Primeiro bebê de inseminação artificial concebido em Bauru nasce esta semana
Primeiro bebê de inseminação artificial concebido em Bauru nasce esta semana
Texto: Andréia Alevato
O primeiro bebê feito por inseminação artificial, concebido em Bauru. Será uma menina, que deve nascer no dia 12, próxima sexta-feira, na Maternidade Santa Isabel.
Para esse bebê ser concebido, o ginecologista Alberto Segalla Júnior, da Clínica Endogin Serh - Serviço de Reprodução Humana -, usou uma técnica de fertilização assistida, a inseminação artificial.
Ele explicou que 40% dos casos de infertilidade são do homem, 40% da mulher e 20% do casal. Na fertilização assistida, que é a mais simples e completa, podem ser usadas duas técnicas, a do coito programado, quando o problema
é da mulher, e a inseminação artificial, quando o problema é do homem.
O médico contou que o problema mais comum na mulher é o de ovulação. Por isso, para que a mulher com dificuldade para engravidar ovule corretamente, o médico dá uma medicação para a paciente e sabe a hora exata em que ela vai ovular. O coito programado, como é chamado,
é o método usado mais simples quando o problema
é ovulação.
Quando o problema é no homem, pode ser de quantidade ou de qualidade do espermatozóide, é feito a inseminação artificial, que é a preparação do espermatozóide. Depois de colher o sêmen do homem, os melhores são separados, colocados dentro de um catéter (espécie de seringa) e injetados dentro do útero da mulher. Essa técnica também pode ser usada quando a mulher tem problema de muco cervical (secreção que a mulher tem no perído fértil, parecida com uma clara de ovo). Esse muco cervical é fundamental para o espermatozóide penetrar no útero e chegar até o óvulo. Na inseminação artificial, o médico faz esse caminho para o espermatozóide. No caso do bebê que nascerá essa semana, foi realizada a inseminação artificial, porque a mãe tinha um problema no muco cervical.
Todo processo, tanto do coito programado quanto da inseminação artificial, é feito dentro do organismo da mulher.
Outra parte da fertilização assistida envolve laboratório. Se não há sucesso na inseminação artificial ou no coito programado, casal e médico optam pelo bebê de proveta. Essa técnica é usada quando a mulher tem obstrução da trompa, ou por cirurgia ou por qualquer outro problema. A técnica usada para ter um bebê de proveta é a mesma do coito programado, só que a medicação é bem maior, para que a mulher produza cerca de 20 óvulos por mês, ao invés de um só, como é normal em qualquer mulher. Quando o tratamento é o coito programado, a mulher produz, com a medicação, entre dois e três óvulos. Antes dos folículos se romperem (eles se rompem depois de 36 horas que a medicação foi aplicada), o médico os aspira do útero, com a ajuda de uma agulha, e coloca em um meio de cultura junto com os espermatozóides. Porém, se o homem tiver baixa quantidade ou qualidade baixa, esse método não funciona.
"Só 20% das fecundações vão para a gravidez. 80% é aborto. A seleção natural
é muito grande. Por isso, usamos alta dosagem de hormônio para conseguir 20 folículos (óvulos pequenos), porque não é um tratamento barato", explicou o ginecologista.
Se o homem tem uma quantidade ou qualidade muito baixas de espermatozóides, o médico usa os métodos Fertilização In Vitro (FIV) ou Injeção Intra-Citoplasmáticade Espermatozóide (ICSI). Quantidade baixa de espermatozóides significa que o homem não tem os 20 milhões de espermatozóides para fecundar um óvulo. Qualidade baixa significa que o espermatozóide é mal formado.
"Se o homem tiver, no mínimo, 20 milhões de espermatozóides para fecundar a mulher, as técnicas usadas são o coito programado ou a inseminação artificial. Até 5 milhões de espermatozóides, o médico usa a técnica da Fertilização In Vitro. E, abaixo de 2 milhões de espermatozóides, a técnica usada é a Injeção Intra-Citoplasmática de Espermatozóides", afirmou Segalla.
Para fazer a FIV, os 20 folículos, em média, produzidos pela mulher são colocados juntos com os espermatozóides do homem para serem fecundados. Desses 20, cerca de 12 fecundam bem, oito evoluem e quatro vão para aborto. Quando esses atingem a fase ideal, é feita a transferência embrionária. Com a ajuda de um catéter, pega-se o óvulo e coloca dentro do útero, como se fosse uma inseminação artificial.
"Só que nós nunca colocamos mais que quatro embriões, porque a chance de se ter gêmeos é muito grande e, geralmente, o casal quer apenas um filho. Se colocados quatro embriões, a chance de ter gêmeos é de 25%, de trigêmeos, 12,5% e quadrigêmeos é 0,5%, e de se ter um filho só é de 63%", comentou.
As chances da mulher engravidar com as técnicas de inseminação artificial ou coito programado são de 20% ao mês. Com a técnica de reprodução assistida para fazer um bebê de proveta, as chances aumentam entre 33% e 44%.
Quando a opção é o ICSI, o médico coloca o espermatozóide dentro de uma pipeta, que é introduzida dentro do óvulo, para que o espermatozóide seja injetado.
"O que acontecia naturalmente nas outras técnicas
é forçada, ao injetar o material genético do pai no óvulo da mãe", comentou.
Em Bauru, já há um caso de Fertilização In Vitro que positivou na semana passada, segundo o ginecologista.
Desgaste psicológico
Os pais do primeiro bebê consebido em Bauru, por inseminação artificial preferiram não se identificar, e disseram que a mãe tentou engravidar durante um ano e não conseguiu.
"Se a pessoa tem um ano de vida sexual ativa e não se previne de nenhuma forma, as chances da mulher engravidar são de 97%", disse o médico.
Depois desse ano, a mãe optou pela inseminação artificial. Na segunda tentativa, ela engravidou. Para ela, o período foi muito desgastante para o casal.
"Foi um período muito desgastante, tanto para mim quanto para meu marido, porque eu não conseguia, ficava nervosa e ansiosa. E ele também. Por isso achei importante a atenção dada pela clínica, que dá até atendimento psicológico", disse a mãe do bebê.
Os custos
Nenhum dos tratamentos usados para engravidar são baratos. Para se fazer o coito programado ou a inseminação artificial, o casal gastará em média R$ 1.000,00 por mês, entre medicação e parte laboratorial.
Já para se fazer a Fertilização In Vitro ou a Injeção Intra-Citoplasmática de Espermatozóide, o gasto mensal fica em torno de R$ 4.500,00, sendo que R$ 1.000,00 são os gastos de medicação e R$ 3.500,00 da parte laboratorial.
O ginecologista disse que são feitas três tentativas com a técnica de inseminação. Se a mulher não engravidar, passa-se por uma técnica mais sofisticada, como a a FIV ou a ICSI.
"As tentativas são feitas todos os meses, em cada ciclo menstrual, porque não adianta fazer um mês, parar, depois de vários meses voltar a fazer", ressaltou o ginecologista.
A procura
Em sua clínica, o médico disse que recebe entre dois e três telefonemas diários, de pessoas que querem saber como funciona e preços. Durante a semana, são feitas, em média, três consultas. E, durante o mês, são cerca de quatro tratamentos realizados por mês só em pacientes de sua clínica.
As vantagens e as restrições
De acordo com Segalla, algumas doenças genéricas, passadas de pais para filhos, é possível serem detectadas em bebês consebidos por inseminação artificial ou FIV ou ICSI, através de exames prévios, que mostram se a criança é portadora ou não da patologia.
É o caso da hemofilia. O sexo do bebê também pode ser determinado.
Restrições também existem. Uma delas é a idade, porque quanto mais velha a mulher fica, mais cai a qualidade dos óvulos.
"Os melhores óvulos da mulher são ovulados mês a mês. A partir dos 35 anos, a mulher começa a ter queda de fetilidade. A partir dos 38 anos, aumenta a incidência de crianças com problemas, doentes ou portadoras de Síndrome de Down, por exemplo", concluiu o médico Alberto Segalla Júnior.