Crea afirma que consumidor de lâmpada continua sendo lesado
Crea afirma que consumidor de lâmpada continua lesado
Texto: Paulo Toledo
Mais uma vez, o consumidor brasileiro está sendo "enganado" no que diz respeito à fabricação das lâmpadas incandescentes, que vai ser mudada, mas ainda não vai chegar ao que seria necessário para não prejudicar o consumidor, afirma o vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), engenheiro eletricista Luiz Antônio Moreira Salata, 45 anos. Salata não concorda com o que prevê a nova norma, em projeto na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), para fabricação de lâmpadas pois, na prática, irá reduzir a vida útil das lâmpadas incandescentes de mil horas para 750 horas.
O projeto da nova norma encontra-se em consulta pública e poderá receber sugestões dos interessados até o dia 8 deste mês. Salata já enviou os seus comentários
à ABNT.
De acordo com Salata, apesar da ABNT, estar representada na comissão de estudos por membros dos institutos de pesquisas, órgãos de defesa de consumidores e fabricantes de lâmpadas, o "lobby dos produtores é muito forte, e fica difícil uma posição contrária".
Salata fez uma manifestação no Crea, denunciando o problema, além de encaminhar um pedido para a ABNT solicitando a suspensão do vigor da norma, para que possa ser adequada para não mais lesar o consumidor.
O vice-presidente do Crea afirmou que, a partir de 1997, a ABNT, pressionada pelos fabricantes, conseguiu "padronizar" a voltagem no País em 120 Volts (V). Com isso, as lâmpadas passaram a ter uma vida útil reduzida pela metade, pois uma lâmpada de 120 V projetada para durar mil horas nesta voltagem, dura apenas 480 horas se submetida a 127 V, que é a tensão nominal mais usada no Brasil.
Salata entende que a questão primeiro deve ser resolvida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), reguladora que cuida dos serviços de energia elétrica no País, para depois possibilitar ser devidamente regulamentada pela ABNT.
Para ele, se a Aneel ainda permite, em certos locais, a tensão secundária de distribuição de 115 V, deveria continuar existindo no mercado as lâmpadas fabricadas para esta tensão nominal; Além disso, a Aneel deveria revisar a portaria do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE) de número 047 de 17/04/78, que permite às distribuidoras de energia elétrica entregar seu produto no intervalo de variação desde 116 até 132 V, quando a tensão nominal do sistema for de 127 V. "Em lugar de 11 V para menos e cinco V para mais, Salata entende que a faixa permitida não deveria ser de mais ou menos três volts em relação a tensão nominal, e apenas em casos extremos, melhorando, desta forma, a qualidade do serviço público de energia elétrica", afirma.
Ele destaca que essa variação de tensão é prejudicial aos equipamentos eletroeletrônicos das residências. Para Salata, os consumidores deveriam exigir das distribuidoras que a tensão estivesse dentro de uma faixa mínima de variação.
O vice-presidente do Crea critica, ainda, o termo de acordo assinado no dia 7 de outubro entre Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça e Fabricantes de Lâmpadas que, além de ter livrado a multa aplicada por terem passado a produzir lâmpadas de 120 V, aceita que as lâmpadas incandescentes passem a ser fabricadas com vida útil de 750 horas (em 127 V), quando as normas usadas em todos os países onde se localizam as matrizes dos fabricantes (todos eles multinacionais) é de pelo menos mil horas. "Não aceitamos que se abra mão de 25% da vida útil das lâmpadas, medida que irá beneficiar apenas os fabricantes", afirmou.
Cuidados com eletrodomésticos
A questão da variação da tensão da distribuição de energia elétrica entre 116 Volts (V) e 132 V é uma realidade, também, na CPFL da região. Porém, segundo Lúcio Esteves Júnior, 41 anos, gerente de Distribuição da distribuidora, dificilmente a tensão passa de 127 V. Assim, diz o gerente, os aparelhos eletroeletônicos regulados para essa tensão não correm o risco de estragar (queimar), já que os problemas vem com a sobretensão e não com a subtensão, quando a variação fica entre 116 e 127 V.
Esteves Júnior admite que um aparelho de 127 V tem uma pequena perda de desempenho quando a tensão está abaixo de sua regulagem. Ele diz que a volta da fabricação das lâmpadas de 127 V é importante, pois as de 120 V não são adequadas para a tensão ofertada pela CPFL. "Uma lâmpada de 120 V instalada na rede da CPFL, que oferece 127 V vai durar menos. Então, a mudança vai adequar o produto ao que ofertamos", afirmou.
Porém, Esteves Júnior, recomenda que as pessoas fiquem atentas à tensão não somente das lâmpadas incandescentes, mas de eletrodomésticos. Segundo ele, muitas lojas vendem esse tipo de produto adequado para um tensão de 115 V que, na verdade, são inadequados para a tensão da rede doméstica que é de 127 V. Com isso, previne o gerente esses aparelho terão uma vida útil menor.
Em relação às lâmpadas, atualmente, a CPFL recomenda que o consumidor substitua as lâmpadas de sua residência pelas fluorescentes compactas, que promovem economia de até 75% na energia consumida. Além disso, a vida útil do produto é muito maior. O desconforto, neste caso, é o preço das fluorescentes compactas, que varia entre R$ 30,00 e R$ 48,00. Enquanto isso, uma lâmapada incandescente tem um custo aproximado de R$ 1,80. (PT)