Geral

Crise da AHB

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Estado propõe administrar hospitais com a AHB

Estado propõe administrar hospitais com a AHB

Texto: Márcia Buzalaf

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo propôs administrar juntamente com a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) o Hospital de Base, a Maternidade Santa Isabel e o Hospital Manoel de Abreu. Ainda sem ter definido os termos da administração com a AHB, o Secretário de Saúde, José da Silva Guedes, afirmou que pretende resolver de fato o problema financeiro da associação em Bauru.

A diretoria da AHB - que é composta por membros representativos do sindicato dos trabalhadores em saúde, do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Regional de Medicina (CRM), do corpo clínico do hospital, da Câmara Municipal, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru, da DIR-X e da Secretaria Municipal de Saúde - vai decidir se aceita ou não a proposta do Estado. A decisão não está vinculada à liberação de recursos extras para os problemas financeiros, motivo da ameaça ao funcionamento dos hospitais. Ou seja, o Estado pode ou não liberar recursos para socorrer a associação, independentemente dela decidir pela administração conjunta ou não. Em contrapartida, o presidente da associação, Joseph Saab, também não garantiu o funcionamento dos atendimentos.

Saab, que participou da reunião juntamente com o diretor regional do SUS em Bauru, Flávio Badin Marques, afirmou que vai levar a proposta para a diretoria discutir na próxima semana.

No caso dos membros da diretoria aceitarem a proposta do Estado, um administrador, juntamente com uma equipe técnica, participaria da administração juntamente com a AHB e ocuparia uma posição dentro da diretoria. "A idéia

é administrar juntamente com a AHB", afirma Marques.

Também foi discutido na reunião a saída do atual superintendente da associação, Reinaldo Rocha, que deve se voltar para a carreira política. O administrador do Estado poderia ocupar este cargo para poder acompanhar de perto o andamento dos três hospitais. O ônus desta equipe técnica e do administrador seria financiado pelo próprio Estado.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado afirmou que a preocupação do secretário é em resolver definitivamente a situação da AHB e evitar que o atendimento nos hospitais seja prejudicado ou cancelado.

A decisão de se deslocar um administrador do Estado para um hospital conveniado com o Sistema Único de Saúde

(SUS) não é inédita. Esta medida é normal nos "hospitais do SUS" e, segundo a assessoria de imprensa, esta crise é similar a outros pontos do Estado, como Guarulhos, onde a Santa Casa havia sido municipalizada mas, pelos problemas financeiros que tinha, recebeu um administrador do Estado para compor a administração.

O motivo de se ter um administrador do Estado na AHB tem base em quatro auditorias realizadas na associação. A primeira, foi pedida pela própria associação mas os resultados não foram divulgados.

Já a segunda auditoria foi requisitada pelo Ministério Público e abrangia a área financeira e contábil da AHB. A terceira auditoria foi mais uma supervisão no hospital, dada a rapidez com que foi realizada. Mesmo assim, os supervisores afirmaram que o hospital é viável em termos econômicos.

Na última auditoria, requisitada através de portaria da Coordenadoria do Interior da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e concluída há um mês, foram detectadas falhas dentro dos hospitais, como o fato da associação não ter organograma, a falta de algumas comissões exigidas por lei e problemas com os contratos dos médicos. Marques afirma que, com base neste resultado, várias coisas dentro da AHB poderiam ser mudadas para o benefício da própria associação e da população.

Sumiço

O presidente e o superintendente da AHB, Joseph Saab e Reinaldo Rocha, além de não serem encontrados pela reportagem para falar sobre a proposta do Estado, também não compareceram à reunião de ontem, agendada pelo Conselho Municipal de Saúde, para discutir o assunto. Por este motivo, várias questões em relação à proposta da Secretaria Estadual e ao funcionamento dos hospitais nos próximos dias permaneceram pendentes.

Mesmo assim, ao menos a forma com que a AHB vem realizando as assembléias com os membros da diretoria foi muito criticada. Os que têm cadeira na diretoria da associação alegam que as decisões são tomadas apenas por Saab e Rocha.

Ao que consta, o aviso de assembléia geralmente é feito no mesmo dia sem nenhuma pauta prévia. Por este motivo, a DIR optou por não mais participar de reuniões de diretoria sem pauta ou aviso antecipado.

A assembléia que determinou o fechamento dos hospitais da AHB, realizada no dia 10, também gerou divergências. O ofício enviado pela associação para a DIR-X anunciando o problema financeiro e o cancelamento dos atendimentos garantia que a decisão havia sido tomada unanimemente. Os representantes na diretoria da AHB presentes na assembléia e na reunião do Conselho Municipal de Saúde afirmaram que esta decisão não foi tomada de forma unânime. Os membros do conselho e da DIR-X afirmaram que, se a associação está com falta de recursos, deve cancelar todos os atendimentos, não apenas aqueles feitos aos pacientes do SUS.

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