Salve simpatia!
Salve simpatia!
Texto: Fabiano Alcantara
Ele é atração fixa de um dos mais respeitados clubs de New Orleans, o 544, e deixou o público brasileiro boquiaberto desde a primeira vez que incendiou os nossos palcos com a sua musicalidade.
Ontem à tarde, em entrevista exclusiva ao JC Cultura, ele deu uma mostra do porquê de tanto carisma.
Desde que pisou no american bar, com um sax soprano antiquíssimo nas mãos, ele esbanjou simpatia e musicalidade.
Se apresentou tocando uma música de João Bosco, artista brasileiro que ele adora, e desenrolou conceitos simples, mas essenciais sobre música.
"A música é importante porque é a mesma língua em todo mundo", disse. Leia a seguir a entrevista, de Brown, que acaba de lançar o CD "Doing it Live" e se apresenta hoje e amanhã na Cervejaria dos Monges.
JC Cultura - Quantas vezes você já veio ao Brasil?
Gary Brown - Eu não lembro exatamente, umas cinco ou seis. Desde que eu vim a primeira vez não me pararam mais de chamar. No ano passado, eu toquei em vários lugares do Brasil, inclusive em um festival de jazz em Maceió.
JC Cultura - Esta identificação do público te surpreende?
Brown - Eu fico muito orgulhoso disso, os brasileiros são um povo muito bonito e eu acho que a música serve o mundo. A alma tem que ser alimentada e música faz isso. Eu adoro estar aqui porque as pessoas do Brasil e a sua música são muito inovadores e cheios de vida.
JC Cultura - Você tem muito contato com a música brasileira nos Estados Unidos?
Brown - Nós temos uma estação em New Orleans chamada WW0Z, e eles tem um programa chamado "Tudo Bem", que só toca música brasileira.
JC Cultura - Você sabia que o seu show no ano passado aqui em Bauru foi considerado um dos melhores do ano aqui na cidade? O seu e o do B.B King.
Brown - Eu não sabia disso. É bom que você esteja me dizendo isso. São boas palavras, alimentam a alma.
JC Cultura - Você sente alguma diferença em tocar em New Orleans, onde é residente do 544 Club desde 78, e em outros lugares do mundo, como Bauru?
Brown - Não eu não sinto nenhuma diferença. Talvez a dificuldade de comunicação, pela língua, mas tocar é sempre igual. Por isso que a música
é importante. É a mesma língua em todo mundo. Todo mundo precisa alimentar a alma, da mesma forma como precisa de comida para o corpo.
JC Cultura - Quebra barreiras?
Brown - Sim, nós não precisamos de barreiras.
JC Cultura - Por que você toca?
Brown - Toco por paz, amor, felicidade. Eu gosto de sentir que Deus me usa para fazer as pessoas felizes.
JC Cultura - O que você trouxe para ouvir no Brasil?
Brown - Eu tenho ouvido um monte de coisa que os meus amigos me dão. Com tanto trabalho, inclusive de criação musical, não me sobra muito tempo. Quando eu comecei eu ouvia muita coisa intensamente para aprender o máximo. Hoje eu ouço uma coisa aqui e ali e volta para a minha rotina de estudo.
JC Cultura - Você ainda estuda muito, acha que o músico tem que respirar música?
Brown - Respirar, comer, dormir, sonhar. Tudo.
JC Cultura - Você queria falar mais alguma coisa?
Brown - Eu queria mandar um "hello" para todos os amigos e fãs do Brasil, e para todos os que moram aqui, e dizer eu amo todos. Deus os abençoe. (colaborou Ricardo Polletini)