Variedade comercial marca Expo
Variedade comercial marca Expo
Texto: Luciano Augusto
A Grand Expo 99, além de ser uma feira agropecuária, grandiosa pela quantidade e qualidade dos animais nas exposições, julgamentos e leilões, também oferece uma gama variada de opções para o público freqüentador, que não está, exatamente, ligado ao ramo agropecuário.
Você já imaginou, por exemplo, em cuidar dos cabelos durante uma exposição agropecuária. Pois na Grand Expo 99, um salão está fazendo barba, cabelo e bigode, dos clientes de ocasião. E o salão ainda lança duas novidades: o uso de navalha para tirar sobrancelhas
(que tira o excesso de pêlos e molda melhor o supercílio) e um diagnóstico da qualidade do cabelo (através de um aparelho que também já indica o shampoo mais indicados). O cabeleireiro José Luis Miranda, garante que
"está cortando bastante". Segundo ele, está atendendo cerca de 25 clientes por dia, a R$ 5,00 cada corte.
Para quem está precisando malhar, um estande oferece diversos tipos de aparelhos de musculação e ginástica, além de outros acessórios, tanto para academias quanto para residências. O vendedor Wilson Rocha de Oliveira Júnior, diz que o pensamento também é divulgar a loja para o público. Aos interessados, adianta, "temos várias formas de pagamento".
Maçao Hayashi, distribuidor de uma marca japonesa de colchões magnéticos, ressalta os benefícios para a saúde que o "equipamento" proporciona. Os travesseiros e colchões magnéticos são indicados para tratamento de estresse, insônia, dores de coluna e cansaço físico e mental. "É uma novidade e o pessoal tem vindo conhecer o material", diz Hayashi.
Já Rodrigo Simonetti Lodi trouxe do longínquo Estado do Pará, os cocos que está vendendo na Grand Expo 99. "No final de semana o movimento esteve bom", comemora, e se aproximou bastante das metas pretendidas pela franquia. O estande vende água de coco gelada, em copos, garrafas ou no próprio coco verde. A água de coco é muito boa para hidratar o corpo em dias quentes.
Caso o calor aperte um pouco mais, a opção para o visitante da Grand Expo pode ser o sorvete que tem a "casquinha" de massa caseira, feita em 40 segundos. São quatro opções de sabor. O vendedor Sebastião Maciel, que participa de feiras nos estados de São Paulo e Paraná, também ressaltou o "bom movimento de fregueses até agora".
Por último, como uma das grandes atrações da feira, principalmente para as crianças, é o parque de diversões instalado na Grand Expo 99. O parque, que veio de Goiânia, tem 24 brinquedos e está com uma promoção em seus preços. De segunda a sexta-feira, das 13 horas às 17 horas, o bilhete individual está sendo vendido a R$ 1,00. À partir das 17 horas, o preço do ingresso sobe para R$ 2,00, exceto o Terminator, "um dos mais procurados", que está com ingressos à R$ 3,00.
De acordo com Marcos de Jesus Lima, da administração,
"o parque está sendo bastante procurado e o movimento está chegando próximo do que era esperado". Lima afirma que os aparelhos são todos importados e de
última geração.
A empresa, que está no ramo há quase 30 anos, lembra que "pelos comentários que tem recebido dos freqüentadores, este é um dos melhores parques que já estiveram presentes na exposição". Os brinquedos mais procurados são o Terminator e a Montanha Russa.
Expotécnica discute plasticultura
A plasticultura (técnica de produção agrícola em estufas) foi o tema de ontem da II Grand Expotécnica, evento da Grand Expo 99. Foram três palestras durante a tarde: "Cultivo Protegido de Hortaliças", "Irrigação por Gotejamento em Plasticultura" e "Fertirrigação em Plasticultura". Dezenas de produtores agrícolas acompanharam o encontro, interessados especialmente nas novidades do setor.
Em países como Israel e Holanda, a técnica de plasticultura
é avançada e "popularizada" nas plantações. No Brasil, os produtores agrícolas ainda têm certo receio de equipar suas fazendas com estufa. A prática custa caro, mas diminui os riscos de perda da produção
(em casos de geada e chuvas fortes).
O agricultor Marino Furlani veio de Pederneiras acompanhar a Grand Expotécnica de ontem. "Utilizamos a plasticultura ainda em pequena escala em nossa plantação de hortaliças, e queremos ampliar a área coberta. Ainda estamos engatinhando, mas o agricultor tem que se tecnificar", avalia.
"Cultivo protegido de Hortaliças" foi o tema apresentado pelo engenheiro agrônomo Carlos José Biondo, supervisor de vendas da Asgrow do Brasil S.A. O palestrante ressaltou a lucratividade que pode trazer a estufa, apesar desta tecnologia ainda ser relativamente cara. "Um pé de tomate comum rende de dois a seis quilos ao produtor. Com a estufa, a produtividade pode passar a cinqüenta quilos por pé", ressalta.
Outro ponto importante é a redução do número de aplicações de agrotóxico na plantação.
"A dose aplicada atua por mais tempo, já que o agrotóxico não será escorrido pela chuva", explica.
O engenheiro agrônomo João Orsi Júnior falou sobre "Irrigação por Gotejamento em Plasticultura", apresentando ao público o funcionamento de um tubogotejador e técnicas para instalação.
Conforme Orsi, a irrigação por gotejamento aplicada
à plasticultura tem como vantagens, menor uso de defensivos agrícolas, a aplicação de fertilizantes através da água, a racionalização da mão-de-obra e um menor gasto de energia, pois tal técnica trabalha com baixa pressão. O custo estimado é de aproximadamente 800 reais/500 m de estufa.
"Sem este tipo de irrigação não há como produzir em estufas, devido à alta temperatura e umidade", conclui o engenheiro. A técnica da irrigação por gotejamento é mais direcionada para culturas como café, frutíferas e hortaliças.
"Fertirrigação em Plasticultura" foi o tema da última palestra do dia. Apresentada pelo engenheiro agrônomo Eduardo Shigemori, a exposição problematizou os cuidados da utilização da técnica.
A fertirrigação é a aplicação de adubo nos canais de irrigação da lavoura. No país, é utilizada especialmente na produção de flores, hortaliças e café. "Ainda falta orientação técnica. O produtor tem que investir corretamente, utilizando apenas adubo solúvel, e sempre na dose exata", insiste o engenheiro.
Ovinocultura
Hoje, quatro palestrantes falam sobre Ovinocultura. Os temas são:
"Programa de Desenvolvimento Regional Rural - Projeto Ovinocultura",
"Papel da Associação Paulista dos Criadores de Ovinos na Ovinocultura Paulista", "Comercialização de Carne Ovina" e "Sistema de Produção de Carne Ovina". A Expotécnica começa às 14 horas.
Suinocultura tenta derrubar mitos
Um dos maiores desafios para a suinocultura nos próximos anos será o de derrubar o mito segundo o qual a carne de porco é gorda, tem colesterol alto e maior quantidade de calorias do que as carnes de outros animais.
A avaliação foi colocada pelo médico veterinário Luciano Roppa, durante a primeira edição do Encontro de Suinocultura da Grand Expo Bauru (Grand Exsu), realizado ontem, no tatersall do Recinto Mello Moraes. Roppa, que tem no currículo participações em eventos internacionais, considerou que, nas últimas décadas, os avanços genéticos permitiram que a carne suína desse um salto de qualidade e resultasse num produto que, hoje se equipara à carne de frango e de vaca. Prova disso é que a carne de porco já é a mais consumida no mundo: foram 86,4 milhões de toneladas no ano de 98, o que equivale a, aproximadamente, 14,5 quilos por habitantes. Em alguns países, como Hungria, República Tcheca e Dinamarca, esse índice supera 60 quilos por habitante. No Brasil, o consumo médio é de 10,4 quilos por habitante.
Apesar do crescimento mundial, da ordem de 2% ao ano, a carne suína ainda carrega a imagem de ser pouco saudável. Um exemplo que Roppa cita é a prática de se diminuir o consumo de suínos no verão e adotar carnes supostamente mais "leves". Ele cita uma pesquisa realizada junto a consumidores em que 92% dos entrevistados citaram o sabor como o ponto forte da carne de porco, enquanto 55% disseram achar que a carne de porco tem muita gordura e colesterol. Conforme o veterinário, no entanto, o mito já não tem sustentação.
Roppa diz que a carne suína de hoje já não se confunde com a da década de 50. "O porco fez regime e virou suíno", afirma. Nesse período, a gordura na carne de porco caiu 82% e a quantidade de calorias foi reduzida em 54%. Além disso, também o colesterol diminuiu. Comparando-se as informações nutricionais do suíno
"moderno" com dados de cardiologia norte-americanos
(American Heart Association), observa-se que os índices de colesterol, gorduras saturadas e calorias na carne de porco estão bem abaixo dos níveis máximos estabelecidos.
Além da diminuição, as gorduras também estão mais concentradas, podendo ser eliminadas em boa parte com um simples corte, e têm predomínio das variedades insaturadas (que combatem o colesterol). São 65% de gorduras insaturadas e apenas 35% de saturadas (que são nocivas à saúde).
O veterinário acrescenta que 150 gramas de carne suína contêm, em média, 270 calorias, enquanto um sanduíche do tipo hambúrguer chega a 600 calorias e um pedaço de pizza de 150 gramas possui 360 calorias.
Marketing foi a pauta da segunda palestra do encontro. "Os In da suinocultura brasileira", proferida pelo Presidente do Sindicato Nacional dos Suinocultores, Waldomiro Ferreira Júnior, abordou, principalmente, a necessidade do investimento em planejamento e marketing na suinocultura.
Os "In" mencionados no título referem-se, segundo Ferreira, aos grandes problemas enfrentados pelos suinocultores: a intranqüilidade (relacionada com os problemas trazidos pela globalização e desunião do setor no Brasil), a indecisão (principalmente política, tanto internos quanto externo) e a impotência (dos suinocultores), que ainda enfrentam problemas ligados à falta de uma estratégia de divulgação da carne suína no Brasil.
Ferreira acrescentou, ainda, que é preciso organizar uma cadeia produtiva, diretamente vinculada ao consumidor, para que seus interesses direcionem a produção.
A suinocultura movimenta anualmente mais de US$5 bilhões, em todo o mundo. Só o setor produtivo é responsável por US$ 1,56 bilhões. No Brasil, o setor ainda deve crescer muito. Para que isso aconteça, entretanto, é necessário um maior investimento em marketing. "Não adianta aumentar a produção se você não sabe para quem vender. É preciso ter uma boa estratégia de venda" argumentou. Para ele, falta à suinocultura a estrutura do mercado de carne bovina, para que se consiga alcançar o destaque merecido
Sucesso
A primeira edição da Grand Exsu também contou com a participação do veterinário Aníbal Moretti, especialista em reprodução de suínos, que tratou de "puberdade em fêmeas suínas". Ele frisou que as modificações genéticas que implicaram na melhoria da carne de porco também resultaram em mudanças no metabolismo do animal. "Hoje, é um animal diferente. É extremamente precoce e requer estudos ao seu melhor aproveitamento em relação à produtividade das fêmeas e à sua vida útil reprodutiva". A constatação de Moretti é a de que o animal não tem sido utilizado em toda sua potencialidade.
A última palestra do encontro foi do médico Fernando E. P. Bertolozzo, sobre "Viabilidade Técnica e Econômica da Inseminação Artificial e Pontos Críticos". Durante a palestra, Bertolozzo discorreu sobre as vantagens da inseminação, tais como aumento do ganho de peso, diminuição do tempo necessário para o abate, diminuição do percentual de gordura e o conseqüente aumento do percentual de carne, entre outras.
Em 99, no Brasil, calcula-se que cerca de 27 a 29% do rebanho seja inseminado artificialmente. Para Bertolozzo, "A viabilidade técnica e econômica estão muito próximas. Nos últimos dez anos a tecnologia da inseminação artificial evoluiu muito, trazendo grande desenvolvimento para a suinocultura brasileira". A palestra ainda enfocou os cuidados que o produtor deve ter para obter sucesso na inseminação, como a higiene, a contratação de mão-de-obra especializada e a compra de equipamentos adequados.
Para o presidente da Arco (Associação Rural do Centro Oeste) e organizador da Grande Exsu, Paulo Rangel Filho, "o evento foi um sucesso, superando todas as expectativas. Para a Grand Expo 2000, com certeza, teremos II GrandExsu, ainda maior, talvez até montando uma mini-granja, para que os produtores possam ver de perto o que estamos discutindo", conclui, com entusiasmo.