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Paulo Toledo
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Ferroban demite 650 funcionários

Ferroban demite 650 ferroviários

Texto: Paulo Toledo

A Ferrovia Bandeirante S/A (Ferroban) - ex-Fepasa - demitiu, ontem, 650 funcionários que prestavam serviços às suas linhas da Malha Paulista. Waldemar Raffa, 55 anos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Paulista informou que, de Bauru, foram desligados 53 trabalhadores. O total das indenizações chega, segundo a entidade, a R$ 40 milhões. Raffa destaca que foram demitidos trabalhadores de faixa salarial baixa ou com até 10 anos de empresa, cuja indenização não ultrapassa os R$ 60 mil.

De acordo com o presidente do sindicato, no dia 10 de novembro de 98, dia do leilão de concessão da Malha Paulista, a Ferroban encontrou a ex-Fepasa com 6,5 mil empregados. Com as demissões de ontem, a empresa vai chegar a 2,75 mil trabalhadores, numa redução de 57,69%. Antes de iniciar o processo de privatização a antiga Fepasa tinha 19,5 mil trabalhadores, dos quais cerca de 11 mil foram desligados por meio de Planos de Demissão Voluntária (PDVs) bancados pelo Governo do Estado. A previsão, de acordo com o sindicalista, é que a empresa fique com um número entre 1,5 mil e 2 mil, já que o plano é enxugar o quadro e terceirizar os serviços.

Raffa destaca que a indenização oferecida é considerada interessante pelos ferroviários. Até 1994 os trabalhadores da Fepasa tinham direito à estabilidade mas, diante da disposição da privatização, acabaram trocando a garantia de emprego pela cláusula indenizatória que estipula multa de 80% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço

(FGTS) para todos os demitidos e ainda dá indenização de um salário trabalhado para os demitidos com quatro a 10 anos de emprego, dois salários para os de 10 a 20 anos e 2,5 salários para os com mais de 20 anos trabalhados.

"Por isso, a Ferroban demitiu todos aqueles que têm menos de 10 anos de empresa, para não deixar dobrar. Nessas 650 demissões serão gastos aproximadamente R$ 40 milhões. Em Bauru, foram 53 demitidos com uma indenização de cerca de R$ 3 milhões", afirmou.

Raffa destaca que a Ferroban já gastou cerca de R$ 150 milhões com indenizações de trabalhadores. Para ele, esse dinheiro seria suficiente para recuperar a Malha Paulista, colocando-a novamente em condições de uso.

Segurança

Para Raffa, as demissões realizadas pela Ferroban estão colocando em risco as operações. Ele destaca que o Sindicato já alertou sobre o risco iminente de acidente: foram 16 denúncias encaminhadas ao Ministério Público e à Procuradoria Geral da República. Além disso, foram pedidos inquéritos policiais em diversas cidades, porque os acidentes, segundo o sindicato, cresceram assustadoramente e estão acontecendo a uma média de 1,2 por dia, ou seja, cerca de 36 por mês. "Tem lugar que não tem mais dormentes. A sinalização, tem trechos que não existe. Comunicação inexiste. Não há manutenção na via permanente, não há manutenção no material rodante e não há manutenção na locomotiva, ou melhor, a manutenção é precária", destacou.

O presidente do sindicato chega a dizer que a ferrovia transporta

"verdadeiras bombas ambulantes", pois cada um dos vagões tanque tem capacidade para até 100 mil litros de combustível, enquanto cada composição está com cerca de 80 vagões. Para ele, o risco é grande em caso de acidente, tanto que o caso já foi denunciado ao Ministério dos Transportes.

Procurada, a Assessoria de Imprensa da Ferroban não retornou

à ligação da reportagem do Jornal da Cidade para dar a posição da empresa sobre as demissões e as críticas feitas pelo sindicato.

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