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Meio ambiente

Marcos Zibordi
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Vereador acusa empresa de poluição

Vereador acusa empresa de poluição

Texto: Marcos Zibordi

Além do forte mau cheiro, a fábrica de ração localizada em Cabrália lança resíduos em represa, o que preocupa vereador

Cabrália Paulista - O vereador Maurício Umada Zapater (PFL), 35 anos, está preocupado com a possibilidade da empresa Petgar Comércio de Indústria Ltda, fabricante de ração para animais estar contaminando o conjunto de mananciais que abastecem a cidade. A empresa garante que os resíduos orgânicos não prejudicam o meio ambiente e nem contaminam os lençóis freáticos dos mananciais.

A empresa fabrica ração com restos de peixes e carne de frango e bovina. A sobra da lavagem das máquinas é uma espécie de sopa orgânica. Na última quinta e sexta-feira a reportagem localizou uma represa nos fundos da Petgar onde uma grande quantidade de restos de detritos industriais estava depositada. O cheiro é insuportável.

A 300 metros do local, estão os nascedouros dos mananciais que abastecem 95% das residências de Cabrália Paulista. Caso exista contaminação, o tratamento que é dado à água no município pode não garantir a manutenção da sua pureza em níveis aceitáveis para o consumo. Ela é tratada somente com cloro na estação de captação e distribuição.

Por causa da matéria prima e dos vapores de água na produção da ração, funcionários de empresas vizinhas no Distrito Industrial reclamam do mau cheiro da fábrica. Roberto Carlos Rodrigues, 31 anos, funcionário de uma metalúrgica distante dois lotes da Petgar diz que o cheiro é insuportável. "Tem dia que começa cedo e vai o dia inteiro. Todo mundo reclama". Ele diz que o apetite dos companheiros está sendo prejudicado e ninguém consegue almoçar tranquilo.

Outro marceneiro, funcionário de uma indústria ao lado da Petgar, afirma que "o mau cheiro é muito forte. Tem hora que chega dar ânsia de vômito". Nesta firma, são 30 funcionários. Alguns já passaram mal. "Nos dias de calor, além do cheiro, as varejeiras infestam. As madeiras ficam forradas de insetos".

Petgar

Um dos sócios da Petgar, o engenheiro civil Mario Gabrielli, 57 anos, admite que houve um "acidente" na empresa. Segundo ele, cerca de 3 mil litros de "sopa orgânica", foram despejados na lagoa aos fundos da empresa, há 20 dias.

Ele informou que são três os produtos obtidos após o processamento da matéria prima: uma gordura animal, farinha de carne ou de osso e proteína solúvel. "E como rejeito (sobras) eu tenho vapor de água, da secagem da proteína, e água de lavagem da fábrica. A produção não tem detrito, tudo é aproveitado". A água de lavagem contém restos de produtos utilizados na lavagem e restos da matéria-prima que fica nas peças das máquinas.

Gabrielli disse que a água de lavagem é tratada num tanque de decantação que separa gordura e sólidos.

"Tem também uma fase líquida, que é uma água que tem impureza, e que é retirada através de tratores da fábrica". O tanque de decantação comporta 6 mil litros e no depósito de água cabem 15 mil litros. O acidente teria ocorrido por causa de um vazamento causado por uma falha na operação. "E vazou cerca de 3 mil litros da sopa".

Apesar do acidente, ele garante que os resíduos orgânicos são inofensivos ao meio ambiente e aos lençóis freáticos. "Essa água desceu para o reservatório e realmente fermentou. O que foi dito, que o mamancial da cidade estaria sendo contaminado com produtos químicos, não existe. A população pode ficar despreocupada".

O sócio mostrou dois laudos da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). Os autos de inspeção referem-se a uma vistoria nas instalações da empresa

(7-4-99) e outra é sobre fiscalização de poluição ambiental (22-7-99). A primeira durou uma hora e a segunda foi feita em 30 minutos. Os pareceres foram favoráveis.

De acordo com o gerente da agência ambiental da Cetesb em Marília, engenheiro Paulo Wilson, 47 anos, somente a análise dos resíduos pode responder se existe algum risco de contaminação ao meio ambiente. "Existe possibilidade de poluição. Não é porque é uma matéria orgânica que ela não vai contaminar ou poluir o ambiente".

Quanto ao cheiro exalado pela Petgar, Wilson informou que a Cetesb não recebeu nenhuma reclamação sobre o asssunto. No entanto, a Legislação Ambiental proíbe a emissão de odores em quantidades que possam causar inconvenientes ao bem-estar público. "Inclusive, na licença que nós demos para a indústria, está proibida a emissão de odores para fora dos limites da área da indústria".

Essa e outras exigências técnicas constam na licença, além de medidas de controle da poluição, tanto de água como do ar.

Na próxima semana, a Cetesb deve fazer uma vistoria na Petgar, atendendo ao ofício do vereador Zapater, de Cabrália Paulista. "Está programada uma coleta para a semana que vem. Vamos verificar a localização dos efluentes. Se está acontecendo alguma coisa errada nós vamos constatar e exigir a correção".

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