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Pavimentação

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Vereadores cobram o asfalto pago

Vereadores cobram o asfalto pago

Texto: Josefa Cunha

Embora aprovado há apenas 20 dias pela Câmara Municipal

- mas até o momento sem previsão de ser implementado

-, o programa do asfalto pago foi alvo de cobranças na

última sessão do Legislativo. Diversos vereadores, entre contrários e favoráveis ao projeto quando de sua tramitação na Câmara, questionaram a demora com que a Prefeitura vem tratando o assunto, especialmente porque o decreto que norteará as regras do programa sequer foi elaborado ainda.

A questão foi levantada pelo pepebista Rino Biagio, um dos parlamentares que sempre defenderam a proposta do asfalto comunitário. Na tribuna, o vereador cobrou esclarecimentos sobre o impasse que até hoje envolve o assunto e chegou a requerer uma audiência pública com o prefeito Nilson Costa (PPS). "O prefeito poderá nos esclarecer os critérios que serão adotados e o motivo pelo qual os contratos ainda não começaram a ser realizados", disse, em justificativa ao requerimento.

A idéia de Biagio não circulou muito bem, particularmente entre os opositores da administração municipal. João Parreira de Miranda (PDT), por exemplo, manifestou-se contra o pedido de explicações a Nilson e acha que a Câmara não tem mais que se envolver com a questão.

"Quando o projeto estava em discussão aqui, gerando vários questionamentos, o senhor Nilson Costa saiu dizendo aos quatro cantos que o Legislativo estava emperrando o asfalto. Pois bem, nós agimos conforme ele queria e lhe demos o projeto. Ele que se vire agora para implantá-lo, já que tem a desejada lei nas mãos. A Câmara não tem que se sujeitar a ficar marcando audiência para ouvir explicações que nem o prefeito sabe quais são", disparou.

Parreira foi além em suas críticas, lançando dúvidas sobre a habilidade política de Nilson Costa e a necessidade de a Prefeitura transferir o pagamento do asfalto aos munícipes. "Será que o prefeito tentou recursos do governo antes de sentenciar o asfalto pago como única alternativa? O prefeito de Botucatu conseguiu R$ 2 milhões do Mário Covas para pavimentação. Oras, se Botucatu, com 100 mil habitantes, teve direito a esse montante, Bauru conseguiria quanto? E não adianta falar que o Covas marginaliza Bauru, porque é ele quem não sai em busca de dinheiro. O governo é que não vai ficar oferecendo verbas sem que haja pedido. O Sbeghen e o Franciscato costumavam ficar dois dias por semana em São Paulo percorrendo secretarias e gabinetes em busca de recursos. Ser prefeito é ser agente político, mas o senhor Nilson Costa não assumiu até hoje esse papel", atacou.

Rogério Medina (PTB), eterno opositor de Nilson, foi outro que questionou a demora na implantação do asfalto pago, enfatizando que a história seria outra se a Prefeitura não tivesse pressionado a aprovação do projeto na Câmara. "Nós sempre dissemos que, antes de aprovar o asfalto comunitário, seria preciso definir as regras para os contratos entre empreiteiras e moradores. Não nos deram ouvidos e, agora, o programa não consegue sair do papel", reclamou.

O prefeito Nilson Costa foi procurado para informar o andamento do processo, mas não deu retorno ao JC. Extra-oficialmente, Nilson estaria contra-atacando as cobranças, argumentando que ainda não houve tempo para regulamentar as normas do programa.

Nos bastidores, comenta-se que o impasse na implantação do asfalto comunitário é fruto de uma estratégia errada da Prefeitura. Na concepção do programa, a administração municipal teria apostado todas as cartas no poder de liderança da associações de bairro, entidades que estariam incumbidas de "vender" a idéia aos moradores. Na prática, porém, as associações não estariam conseguindo mobilizar os moradores, tornando inviável a contratação das empreiteiras. Com a Prefeitura praticamente isenta de responsabilidades no processo, as associações estariam receosas - e com razão - de assumir compromissos sem a certeza do respaldo popular.

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