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Demissão

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Bancário é demitido após assalto

Bancário é demitido após assalto

Texto: Luciano Augusto

Um funcionário de um posto de atendimento bancário

(PAB) do Banco Bradesco - que atua juntamente com o Banco Ford

- no bairro Higienópolis, foi demitido depois que o posto foi assaltado por dois indivíduos, no dia 13 de outubro. Na ocasião, os dois assaltantes levaram R$ 6 mil do posto bancário.

O funcionário (que preferiu não divulgar o seu nome), que trabalhava como caixa na agência, contou que o assalto aconteceu por volta das 12 horas. Para chegar até o posto do Bradesco, que fica no primeiro andar do prédio da Ford, próximo à avenida Duque de Caxias, um dos assaltantes rendeu um segurança no piso térreo e o deixou amarrado em baixo de uma escada. Em seguida, um outro assaltante encapuzado subiu até o primeiro andar. "Ele conhecia o esquema do banco porque, para entrar, ele tinha que pegar uma senha com o guarda", aponta o demitido.

No momento, o funcionário explicou que estava atendendo uma cliente e, "como o balcão é um pouco alto", quando percebeu que era um assalto já tinha uma arma apontada para sua cabeça.

No dia 21 de outubro, o bancário foi comunicado da demissão, provocada, segundo ele, "porque teria infringido uma norma de segurança", deixando uma quantia muito alta de dinheiro no caixa. O procedimento estabelece que o funcionário tem que, com certa regularidade, "depositar" o movimento do caixa num cofre de segurança. Esse cofre possui dois compartimentos. O procedimento correto seria o bancário ter colocado o dinheiro no primeiro, chamado de "boca de lobo", que remete, automaticamente para um segundo compartimento

(o cofre propriamente dito).

O bancário, entretanto, afirma que a "boca de lobo" estava quebrada há algum tempo e que a remessa era feita abrindo diretamente o segundo cofre. O procedimento demora, em média, cerca de 10 minutos.

Outro questionamento levantado pelo funcionário demitido do Bradesco é a falta de segurança do PAB. De acordo com ele, não existe nenhum sistema de monitoramento por câmera, nem tampouco seguranças no posto. E mais, o sistema de alarme, quando acionado, toca em São Paulo e, de lá, eles voltam a ligar para a agência buscando informações.

Quando soube da demissão, o funcionário acionou o Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região. Segundo o diretor do sindicato Laércio Pereira, já foi mantido um contato com o departamento de RH do banco, que deu ao sindicato a mesma justificativa dada ao funcionário quando da sua demissão.

Para o sindicato, os motivos alegados pelo banco não são convincentes e tampouco justos, principalmente no tocante à segurança. Pereira lembra ainda que, segundo estatísticas dos bancários, a grande maioria dos roubos a bancos, com pequenos valores, acontecem justamente nos postos de atendimento, que geralmente, contam com menor monitoração quanto

à segurança.

O sindicato adiantou que o funcionário demitido deve entrar com uma ação de reintegração ao cargo. Posteriormente, segundo o próprio funcionário, também deverá ser montada uma outra ação judicial, desta vez de caráter indenizatório.

Ontem pela manhã, os bancários realizaram um ato em protesto contra a demissão do funcionário, em frente a agência central do Bradesco.

Bradesco

A gerência da agência centro do Banco Bradesco argumentou que o desligamento do funcionário foi um ato normal, motivado

"também pelo assalto, além de outros motivos". No tocante às outras declarações do funcionário, o banco se reservou ao direito de não tecer qualquer comentário oficial.

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