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Adriana Amorim
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Unesp vai abrir clínica de genética

Unesp vai abrir clínica de genética

Texto: Adriana Amorim

Uma verba de R$ 400 mil conseguida pela professora Elaine Sbroggio de Oliveira Rodini junto à Fundação de Amparo

à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) vai viabilizar a instalação de um laboratório de análises genéticas no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp). As instalações ficarão prontas até o início do próximo ano e devem funcionar como uma clínica na qual será prestado atendimento à comunidade.

Elaine é professora do Departamento de Biologia da Unesp há 10 anos e há 2 anos iniciou um projeto no qual analisa a incidência de abortos naturais relacionados à má-formação congênita. No projeto encaminhado e aprovado pela Fapesp ficou estabelecido que a entidade arcaria com o financiamento caso a Unesp desse a contrapartida em forma de espaço no qual seriam montados novos laboratórios.

Há quatro meses, o prédio está sendo construído e todos os equipamentos já foram comprados. "Pode-se fazer citogenética em um laboratório simples ou em um laboratório muito bom. O nosso se enquadra nessa segunda categoria", explica Elaine. A clínica contará com equipamento de ponta, como um microscópio acoplado em um computador, um dos quatro existentes em todo o País.

O projeto será desenvolvido até 2001. Uma equipe composta por médico, citogeneticistas e alunos que desenvolvem projetos de iniciação científica vão desenvolver as atividades. Serão feitas pesquisas e atendimento

à comunidade envolvendo desde procedimentos considerados atualmente como simples (como a análise de portadores de síndrome de down) até exames moleculares, ou seja, estudo do DNA dos pacientes.

A geneticista explica que não devem ser atendidos apenas casos relacionados a abortos espontâneos, mas também outros tipos de anomalias cromossômicas. Assim que o projeto for concluído, outros estudos serão iniciados e a extensão do serviço à comunidade será ampliada, explica Elaine. "O laboratório não foi criado apenas para atender o projeto, mas terá continuidade tanto na área de pesquisa como na de extensão", acrescenta.

Inovação

Elaine diz que a instalação da clínica no câmpus da Unesp será inovadora não apenas em termos tecnológicos, mas também porque permitirá o atendimento de pessoas que não têm convênios médicos e encontram dificuldades esclarecer seus casos. Além disso, ela acredita que os médicos da cidade devem mudar de comportamento, passando a solicitar análises com mais frequência. "Com esse projeto, estamos criando uma nova rotina em Bauru", acredita. Ganham também os estudantes garantindo estágio na área e uma formação mais próxima da prática.

Enquanto os laboratórios não ficam concluídos, o projeto vem sendo desenvolvido no Centro de Genética Humana, uma clínica que cedeu espaço para que a pesquisa pudesse ser realizada até que as obras no câmpus fiquem prontas. A equipe já atende gratuitamente paciente da rede pública de saúde, recebendo casos encaminhados pela Maternidade Santa Isabel.

Além dos exames, os profissionais fazem o aconselhamento genético, explicando as causas do abortamento espontâneo e os riscos que o aborto se repita. Segundo a pesquisadora, 50% a 60% dos abortos têm causas genéticas e 70% das mulheres sofrem aborto espontâneo antes de saber da gravidez.

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