseguir repassar para a prateleira", aponta Simonelli.
Ele explica que, hoje, as leis de mercado se comportam de "frente para trás". A renegociação, diz, acontece do consumidor para com o supermercadista e deste para com a indústria. O efeito direto disso é que os preços são empurrados para baixo. "A primeira lógica que a gente chega é essa: de que pode ocorrer uma alta imediata de alguns produtos, mas não deve acontecer uma sustentação destes preços em níveis elevados", completa.
Supermercadistas
Os supermercadistas aceitam e até apontam que alguns produtos já estão mais caros. Por outro lado, a flutuação constante do câmbio, ora em níveis estáveis ora em níveis explosivos, não permite "previsões" muito a longo prazo. "Hoje está tudo atrelado ao dólar", afirma o coordenador da Rede de Supermercados Confiança, Paulo Sanches.
Sanches aponta que produtos de limpeza, cosméticos, trigo e milho são os setores mais vulneráveis às altas. O milho, por exemplo, segundo Sanches, subiu 18% de uma só vez "e a oferta está pequena". Outro produto que deve ser reajustado é o frango.
Já em relação aos outros tipos de carnes, Sanches avisa que "o pecuarista acompanha o câmbio". Por outro lado, nos finais de ano, aumenta a oferta e a variedade do produto e isso deve segurar os preços.
Mas, se depender dos supermercadistas, os reajustes serão dificultados. "Vamos negociar, porque o mercado está cada vez mais disputado", ressalta o coordenador de compras da rede Confiança. De acordo com ele, os supermercados devem diminuir a margem de lucro dos produtos que forem reajustados para não repassarem a alta total para o consumidor final.
Edimilson Belan, gerente da rede de Supermercados Mercosuper, também alerta que a alta do dólar "deve afetar alguma coisa" nos preços. Mas os supermercadistas, segundo ele, "vão falar não obrigado" para as altas abusivas.
De acordo com Belan, não há espaço para grandes aumentos. Uma porque o consumidor está com seu salário achatado e outra, porque ele pode escolher entre diversas marcas.