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Mercado automotivo

Paulo Toledo
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Encarroçadores buscam exportações

Encarroçadores buscam exportações

Texto: Paulo Toledo

Oferecer produtos competitivos, que criem um diferencial, um atrativo para os clientes e possam atrair os passageiros. Essa é a política adotada pelas empresas encarroçadoras de ônibus para driblar a sazonalidade imposta pela crise econômica e pelos reflexos da informalização do transporte, que vem ocorrendo no Brasil. Claudio Roberto Nielson, 32 anos, diretor Comercial e de Desenvolvimento de Produtos da Busscar Ônibus S/A, de Joinville (SC), afirma que o caminho escolhido pela empresa, além de oferecer produtos cada vez melhores, é apostar na ampliação da atuação da empresa no exterior.

Nielson diz que se 1999 for olhado somente sob os aspectos numéricos,

é um ano em que se verificará uma queda muito grande para os encarroçadores de ônibus. No ano passado, foram produzidos cerca de 18 mil veículos (carrocerias), enquanto que neste ano deve fechar em aproximadamente 11 mil unidades, numa redução de 38,89%.

O diretor da Busscar acusa a informalidade que está sendo implantada na área de transporte no Brasil como o principal vilão para queda da produção industrial de

ônibus. "A informalidade que o transporte vem enfrentando, seja ela por dificuldades econômicas, visões políticas ou falta de atitude do poder concedente, não me cabe julgar os motivos, acabou gerando um reflexo muito forte no setor", destacou, lembrando que o passageiro, que é o cliente fim da empresa encarroçadora, acabou migrando em parte para o transporte informal, desestruturando todo o sistema.

A situação da América Latina (AL) também influenciou a produção de ônibus no Brasil. Nielson diz que todos os países da AL passam por um momento de dificuldades, citando o Chile, que é uma referência de estabilidade econômica, mas que, nos últimos três anos, vem apresentando queda no setor, pelos problemas econômicos.

"Acabou refletindo para nós encarroçadores, que exportamos para toda a América do Sul, América Central, África do Sul e alguns outros países. A economia Latino-Americana está bastante debilitada. O que está acontecendo, neste ano, é um reflexo da situação econômica", afirmou.

Nielson destaca que a saída para as empresas do setor é ter um produto competitivo, que crie um diferencial, um atrativo para o cliente. Ele destaca que, há mais de três anos, a Busscar vem trabalhando com esse cenário de dificuldade de mercado, dessa problemática como um todo.

Com isso, a empresa passou a ouvir, ainda mais, os empresários do setor de transporte, como já era sua prática, que, com sua prática, puderam ajudar a Busscar a aprimorar seus produtos. Em setembro de 98, a empresa lançou uma linha de produtos toda remodelada em nível de ônibus urbano, double-deck (dois pisos), além de reformulações na linha de ônibus rodoviário. Neste ano, foram lançados os microônibus e os urbanos de piso baixo, inovando para ter condições de oferecer diferenciais para o mercado, que possibilitem a concretização de negócios.

Nielson destaca que a indústria brasileira de carrocerias para ônibus é muito competitiva no mercado internacional. A Busscar e outras empresas nacionais, mesmo antes da abertura do mercado local, já atuavam em países como Chile e Peru, nos quais concorriam com fabricantes alemãs. Essa experiência de mais de 10 anos no mercado internacional fez com que essas empresas pudessem enfrentar de igual para igual as empresas estrangeiras que passaram a atuar no Brasil. "De certa forma, estávamos adaptados. É lógico que houve a necessidade de ajustes. Mas, em nível de preparo, já existia uma tendência mundial, que não tinha como escapar, e, obviamente, nós os encarroçadores, acabamos criando naturalmente isso dentro da agressividade e competitividade que existia no mercado", ressaltou.

A Busscar elegeu o mercado externo como a maneira de atingir o ponto de equilíbrio para contornar a situação de sazonalidade do mercado interno. Para Nielson, o ano 2000 será muito parecido com o atual, com poucas possibilidades de crescimento. A previsão do diretor é que a reversão, em termos de quantidade e volume de produção, vai ocorrer a partir do ano 2002 ou 2003, dependendo da situação econômica do País como um todo.

Em 99, a Busscar "plantou" muito no mercado externo comprando a companhia mexicana Ônibus Integrais S/A (Oisa), por meio da qual já tem um projeto para fornecimento de 1.400 ônibus para Cuba, num prazo de cinco anos. Além disso, há uma aposta em outros países, nos quais a abertura de mercado pode compensar a retração das vendas no Brasil.

Participando do mercado mexicano desde 1992, hoje em dia, a Busscar tem cerca de 1,5 mil veículos rodando naquele país.

Raio X

A Busscar teve um faturamento de cerca de US$ 200 milhões, no ano passado. Em 99, em razão da profunda alteração cambial, a previsão é de uma receita de R$ 230 milhões, com a produção de 3,6 mil veículos. A empresa tem 3,2 mil empregados.

A estimativa é de que a exportação atinja entre 25% e 30% da produção da empresa, que é basicamente fabricante de ônibus rodoviário, microônibus, double-deck.

Hoje em dia, a Busscar tem 30% do mercado de ônibus urbano do Brasil. esse market-share (participação no mercado) era de 17% no ano anterior. No segmento de veículos rodoviários, a participação é de 38%.

A empresa tem 52 anos de existência e 100% da tecnologia que utiliza é nacional (made in Joinvile), sobre a qual tem autonomia e não depende de conhecimentos externos.

"Muito pelo contrário. Todos os contratos que temos feito, com Cuba, com México e alguns países mais, são todos para exportar a tecnologia desenvolvida em nosso País para o exterior", afirmou.

Busscar é o nome utilizado, desde 1990, pela antiga Nielson. A troca se deu em razão do lançamento de uma nova linha de produtos rodoviários em substituição

à série Diplomata. O principal motivo foi o de profissionalização da empresa que, apesar de ainda ter controle familiar, foi totalmente profissionalizada. "A profissionalização da empresa não significa que a família tenha que ficar fora, mas, sim, que a atitude dos diretores, ou seja, dos detentores do controle acionário da empresa, seja de uma postura de comando profissionalizado", destacou. (PT)

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