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Câncer

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Bauru tem cerca de 2500 casos de câncer de pele por ano

Bauru tem cerca de 2.500 casos de câncer de pele por ano

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O Brasil é um dos países que apresentam maior incidência de câncer de pele: quatro casos para cada 100 mil habitantes. O Japão apresenta um dos menores índices, 0,2 casos para o mesmo número de habitantes. Em Bauru, a média varia de 2.200 a 2.500 casos de câncer de pele por ano. Os fatores que mais influenciam para que o País figure dentre os de maior incidência da doença são o clima e o buraco na camada de ozônio, que permite a passagem dos raios UVB e UVA. As regiões com maior índice de casos no Brasil são a Sul e a Sudeste (devido à predominância de população de pele clara) e o Nordeste (devido ao fato de ter sol a maior parte do ano).

A longa exposição ao sol sem os devidos cuidados tem sido apontada como um dos agravantes. O dermatologista Cláudio Joaquim Sampaio Tonello explica que a partir da década de 80, os casos de câncer de pele triplicaram no País.

"Com o aparecimento dos protetores solares, as pessoas passaram a ficar mais expostas ao sol e os casos de câncer triplicaram", afirmou.

O médico ressalta que usando protetores as pessoas se sentiram tão protegidas que passaram a abusar. "Antigamente, as pessoas usavam sombrinhas para se protegerem do sol. Na década de 80, surgiram os protetores solares, que foram mal interpretados pela população. Eles só protegem. O uso do produto não dá liberdade para a exposição excessiva ao sol", orienta.

Mesmo com o protetor, segundo o médico, a pessoa deve tomar cuidados básico para não correr o risco de ter um câncer de pele." Não quero fazer apologia contra o sol, ele tem suas virtudes, uma delas é evitar a osteoporose. O que não se pode é abusar da exposição ao sol. Há horários, por volta do meio-dia, por exemplo, quando existe maior incidência de raios ultravioleta, que nenhuma pessoa deveria ficar exposta ao sol", ressalta.

Tonello explica que todos nós temos células cancerosas que podem ficar inativas a vida toda. "Todo o mundo tem e o organismo combate, destrói e regenera, não deixando que as células cancerosas apareçam. A queda na defesa natural, na fase adulta, pode provocar o aparecimento do câncer de pele", disse o médico.

Os efeitos dos raios solares sobre a pele aparece por volta dos 50 anos, segundo o dermatologista. "A maior porcentagem de câncer é encontrado em pessoas do sexo masculino com idade acima de 50 anos", conta. Ele acha que o homem fica mais exposto ao sol, por causa do tipo de serviço.

O sol tem efeito cumulativo, explica Tonello. "O sol vai provocando modificações na pele. Quando a resistência natural não consegue controlar essas modificações, as células cancerosas aparecem", ressaltou. O dermatologista frisa que nos últimos anos, têm aparecido casos em jovens. "Os jovens abusam da exposição ao sol. Querem ficar bronzeados em um fim de semana, para ser notado no escritório, na segunda-feira", disse. O perigo, segundo ele, é que na ânsia de conquistar o bronzeado, os jovens não usam protetor solar.

Bronzeamento deve ser gradativo

Não são todas as pessoas que podem ficar expostas ao sol. "As pessoas de pele e olhos claros precisam aprender, se conformar, que nunca serão morenas. Não devem ficar expostas ao sol e nem fazer bronzeamento artificial porque correm riscos de ter câncer de pele", alerta o dermatologista Cláudio Tonello.

As pessoas com pele morena podem tomar sol, sempre protegidas e nos horários adequados. "O bronzeamento deve ser gradativo. O início deve ser com 20 minutos de exposição ao dia. O aumento deve ser de cinco minutos por dia, até alcançar uma exposição de três horas", explica.

Os horários mais adequados para conseguir um "bronze" varia das 8 às10 horas e a partir das 16 horas, quando as radiações do sol são menores. O pior horário para exposição ao sol é ao meio-dia, quando há maior incidência de raios UVB e UVA que não só favorecem o aparecimento das células cancerosas como também, provocam o envelhecimento mais rápido da pele.

Para as pessoas de pele clara, que nunca devem ficar expostas ao sol, o dermatologista indica os bloqueadores solares. "O bloqueador é uma substância que protege completamente dos raios solares, são ideais para pessoas claras, mas não permite exposição ao sol do meio-dia", ressalta.

Tonello frisa que mesmo com o bloqueador as pessoas de pele clara devem ficar sob o guarda-sol quando vão à praia. O dermatologista lembra que as pessoas que apresentam casos de câncer na família ou que tenham pele clara avermelhada, não devem tomar sol de jeito nenhum. "Essas pessoas não devem tomar sol nem com protetor solar", recomenda.

Câncer de pele mata

Os sintomas do câncer de pele podem aparecer com uma simples ferida na parte do corpo que fica exposta ao sol. "Em cerca de 95% dos casos a ferida aparece no rosto e não se cicatriza", explica o dermatologista Cláudio Tonello. De acordo com o médico, o câncer de pele mais grave é o melanoma cutâneo. Ele pode aparecer de uma hora para outra e, quando diagnosticado na fase inicial, tem cura.

Se diagnosticado na fase final pode matar. O aparecimento dele pode ser como uma pinta ou manchas escuras. Segundo o dermatologista, este tipo de câncer de pele piora com o sol, mas aparece independente do sol. "Estamos investigando se o sol tem influência ou não", contou.

O médico ressalta que graças a divulgação as pessoas têm procurado os dermatologista quando aparece na pele uma pinta ou mancha que muda de cor. "Antigamente, quando as pessoas procuravam o médico já estavam com o câncer de pele na fase final. Hoje, as pessoas estão mais esclarecidas e procuram ajuda na fase inicial, possibilitando a cura", disse.

Ele explica que nos últimos anos os casos melanoma aumentaram.

"Acho que em função da grande divulgação, as pessoas têm procurado o dermatologista. Por isso é que aparece o aumento", disse. O melanoma, segundo Tonello, pode espalhar-se pelo corpo, quando não retirado a tempo.

"Já tivemos casos dele se espalhar pelo pulmão, fígado etc. Na fase final, ele não tem cura", alerta.

Crianças

Por ter pele mais sensível, as crianças são as principais vítimas do sol. Os raios solares emitem uma forte radiação que incide diretamente na pele, causando vermelhidão. A vermelhidão pode levar a queimaduras que, no futuro, podem causar o câncer de pele. A prevenção ainda é o melhor caminho para se evitar o câncer cutâneo.

A pele da criança precisa receber proteção solar adequada, pelo menos meia hora antes da exposição ao sol, seja na piscina ou na praia. O protetor precisa de um tempo em contato com a pele para atingir seu grau máximo de proteção. A reaplicação deve ser feita de duas em duas horas.

O chapéu na cabeça da criança é acessório indispensável. Ele produz sombra na cabeça e nos ombros, melhorando a proteção. Os óculos escuros também são aconselháveis para proteger uma das partes mais sensíveis do rosto. Criança não deve ficar exposta ao sol entre 10 e 14 horas. Mas se houver permanência nesses horários, deve-se usar uma camiseta com tecido de trama fechada e de cor escura, que absorve a radiação e diminui a exposição direta da pele ao sol. Mesmo com todos os cuidados, é melhor deixar a criança na sombra, evitando que ela sinta dores e ardor provocados pela queimadura.

Horários adequados

para exposição ao sol

Ideal: das 8 às 10 horas e a partir das 16 horas, quandos as radiações de UVB e UBA são menores

Perigo: por volta do meio-dia

Protetores

Fator Proteção

6 60%

10 80%

15 95%

30% 96%

Tipos de câncer

* Carcinoma basocelular: um tumor

ou uma pinta na pele. Aparece como uma "casquinha" que não se cicatriza

* Carcinoma espinocelular: pode aparecer como uma região endurecida e descamativa, geralmente encontrada nos lóbulos da orelha, na face, nos lábios e na boca

* Melanoma cutâneo: apresenta-se como uma pinta ou manchas escuras na pele. O pigmento da pinta não é uniforme e tem misturas de preto e marrom, e variações de vermelho, preto e branco. A borda da pinta apresenta-se em formato irregular.

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