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Verminose

Sabrina Magalhaes
| Tempo de leitura: 5 min

Esquistossomose atinge 8 milhões no Brasil

Esquistossomose atinge 8 milhões no Brasil

Texto: Sabrina Magalhães

A solitária é uma das verminoses que mais preocupa os médicos, pois pode atingir o cérebro e deixar seqüelas

A esquistossomose é a verminose que mais prejudica a população brasileira. Segundo o pediatra Ajax Rabelo Machado ela atinge cerca de oito milhões de pessoas no País, principalmente no Nordeste. Quando na pele, causa irritação alérgica, vermelhidão, coceiras e dor. Mas sua principal conseqüência

é a chamada barriga d'água: ao atingir o fígado, o Schistosoma mansoni causa uma lesão semelhante à cirrose, levando à obstrução do fluxo sangüíneo e retenção de líquido peritonial na barriga.

É uma doença grave, que não tem cura e que mata.

"Apesar desta gravidade, nós não temos casos de esquistossomose aqui no estado de São Paulo. E quando temos são casos importados (de pessoas que viajaram para outros estados). Então nós, médicos, acabamos por deixar a esquistossomose de lado, como fazemos com várias outras doenças infecciosas gravíssimas causadas por vermes, freqüentes em outros estados."

O parasita da esquistossomose é adquirido através da pele, tomando banho em lagoas que tenham um determinado tipo de caramujo, que é hospedeiro intermediário do verme, ou seja, ele passa boa parte de sua vida no caramujo e só então consegue completar seu ciclo de vida no organismo humano.

Nos esquistossomos, machos e fêmeas são muito diferentes. As fêmeas são mais compridas e bem mais finas que os machos. Estes têm uma abertura no corpo, chamada canal ginecóforo, onde a fêmea fica instalada. Essa proximidade facilita a reprodução e cada fêmea chega a pôr 400 ovos por dia. Esses ovos são expelidos nas fezes do indivíduo.

Ao entrar em contato com a água, os ovos se rompem, liberando uma larva chamada miracídio. Esta larva penetra nas partes moles do caramujo e ali se reproduz gerando até 300 mil novas larvas chamadas cercárias. Depois de 30 dias, as cercárias abandonam o caramujo e começam a nadar. Elas têm de dois a três dias para encontrar um hospedeiro, senão morrem.

Quando o indivíduo entra nesta água, as larvas penetram em sua pele, caindo nas veias e nos vasos linfáticos. De lá, vão para o coração, que as bombeia por todo o organismo. Em um mês, elas se tornam adultas e começam um novo ciclo reprodutor.

Elefantíase

A filariose é outra doença grave, mas que é bem menos freqüente. Causada pelo Wulchereria bancrofti, contamina o homem através da picada de mosquitos do gênero Culex. As larvas das filárias ficam na boca do mosquito e quando este pica uma pessoa, eles "pulam" para a corrente sangüínea. Depois de três meses, as larvas já estão adultas e começam a se reproduzir. Enquanto larvas, circulam por todo o organismo, mas quando adultas alojam-se no sistema linfático, causando feridas e inflamações.

Com o tempo, ocorre uma hipertrofia da região afetada, ou seja, o local começa a inchar. Por isso, a doença

é popularmente conhecida como Elefantíase. Afeta geralmente as pernas, o escroto (nos homens) e as mamas (nas mulheres).

É uma verminose de regiões quentes e úmidas, como o Brasil, América Central e Latina, China, Sudeste asiático e África.

Estrongiloidíase

Causada pelo Strongyloides stercoralis, que existe em solos quentes e úmidos onde há contaminação fecal,

é uma verminose que traz preocupações. Ela pode se manifestar em vários órgãos do corpo. Na pele, causa hemorragias, coceira, edemas e urticária; nos pulmões, podem gerar pneumonite, tosse, falta de ar, sangramento, dor torácica e derrame pleural; quando no intestino, alternam períodos de diarréia com prisão de ventre.

Em estágios avançados, provocam mal-estar, febre, náuseas, perda de peso e muitas dores, podendo atingir um quadro chamado síndrome disabsortiva, quando é eliminada gordura junto com as fezes. Sem tratamento, leva ao aumento do fígado, diarréia sanguinolenta, obstrução intestinal e morte.

Amebíase

A Entamoeba histolytica é um ser vivo unicelular que também se "hospeda" no organismo humano para sobreviver. Causa diarréias, cólicas e hepatomegalia. Foi descoberta em 1875 por Lösch. Ele encontrou trofozoítos nas fezes de um lenhador russo que havia sido acometido de um ataque prolongado e fatal de diarréia. É também uma doença com origem nas más condições de higiene e, inexplicavelmente, atinge mais homens que mulheres.

Serviço

Crianças interessadas em saber mais sobre esses bichinhos de uma forma divertida, podem visitar o site http://puccamp.aleph.com.br/verme, criado especialmente para a população infantil.

O maior dos vermes

Elas chegam a medir até 10 metros de comprimento e vivem só no organismo humano. São os parasitas do gênero Taenia, mais conhecidos como solitária. A Taenia solium usa os porcos como hospedeiros intermediários, enquanto que a Taenia saginata se utiliza de bois e vacas. São animais com a cabeça bem pequena (1 milímetro), onde há ganchos, que se fixam à parede do intestino do homem. O corpo é formado por vários anéis (proglotes), que armazenam os ovos. Cada anel tem os aparelhos reprodutores masculino e feminino, ou seja, a Taenia é hemafrodita, se reproduz com auto-fecundação.

Conforme os ovos são formados, os anéis finais do corpo do parasita se desprendem e são eliminados com as fezes. Em contato com o solo, eles contaminam terra, água e verduras, podendo ser comidos pelos porcos e bois. Nos animais, elas não causam qualquer prejuízo. Ali os ovos se rompem e as larvas se alojam nos músculos (parecem canjica, na forma de bolinhas amarelas), podendo passar para o homem quando este come carne crua ou mal cozida.

No organismo do homem, pode se localizar em vários órgãos, sendo que o grande temor dos médicos é que elas se alojem no cérebro, dando origem a uma patologia chamada neurocisticercose, que deixa seqüelas muito graves, com quadros convulsivos, e pode matar. A única forma de se evitar a teníase é só ingerir alimentos bem cozidos, assados ou fritos, pois as altas temperaturas matam os parasitas.

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