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Direitos civis

Josefa Cunha
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Justiça reintegra marinheiro afastado na Ditadura

Justiça reintegra marinheiro afastado na Ditadura

Texto: Josefa Cunha

Trinta anos precisaram se passar para que o agente policial aposentado Wanderley Sebastião Teodoro, 59 anos, conseguisse reaver um direito tolhido pela Ditadura Militar. Esta semana, ele finalmente foi reintegrado aos quadros da Marinha Brasileira, de onde fora desligado em 1964 por questões políticas. Ao chegar a Bauru depois de uma viagem ao Rio de Janeiro, onde obteve sua carteira funcional, Teodoro desfilou orgulhoso dentro da farda que foi impedido de usar nas últimas três décadas.

A reintegração de Teodoro foi determinada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, em resposta a uma ação que tramitava há quase 20 anos. A sentença judicial foi dada em abril deste ano, mas o resgate da identidade funcional só veio na última quarta-feira. Teodoro, que agora figura como sub-oficial escrevente da Reserva, reconquistou o direito de receber os vencimentos mensais e, provavelmente, será indenizado pelo afastamento indevido. Os salários acumulados durante todo o tempo deverão ser pago com juros e correção.

O ressarcimento financeiro, entretanto, teria um significado secundário aos olhos de Teodoro. "A minha felicidade de retornar à Marinha é impagável. Quando resolvi me apresentar voluntariamente ao serviço, minha família foi contra e eu larguei tudo em busca de um sonho. Sem mais nem menos, fui enxotado de lá. Saí humilhado, descalço, praticamente sem roupas e sofri vários problemas de saúde mais tarde, os quais eu acredito que tenham sido conseqüência da ansiedade, do desgosto que eu sentia. Ninguém faz idéia do que representa poder vestir, ainda que tarde, essa farda de novo, recuperar minha cidadania", desabafou.

Teodoro desconhece até hoje os motivos que o afastaram das Forças Armadas. O desligamento foi sumário e alegava punição baseada no Ato Institucional n.º 1. A razão foi nitidamente política, mas o então 1.ª Classe Escrevente não possuía vínculos com os movimentos combatidos pelos militares. "Nunca estive ligado à política. Pelo o que me lembro, nem sócio da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais eu era. Acredito que por ser escrevente, uma categoria de elite na Marinha, onde o fator inteligência era preponderante, eles me afastaram. Naquela época, quem pensava não era bem vindo", disse.

Desde o desligamento, Teodoro vinha lutando pela reintegração. Todos os ofícios enviados ao Ministério da Marinha voltaram com a mesma resposta: indeferimento ao pedido por falta de amparo legal. Nem mesmo a anistia concedida recentemente pelo presidente Fernando Henrique Cardoso beneficiou o oficial. Apesar da sentença da Justiça Federal fluminense, ele continua um inimigo político do Estado brasileiro. "Espero que essa decisão judicial sirva também como uma anistia", desejou.

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