Bauru participa do Dia Nacional de Luta
Bauru participa do Dia Nacional da Paralisações e Protestos
Texto: Patrícia Zamboni
Partidos de oposição (PT, PSTU, PCdoB, etc.), Central
Única dos Trabalhadores (CUT), sindicatos filiados à CUT, Movimento Sem Terra (MST) e movimento estudantil devem participar hoje do Dia Nacional de Paralisações e Protestos, organizado pela Central Única dos Trabalhadores. A manifestação abrange o País todo e tem como objetivo central protestar contra o papel do governo Fernando Henrique Cardoso e sua política econômica marcada pelo aumento do desemprego, arrocho salarial, privatizações, sucateamento da educação e da saúde, entre outros pontos negativos.
De acordo com Marcos Aurélio Silvestre, do Sindicato dos Bancários, todos os sindicatos (de diversas categorias) que participarão do movimento orientaram os trabalhadores para que paralisem as atividades hoje visando a participação nas atividades do Dia Nacional da Paralisações, parcialmente ou durante todo o dia, dependendo da realidade de cada categoria. Em Bauru, a principal atividade será uma manifestação que ocorrerá em frente à agência do Banespa situada na quadra 6 da rua Rio Branco, marcada para começar às 9 horas. "A manifestação deve durar cerca de duas horas e depois vai ocorrer uma passeata pelas ruas do centro da cidade, contra a política econômica atual. No nosso entendimento, o governo Fernando Henrique Cardoso está causando mais desemprego, mais miséria e mais fome. É uma manifestação também contra a falta de verbas para a saúde, para a educação, e contra as privatizações. O Banespa foi escolhido como um símbolo para ser o local do início das manifestações, porque é alvo de privatização do governo federal, e as privatizações estão sendo uma marca do governo FHC", afirma Marcos.
Banespa pára até o meio-dia
O Banespa vai ter participação integral, sendo que todas as agências de Bauru ficarão paralisadas até o meio-dia de hoje. Depois, o atendimento voltará ao normal. De acordo com informações do Sindicato dos Bancários, passadas no final da tarde de ontem, após uma assembléia os funcionários do Banespa optaram por essa ação porque, além de participar na luta contra a política econômica do governo federal, que prevê a privatização do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), estarão protestando também contra o reajuste salarial zero estipulado para os funcionários do Banco, sendo que toda a categoria bancária teve reajuste de 5,5%.
Segundo Marcos Silvestre, é muito provável que também ocorram paralisações nas agências da Caixa Econômica Federal (CEF). "Isso não descarta a possibilidade de ocorrerem paralisações em outros locais, em outras agências", informa Silvestre. De acordo com ele, não foi possível divulgar como essa manifestação vai ocorrer na CEF porque isso seria decidido numa assembléia realizada somente ontem à noite. Várias escolas da cidade também estarão participando da manifestação, e ficarão paralisadas durante todo o dia. Os estudantes se dirigirão à quadra 6 da Rio Branco para engrossar a massa de opositores ao governo federal, e de lá seguirão com a passeata pelo centro.
Segundo Marcos Silvestre, com essa e outras manifestações o Sindicato dos Bancários deseja, como resultado final, o fim do governo Fernando Henrique Cardoso. "Dependendo de cada partido político, cada um tem uma opinião a respeito disso. Mas o que o Sindicato dos Bancários quer
é que o FHC, Marco Maciel e toda a sua política dêem o fora e sejam convocadas novas eleições. A política econômica do governo está sendo nefasta para o País", diz Marcos Silvestre.
A base da manifestação - a oposição ao governo FHC - é a mesma em todo o País, mas cada cidade e cada Estado participará de acordo com o que for definido em nível local. "A tendência é de que nos próximos meses, novas paralisações aconteçam, seguindo um crescimento de movimentação. A primeira grande atividade foi a Marcha dos 100 mil. O Dia Nacional de Paralisações e Protestos é uma continuidade daquele calendário. Depois, a CUT, os partidos de oposição e os sindicatos devem se reunir no Fórum Nacional de Luta para marcar novas atividades para os próximos meses, e cada uma delas sempre com maior peso no sentido de atingir o objetivo principal", conclui Marcos Silvestre.