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Rebelião

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 2 min

Cadeia fica em rebelião por 5 horas

Cadeia fica em rebelião por 5 horas

Texto: Adriana Amorim

Os presos da Cadeia Pública de Bauru promoveram ontem uma rebelião que durou cerca de cinco horas. Eles reivindicaram a redução de penas e a transferência para penitenciárias. Segundo a direção do Cadeião, esta foi a mais violenta manifestação dos detentos este ano.

"Eles sempre estão reivindicando benefícios, mas nunca fizeram como hoje", disse o delegado e diretor da Cadeia, Ronaldo Divino. A reclamação dos detentos

é antiga: a superlotação.

A unidade tem capacidade para 72 presos, mas atualmente abriga 133. Cerca de 125 devem ter participado da rebelião. Segundo o delegado, são poucos os detentos que foram julgados e já estariam em condições de ser removidos para penitenciárias.

O motim começou à 11 horas, quando os presos se negaram a voltar para as celas depois do banho de sol. O juiz corregedor esteve no local, mas não houve entendimento.

"Vamos enviar um ofício à Procuradoria do Estado para analisar essa questão da revisão das penas", disse o delegado Ronaldo Divino.

Os presos não concordaram com a medida e iniciaram a depredação no início da tarde. Eles quebraram a porta que dá acesso entre dois pátios usados para banho de sol, liberando todos os presos.

Segundo a Polícia Militar, os detentos começaram a bater a porta contra a parede, conseguindo pedaços de tijolo. O material foi usado para quebrar o sistema interno de televisão e foi arremessado contra os policiais que acionados para intervir no motim.

Fora do controle

O comandante da 1ª Companhia da PM, Benedito Roberto Meira, disse que a polícia foi acionada a partir do momento em que os presos começaram a apedrejar o local e o motim se tornou incontrolável para a direção do Cadeião. Para conter a rebelião, os policiais usaram munição química (bomba de gás lacrimogênio e de efeito moral). "Ela não é fatal e serve para intimidar", explicou.

A polícia só começou a abandonar o local por volta das 16 horas, quando a rebelião já estava contida e os presos começavam a voltar para as celas. Segundo o delegado, nenhum preso ficou ferido e não houve fugas. Os estragos provocados na Cadeia só seriam avaliados depois que todos os detentos voltassem para as celas.

Eles iriam passar por revista, uma vez que poderiam ter voltado com algum tipo de arma para as celas. Mesmo antes da inspeção, a PM encontrou vários objetos abandonados nos corredores da Cadeia. Eram pedaços de ferro que poderiam ser improvisados como arma. Foram encontradas também porções de maconha.

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