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Campanha Salarial

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Diretoria do Banespa cede às reivindicações dos funcionários

Diretoria do Banespa cede às reivindicações dos funcionários

Texto: Patrícia Zamboni

Durante uma reunião de negociações realizada ontem com a diretoria do Banespa, em São Paulo, entidades de representação da categoria dos bancários conseguiram a aprovação das reivindicações que os funcionários do Banespa (Banco do Estado de São Paulo) estavam fazendo há 14 meses. As informações foram passadas na noite de ontem pelo diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru, Marcos Aurélio Silvestre, que participou das negociações.

"Até esse momento, a diretoria do Banespa estava propondo reajuste salarial zero para os funcionários e o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que a categoria bancária recebeu uma parcela na semana passada, seria efetuado somente no início do ano que vem. Depois das manifestações da semana passada (no Dia Nacional de Paralisações e Protestos) e da possibilidade de greve nacional dos funcionários do Banespa marcada para o dia 24 desse mês, a diretoria do banco resolveu seguir os índices da categoria", disse Silvestre. Esses índices são: reajuste salarial de 5,5% extensivo a todas as verbas salariais, como ocorreu com toda a categoria bancária; PLR da categoria, que é de 80% do salário mais R$ 400,00; e a antecipação de 40% do salário mais R$ 134,00, que os bancários já tinham recebido na sexta-feira passada. Esse valor será creditado para os funcionários do Banespa no dia 30 deste mês.

Mas a maior conquista dos funcionários, segundo Silvestre, foi a garantia de emprego. O acordo coletivo de trabalho discutido ontem diz que o banco compromete-se a não efetuar demissões, exceto por motivo de justa causa, até o dia 31 de agosto do ano 2000. Segundo Marcos Silvestre, essa reivindicação vem sendo feita pelos funcionários do Banespa há vários anos. "Além do banco ter aceitado seguir os índices da categoria, essa é a maior vitória dos funcionários", salienta Silvestre. Segundo ele, todas as cláusulas do acordo coletivo de trabalho estão sendo mantidas integralmente, com apenas alguns acertos de redação em relação ao que tinha sido previsto em agosto de 1998.

De acordo com Marcos Silvestre, no ano passado, quando o Banespa optou por rebaixar o acordo coletivo, o banco propôs um abono de R$ 1.050,00, que os funcionários recusaram. Agora, o banco decidiu pagar esse abono também no próximo dia 30, juntamente com a antecipação salarial. "Numa avaliação preliminar do sindicato e das entidades de representação dos funcionários do Banespa, nós entendemos que essa foi uma grande vitória, depois de 14 meses, fruto da pressão, das paralisações que ocorreram no dia 10 nas agências do Banespa e diversas outras paralisações que ocorreram nos últimos meses, e da possibilidade de greve no dia 24, que com certeza seria realizada", afirma Marcos Silvestre. Para hoje está marcado um encontro nacional, que servirá para a avaliação dessa proposta. Mas segundo Silvestre, a orientação da Executiva do Comando Nacional dos Funcionários do Banespa

é para que a proposta seja aceita.

Toda a problemática dos funcionários do Banespa começou quando a diretoria do banco justificou que, pelo fato de atualmente ser um banco federal (o Banespa foi federalizado em 1997), o correto era seguir a política dos bancos federais, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que era de reajuste salarial zero. "Os funcionários disseram não. Está tendo inflação, nós somos bancários e portanto temos direito aos mesmos índices da categoria. Depois das paralisações é que o banco cedeu. E, em nome do sindicato, eu afirmo que isso vai nos dar mais força para fazer a greve no Banco do Brasil

(BB) e na Caixa Econômica Federal (CEF) na próxima semana", diz Silvestre. Está marcada uma greve nesses dois bancos para o próximo dia 25. O objetivo é conseguir, no mínimo, esses mesmos índices de reajuste para os funcionários da CEF e do BB, que segundo Silvestre estão há cinco anos sem receber esses reajustes.

"Pagou para o Banespa, pagou para todos bancários, e nós queremos que pague para a Caixa Econômica Federal e para o Banco do Brasil também", conclui o presidente do Sindicato dos Bancários de Bauru.

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