Caminhão-tanque destrói casa no Beija-Flor
Caminhão-tanque destrói casa no Beija-Flor
Texto: Andréia A. Ascari
Um caminhão-tanque, carregado de álcool, bateu contra uma casa no Núcleo Beija-Flor, ontem, por volta das 4h30 da madrugada. A casa teve a garagem, a cozinha e um dos quartos destruídos, mas nenhum morador ficou ferido. O motorista do caminhão sofreu apenas deslocamento do ombro. Após a colisão, o veículo tombou, ficando com todas as rodas para cima. Houve sérios riscos de explosão e o Corpo de Bombeiros precisou de nove horas para deixar o local em total segurança.
O motorista, José Erivaldo de Assis, 37 anos, funcionário da Transporte Ceam, também proprietária do caminhão, afirmou que o veículo estava carregado com 35.200 litros de álcool. Ele disse que o acidente ocorreu porque o caminhão ficou sem freios. Todo combustível que estava no caminhão-tanque vazou e por isso o risco de acidente era grande.
Se houvesse uma explosão, o raio de destruição seria cerca de 50 metros. Para evitar explosões, o Corpo de Bombeiros usou aproximadamente 50 mil litros de água, jogando em cima e dentro do tanque de combustível. para evitar a emissão de vapores. Os bombeiros também colocaram gás carbônico dentro do tanque.
Na hora de virar o tanque, os bombeiros, juntamente com os policiais militares de trânsito, retiraram todos os moradores próximos ao local do acidente, num raio de 100 metros, e usaram cerca de 300 litros de uma espuma própria para líquido combustível inflamável. Cada litro dessa espuma custa, em média, US$ 10,00 o equivalente a R$ 20,00.
O capitão Rúbio Gualharim, do Corpo de Bombeiros, disse que a companhia de combustível Esso vai repor a espuma para os Bombeiros. O álcool que estava no caminhão pertencia à Petrobrás. Para o capitão Rúbio, a empresa e o motorista do caminhão foram irresponsáveis, já que "um caminhão com produto perigoso não deveria estar transitando carregado em um local como este do acidente", disse.
Conforme explicou o capitão Rúbio, somente o cavalo mecânico (a cabine) poderia estar transitando. O tanque, carregado, deveria estar na base. "O motorista não podia ter deixado o veículo carregado em sua casa. Foi uma irresponsabilidade muito grande do motorista e da empresa Ceam, que não fiscaliza seus motoristas. O acidente foi provocado por uma negligência tanto do profissional quanto da empresa. Esse acidente poderia ter matado várias pessoas. Afinal de contas, estamos lidando com um caminhão de produto perigoso e não com um carro de passeio", afirmou o capitão Rúbio.
Os bombeiros demoraram nove horas para deixar o local em total segurança. Fábio Figueiredo, gerente de terminal da Petrobrás de Bauru, disse que a transportadora terá que acionar o seguro da carga e ressarcir a Petrobrás. O proprietário da casa, João Domingo da Silva, 42 anos, estava dormindo com a mulher e dois filhos na hora do acidente.
Ele disse que acordou com o barulho. Seu filho de 18 anos estava dormindo em um dos quartos destruídos. Silva é vigia da Prefeitura e pintor de automóveis. Na garagem havia um carro de um cliente que Silva havia pintado e iria entregar ontem pela manhã.
A Transportadora Ceam alugou uma casa para a família Silva, segundo informou Rubens Riboni, funcionário da empresa. Ele também disse que a Ceam já havia acionado o seguro para ressarcir os prejuízos causados. O motorista do caminhão não estava autorizado pela empresa a levar o caminhão-tanque carregado para sua casa, segundo Riboni.
Motorista disse que perdeu o freio
O combustível iria ser levado para São Paulo. O motorista disse que, como de costume, funcionou o veículo, checou os pneus e saiu a caminho do destino. Ele contou que desceu pela rua Flávio Xavier Arantes, parou na primeira esquina, mas não conseguiu frear na segunda, na rua Antônio Natale Capri.
Tentando parar o caminhão, Assis fez uma manobra brusca, virando para a direita na rua Antônio Natale Capri. Não conseguiu o objetivo e o caminhão tombou em cima da casa da quadra 11, da rua Flávio Xavier Arantes, esquina com a Antônio Natale Capri.
A colisão destruiu a garagem, a cozinha e um dos quartos, onde dormia um rapaz de 18 anos, morador da residência.
"Na metade do quarteirão, antes da segunda placa de
"Pare" (na rua Antônio Natale Capri) senti que o freio não pegou. Eu não sei o que aconteceu. Só tentei fazer uma manobra brusca, mas não deu e o caminhão tombou", afirmou Assis.