Bancários decidem se farão greve dia 4
Bancários decidem se farão greve no dia 4
Texto: Paulo Toledo
Os bancários estão avaliando em assembléias, realizadas entre ontem e hoje, a nova proposta feita pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para a negociação salarial que vem sendo desenvolvida. Laércio pereira, 36 anos, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru, destaca que os patrões aumentaram a oferta de reajuste de 4% para 5,5% (inflação dos últimos 12 meses), enquanto que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) passou de 80% de um salário mais R$ 312,00 para 80% mais um fixo de R$ 400,00. O anuênio ficaria mantido.
Porém, a Fenaban não quer mais dar o abono de R$ 700,00, que estava colocado na proposta anterior. Pereira disse que a Executiva Nacional dos Bancários está recomendando que o acordo seja fechado nesses termos. Mas, o sindicato local acha que a proposta é insuficiente e quer que o acordo não seja feito. A assembléia em Bauru deveria ocorrer ontem à noite. "Nas bases, no Brasil todo, essa proposta não está tendo aceitação, justamente pela falta do abono de R$ 700,00. Mas, somente na sexta-feira haverá uma decisão geral do que irá ocorrer", afirmou.
Com este novo quadro, diz Pereira, a greve dos bancários em todo o Brasil, que estava programada para o dia 4 está ameaçada de não ser realizada. Porém, o movimento de paralisação ainda não está descartado, apesar do sindicalista admitir que a nova proposta da Fenaban faz com que a mobilização perca força.
Pereira diz que, nos últimos anos, as campanha salariais vêm sendo realizadas de forma diferente, com paralisações parciais, com ajuda do sindicato. Ele diz que, se não tivesse ocorrido um avanço da oferta patronal, a greve do dia 4 certamente sairia com facilidade. "Como teve uma nova proposta, a adesão não vai ser natural como seria. Decisivo, mesmo, vão ser as assembléias no Brasil inteiro", afirmou.
O sindicalista diz que o medo da demissão já não influencia tanto na decisão dos bancários de participar, ou não, de uma greve. Segundo ele, a categoria percebeu, nos últimos dois anos, que, com ou sem mobilização para campanha salarial as demissões estão ocorrendo, embaladas pelas fusões de bancos. tanto que um dos itens da campanha quer que as instituições financeiras dêem garantia de emprego. A única coisa oferecida pelos patrões foi uma multa contratual, nos cinco meses seguintes ao acordo, o valor varia de um a 2,5 avisos prévios, dependendo do tempo de serviço, em caso de demissão.